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Durigan defende Brasil como “porto seguro” energético, fiscal e econômico
Economia

Imagem gerada por IA

Durigan defende Brasil como “porto seguro” energético, fiscal e econômico

18/08/2026·347 palavras
Ministro da Fazenda aposta em energia, biocombustíveis e minerais críticos para ampliar protagonismo global do Brasil, com foco em responsabilidade fiscal.

O ministro da Fazenda Dario Durigan defendeu a responsabilidade fiscal e posicionou o Brasil como liderança independente no cenário internacional durante a 27ª Conferência Anual do Santander, realizada em São Paulo. As declarações foram feitas nesta segunfda-feira (17) e repercutiram no Jota e no TMC.

Durigan afirmou que "o Brasil se vê como uma liderança que merece respeito" e descartou alinhamento automático a potências estrangeiras, reforçando a defesa de uma política externa soberana, sem subordinação a blocos ou interesses de outras nações.

O ministro identificou três eixos para ampliar o protagonismo brasileiro no cenário internacional: energia, biocombustíveis e minerais críticos. Na área energética, Durigan destacou a matriz de energia elétrica, a entrada dos biocombustíveis, a força da Petrobras e a possível descoberta de petróleo na margem equatorial. "Com o choque do petróleo, um país que tem os potenciais que nós temos... o Brasil é uma força energética", declarou o ministro, conforme o TMC.

Durigan também mencionou que o Brasil possui minerais críticos, recursos cada vez mais disputados por serem essenciais à fabricação de baterias, chips e equipamentos de alta tecnologia. O ministro defendeu ainda que o futuro da inteligência artificial se dará no Brasil, argumentando que o país reúne condições energéticas para sustentar essa expansão, ponto relevante considerando que centros de dados para IA consomem grandes volumes de energia elétrica.

O ministro defendeu que o Brasil precisa se abrir mais para o comércio exterior e fortalecer suas relações comerciais com o mundo, ressalvando que esse movimento ainda está no campo do que ele considera necessário, não sendo uma realidade consolidada.

Durigan sintetizou o objetivo do Ministério da Fazenda com a frase: "Num mundo de incerteza, a gente precisa construir Brasil como porto seguro: energético, institucional, fiscal e econômico".

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Déficit fiscal sem proposta concreta

Apesar de reafirmar o compromisso com a responsabilidade fiscal, Durigan não detalhou propostas concretas para reduzir o déficit fiscal acumulado desde 2023, que contribui para o crescimento da dívida pública. Em entrevista à GloboNews em 6 de agosto, o ministro atribuiu o crescimento do endividamento principalmente aos juros, então em 14% ao ano.

FUP Explica

O discurso de Durigan na conferência do Santander combina dois movimentos que merecem atenção separada. O primeiro é a aposta em energia, biocombustíveis e minerais críticos como trunfos de inserção internacional, o que faz sentido dado o contexto de disputa por recursos essenciais à transição energética e à expansão da inteligência artificial. Essa narrativa tem potencial de atrair investimento externo e abrir espaço em negociações comerciais, mas depende de políticas concretas para se materializar.

O segundo movimento é mais delicado: o ministro reafirma responsabilidade fiscal sem apresentar nenhuma medida objetiva para conter o déficit que se acumula desde 2023. Adiar o detalhamento das propostas para depois das eleições é uma escolha política compreensível, mas cria incerteza para o mercado financeiro, que precisa de sinais claros sobre trajetória de dívida e gastos. Juros elevados, que o próprio Durigan apontou como principal vetor do endividamento, tendem a persistir enquanto o cenário fiscal permanecer indefinido, o que pressiona o custo do crédito e o câmbio.

A defesa de maior abertura comercial, apresentada como necessidade e não como realidade, também fica no ar sem agenda concreta. No fundo, o discurso do ministro é mais de posicionamento e sinalização do que de anúncio, o que é comum em eventos do setor financeiro, mas o mercado e os parceiros comerciais do Brasil vão continuar cobrando substância.

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