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Petróleo sobe mais de 5% na semana com novas sanções dos EUA contra o Irã
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Petróleo sobe mais de 5% na semana com novas sanções dos EUA contra o Irã

21/08/2026·587 palavras
Preço do petróleo em trajetória de alta com possíveis sanções dos EUA em perspectiva, impactando custos de frete e energia para operações de comex brasileiro.

O preço do petróleo segue em trajetória de alta pela segunda semana consecutiva, com o Brent para outubro cotado a US$ 93,64 por barril e o WTI a US$ 86,78 em 21 de agosto, acumulando ganho superior a 5% na semana, conforme a Exame. O principal fator de pressão é o anúncio de novas sanções financeiras dos EUA contra o Irã, previstas para serem detalhadas na segunda-feira, 24 de agosto.

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que as medidas serão as mais severas já aplicadas pelos Estados Unidos contra o país. O presidente Donald Trump também ameaçou impor consequências econômicas a nações que continuem apoiando Teerã. Em resposta, o Irã declarou que uma nova ofensiva econômica americana provocaria uma reação "devastadora", elevando o risco de novos episódios de conflito na região.

O tráfego pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de energia do mundo, permanece severamente reduzido. Dados da Kpler divulgados pela Reuters mostram que apenas sete navios de commodities atravessaram o local em 20 de agosto, contra 14 no dia anterior, e nenhum deles era um grande petroleiro ou navio de transporte de gás natural liquefeito.

Antes do início do conflito, o Estreito concentrava cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo. A Rystad Energy avalia que uma retomada rápida dos embarques parece cada vez mais distante, dado o impasse diplomático entre Washington e Teerã. "Como o conflito não apresenta muitos sinais de avanço diplomático, o mercado de petróleo volta a precificar o fracasso da diplomacia", afirmou Janiv Shah, vice-presidente de análise de mercados de petróleo da Rystad Energy.

Além do Irã, a produção e os embarques de grandes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, continuam afetados pelas interrupções relacionadas ao conflito.

A restrição de oferta pressiona especialmente o mercado de diesel: as margens do combustível atingiram níveis recordes diante do receio de escassez no curto prazo, de estoques reduzidos e de demanda sustentada, conforme análise da Rystad Energy. As ofertas de petróleo iraniano para compradores chineses também diminuíram, enquanto os preços subiram com a retomada do bloqueio americano sobre os embarques do país.

Os rendimentos dos Treasuries americanos permanecem elevados, reforçando as preocupações com inflação no cenário internacional, segundo a Exame.

Contexto do conflito desde março de 2026

O conflito entre EUA e Irã se intensificou a partir de março de 2026. Em 9 de março, o Brent e o WTI registraram altas de 16,7% e 15,7% respectivamente, com o WTI atingindo US$ 119,48 por barril e o Brent US$ 119,50. Naquele momento, Iraque e Kuwait já haviam iniciado cortes na produção de petróleo, somando-se às reduções anteriores de gás natural liquefeito do Catar.

Em 13 de março de 2026, os EUA atacaram alvos militares na Ilha Kharg, principal centro petrolífero do Irã e terminal de exportação responsável por 90% das remessas de petróleo do país. Trump ameaçou atingir a infraestrutura da ilha caso o Irã continuasse bloqueando a navegação pelo Estreito de Ormuz.

Desde então, grandes companhias de navegação como Maersk, Hapag-Lloyd, CMA CGM e MSC anunciaram desvios de embarcações para rotas alternativas, principalmente pelo Cabo da Boa Esperança, e passaram a aplicar sobretaxas de risco e combustível para cargas destinadas ao Mar Vermelho, ao Golfo e à África Oriental. A Agência Internacional de Energia classificou a situação, em março de 2026, como a maior interrupção de oferta já registrada no mercado mundial, com redução estimada em ao menos 10 milhões de barris por dia provenientes de países do Golfo.

FUP Explica

O movimento desta semana não é isolado: é mais um capítulo de uma crise de oferta que se arrasta desde março de 2026 e que, a cada escalada diplomática ou militar, empurra os preços para cima. O anúncio de sanções mais severas ao Irã para segunda-feira, 24 de agosto, tende a manter o mercado em estado de alerta pelo menos até que o conteúdo exato das medidas seja conhecido, e a retórica de ambos os lados reduz a margem para uma distensão rápida.

Para quem opera no comércio exterior, os efeitos mais imediatos vêm pelo lado do frete e dos derivados. Com o Estreito de Ormuz operando em capacidade mínima e as grandes armadoras desviando pelo Cabo da Boa Esperança, os custos de transporte seguem pressionados pelas sobretaxas de risco e combustível. O diesel em margens recordes agrava esse quadro, porque encarece tanto o transporte rodoviário de cargas quanto a operação portuária em regiões que dependem do combustível para movimentação de pátio e equipamentos.

O risco mais amplo é inflacionário. Petróleo caro e frete caro chegam ao consumidor final via cadeia de produção e distribuição, e os Treasuries elevados indicam que o mercado americano já precifica esse cenário. Para o Brasil, que importa derivados e tem parte relevante da pauta de exportações embarcada em navios que cruzam rotas afetadas, a persistência do conflito sem sinal diplomático concreto é o fator a acompanhar de perto nas próximas semanas.

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