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Querosene de aviação dispara 53,3% em 2026 após novo reajuste da Petrobras
A Petrobras reajustou o preço médio do querosene de aviação em 13,9%, impactando custos de frete aéreo e operações logísticas internacionais.
A Petrobras reajustou em 13,9%, em média, o preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras a partir de 1º de setembro de 2026. O aumento equivale a R$ 0,68 por litro em relação a agosto. Nas refinarias da companhia, o novo preço varia de R$ 5,44 a R$ 5,70 por litro, segundo a Agência Brasil.
A variação em relação ao mês anterior chega a 14,34% em São Luís. O menor reajuste citado pela estatal é de 13,51% em Canoas, no Rio Grande do Sul. Por contrato, o preço do combustível vendido pela Petrobras às distribuidoras é reajustado no primeiro dia de cada mês.
Querosene de aviação acumula alta de 53,3% em 2026
Desde o início do ano, o QAV acumula alta de 53,3%, equivalente a R$ 1,94 por litro em relação ao preço vigente em dezembro de 2025.
A trajetória dos preços foi marcada por fortes oscilações. O combustível teve aumento médio de 9% em março, seguido por reajustes de 55% em abril e 18% em maio. Depois de reduções em junho e julho, o preço voltou a subir 1,9% em agosto e 13,9% em setembro.
A Petrobras atribui o reajuste mais recente à elevação das cotações internacionais do QAV, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Segundo a estatal, o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado em 28 de fevereiro, provocou perturbações na cadeia logística da indústria do petróleo.
Como funciona a formação do preço do QAV
A precificação do QAV no Brasil segue uma fórmula paramétrica contratual que funciona como um amortecedor de curto prazo. Segundo a companhia, o mecanismo resulta em ajustes mais moderados do que os observados nos mercados internacionais.
Embora o Brasil seja produtor de petróleo, o QAV e outros derivados são negociados como commodities e sofrem influência das cotações internacionais. A Petrobras produz ou importa o combustível e o comercializa com as distribuidoras, que ficam responsáveis pelo transporte e pela venda às companhias aéreas e a outros consumidores nos aeroportos.
A estatal responde por cerca de 85% da produção de QAV no país, mas o mercado brasileiro é aberto à concorrência, sem restrições para a atuação de outros produtores ou importadores.
Para reduzir o impacto financeiro imediato da alta, a Petrobras retomou em setembro o programa de parcelamento dos reajustes do QAV. As distribuidoras poderão dividir o aumento em três parcelas mensais. Para aderir ao programa, as empresas precisam assinar um termo específico, sem necessidade de oferecer garantias adicionais. A Petrobras informou ainda que os volumes de QAV solicitados pelas distribuidoras para setembro estão confirmados, garantindo o abastecimento nos polos de atendimento.
A medida dá continuidade a iniciativas adotadas pela companhia diante das fortes oscilações de preços observadas neste ano. Em maio, após o reajuste de 18%, a Petrobras permitiu que distribuidoras que atendem à aviação comercial parcelassem parte do aumento em seis vezes, com pagamento da primeira parcela em julho.
Combustível pesa nos custos das companhias aéreas
O QAV está entre os principais componentes das despesas das companhias aéreas. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), citada pela Agência Brasil, o combustível responde por cerca de 30% das despesas operacionais das empresas brasileiras.
O peso pode variar conforme o período e a metodologia utilizada. Em maio, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informou que, antes do reajuste daquele mês, o QAV representava cerca de 45% dos custos operacionais das companhias do setor.
A diferença entre os percentuais decorre das fontes e dos contextos distintos dos levantamentos. Por isso, os dados de 30% e 45% não devem ser apresentados como se fossem estimativas produzidas pela mesma instituição.
FUP Explica
O reajuste de 13,9% em setembro, somado ao acumulado de 53,3% no ano, coloca as companhias aéreas brasileiras sob pressão financeira relevante. O QAV já respondia por cerca de 30% a 45% dos custos operacionais do setor, dependendo da fonte e do período, e uma alta dessa magnitude em menos de um ano tende a comprimir margens ou forçar repasse para as tarifas. Quem sente mais diretamente são os passageiros, sobretudo nas rotas domésticas onde a concorrência com outros modais é menor, e as empresas que operam rotas menos densas, onde diluir o custo por assento é mais difícil.
No campo político e institucional, o caso expõe a tensão permanente entre a política de preços da Petrobras e os interesses do setor aéreo. A fórmula paramétrica que a estatal usa como amortecedor ajuda a suavizar os picos, mas não elimina o repasse: o acumulado de 2026 mostra que, ao longo de meses, o mercado absorve o choque de qualquer forma. O programa de parcelamento em três vezes atenua o impacto de caixa para as distribuidoras no curto prazo, mas não reduz o custo final do combustível.
O fator geopolítico é o que mais preocupa na perspectiva de médio prazo. Enquanto o conflito no Oriente Médio mantiver o Estreito de Ormuz sob pressão, a volatilidade do Brent tende a continuar elevada, o que significa que novos reajustes mensais permanecem no horizonte. A Petrobras não controla o preço internacional e, pela própria lógica da fórmula paramétrica, os ajustes seguirão o mercado com algum defasamento, não com imunidade.




