
Imagem gerada por IA
Focus mantém inflação acima do teto e corta PIB de 2027 pela quarta semana seguida
Mercado mantém Selic em 13,75% e dólar em R$ 5,20 para 2026, enquanto reduz projeção de crescimento do PIB para 2027 de 1,52% para 1,50%. Indicadores relevantes para importadores e exportadores que operam com hedge cambial e planejamento de fluxo de caixa.
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (17), manteve a projeção de inflação para 2026 em 5,02% pela primeira semana consecutiva nesse patamar, enquanto reduziu pela quarta semana seguida a estimativa de crescimento do PIB para 2027, segundo o Infomoney.
O IPCA projetado para este ano havia recuado de 5,15% para 5,02% na semana anterior e se manteve estável nesta edição. Mesmo assim, o número segue acima do teto da meta de inflação: o Conselho Monetário Nacional fixou a meta em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece o limite superior em 4,5%.
A trajetória das expectativas ao longo do ano mostra uma inversão relevante. Em janeiro, a projeção para o IPCA de 2026 era de 4%, recuando para 3,95% em fevereiro. Desde então, as estimativas subiram gradualmente até atingir o patamar atual de 5,02% em agosto.
Para 2027, a estimativa de inflação subiu de 4,22% para 4,24%, interrompendo uma sequência de estabilidade. Para 2028, a projeção permaneceu em 3,80% pela terceira semana consecutiva, e para 2029 a mediana continuou em 3,50%, nível mantido há 50 semanas.
Nos preços administrados, a estimativa para 2026 caiu de 4,91% para 4,70%, acumulando três semanas consecutivas de queda. O IGP-M para 2026, por outro lado, subiu de 4,47% para 4,71% após uma semana de estabilidade.
PIB com queda acumulada em 2027
A projeção de crescimento do PIB para 2027 recuou de 1,52% para 1,50%, completando quatro semanas consecutivas de redução. Para 2026, a estimativa permaneceu em 1,98% pela primeira semana nesse nível. Para 2028, a projeção caiu de 2,00% para 1,89%, enquanto para 2029 a mediana se manteve em 2,00%, patamar estável há 74 semanas.
Selic e câmbio sem alteração
A projeção para a taxa Selic ao fim de 2026 ficou em 13,75% ao ano pela segunda semana consecutiva. Para 2027, a estimativa continuou em 12% pela nona semana seguida, e para 2028 permaneceu em 10,50% pela sétima semana. Para 2029, a mediana ficou em 10% ao ano pela 15ª semana consecutiva.
No câmbio, a projeção para o dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20 pela nona semana seguida. Para 2027, a estimativa subiu de R$ 5,28 para R$ 5,29. Para 2028, a projeção continuou em R$ 5,30 pela quarta semana consecutiva, e para 2029 a mediana recuou de R$ 5,37 para R$ 5,36, acumulando duas semanas de queda.
FUP Explica
O dado mais relevante desta edição do Focus não é a estabilidade do IPCA de 2026, mas o que ela representa: a inflação parou de cair. Depois de recuar de 5,15% para 5,02% na semana anterior, a projeção não avançou, mas também não cedeu, e isso num patamar que segue bem acima do teto da meta oficial de 4,5%. Ou seja, o mercado financeiro não vê convergência para a meta em 2026, o que mantém a pressão sobre o Banco Central para sustentar juros elevados por mais tempo.
A Selic projetada em 13,75% para o fim deste ano, estável pela segunda semana, reflete exatamente esse diagnóstico: o mercado não espera corte de juros no curto prazo.
Juros altos encarecem o crédito, comprimem o investimento e pesam sobre o consumo, o que ajuda a explicar a revisão para baixo do PIB de 2027, agora em 1,50% após quatro semanas seguidas de queda. A combinação de inflação acima da meta e crescimento em desaceleração é o cenário mais difícil para a política monetária, porque qualquer afrouxamento prematuro arrisca piorar as expectativas de inflação.
Para o câmbio, a estabilidade do dólar projetado em R$ 5,20 para o fim de 2026 sinaliza que o mercado não antecipa choque externo nem mudança brusca de política monetária nos próximos meses. A leve alta na projeção para 2027 (de R$ 5,28 para R$ 5,29) é marginal e não aponta tendência clara. No conjunto, o Focus desta semana reforça um cenário de acomodação: inflação estabilizada em nível alto, juros sem perspectiva de queda imediata e crescimento revisado para baixo.





