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Petróleo Brent supera US$ 100 com escalada do conflito entre EUA e Irã
O petróleo Brent superou a marca de US$ 100 por barril nesta quarta-feira (9), pela primeira vez desde 24 de julho, em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e ao aumento das preocupações com o abastecimento mundial de petróleo. O avanço da commodity, acompanhado pela valorização do gás natural, aumentou a aversão ao risco nos mercados internacionais, pressionou bolsas na Europa e nos Estados Unidos e repercutiu também sobre os ativos brasileiros.
Os contratos futuros do Brent chegaram a US$ 100,95 ao longo do dia. Por volta das 12h10 GMT, avançavam 2,94%, para US$ 100,80 por barril. O petróleo WTI subia 2,76%, a US$ 95,60, atingindo o maior nível desde o início de junho. Além da intensificação do conflito no Oriente Médio, a retomada das compras chinesas apareceu entre os fatores associados ao movimento dos preços.
A pressão sobre as cotações ocorre principalmente diante do risco de novas restrições à oferta. Nos últimos dias, forças dos Estados Unidos atingiram petroleiros iranianos, enquanto o Irã realizou ataques contra navios e uma base americana na Jordânia. Além disso, instalações de energia da Arábia Saudita foram atingidas por ataques de houthis apoiados pelo Irã, ampliando as preocupações não apenas com o Estreito de Ormuz, mas também com o Mar Vermelho, utilizado como rota alternativa para os embarques de petróleo.
O impacto sobre o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz ajuda a explicar a reação do mercado. Na semana anterior à retomada dos combates, em 30 de agosto, entre 8 milhões e 9 milhões de barris por dia passaram pela região. Mais recentemente, esse volume caiu para menos de 2 milhões de barris diários. Na quarta-feira, um navio transportando cerca de 2 milhões de barris de óleo combustível iraquiano também foi atingido por um drone em águas territoriais do Iraque, enquanto outros navios mercantes sofreram ataques durante a madrugada.
Nesse cenário, o avanço do petróleo se espalhou pelos mercados financeiros. Na Europa, o índice Stoxx 600 recuava 0,8% por volta das 6h44, no horário de Brasília. Londres caía 0,5%, Frankfurt perdia 1%, Paris recuava 1,3%, Milão tinha baixa de 0,97% e Madri caía 1,6%. Ao mesmo tempo, o gás natural europeu Dutch TTF para outubro avançava 3,8%, para 78,76 euros por megawatt-hora.
A combinação entre petróleo e gás mais caros também aumentou a preocupação com a inflação e o crescimento econômico, especialmente na véspera da decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Entre as empresas, a Inditex recuava 4,2% em Madri, enquanto seus gestores apontavam que os custos de transporte poderiam continuar pressionando os resultados.
Nos Estados Unidos, os futuros das principais bolsas também operavam em queda. O S&P 500 futuro recuava 0,33%, enquanto o Dow Jones futuro caía 0,62% e o Nasdaq futuro perdia 0,45%. Paralelamente, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano avançavam ao longo da curva, diante do temor de que novas pressões inflacionárias possam manter os juros elevados por mais tempo.
FUP Explica
No plano econômico, o problema se desdobra em duas frentes simultâneas. A primeira é a inflação: petróleo e gás mais caros encarecem energia, transporte e insumos industriais, o que tende a se espalhar pelos preços ao consumidor em semanas.
A segunda é o crescimento: bancos centrais que ainda não terminaram o ciclo de aperto, como o BCE, ficam em posição ainda mais difícil, porque subir juros para conter inflação de energia pode frear ainda mais uma economia que já dá sinais de desaceleração. O fato de a decisão do BCE cair exatamente neste momento não é detalhe menor.
No Brasil, o canal de transmissão é o câmbio: dólar mais forte e Ibovespa em queda refletem a fuga para ativos considerados mais seguros, e um real mais fraco pressiona os preços domésticos de combustíveis e de qualquer insumo cotado em dólar.
A pressão energética, porém, não começou com a passagem dos contratos futuros do Brent pela barreira dos US$ 100. No mercado físico, a referência do Brent estava acima desse nível desde 3 de setembro. Além disso, os preços de combustíveis refinados permanecem elevados: os futuros do diesel europeu eram negociados próximos de US$ 199 por barril nesta quarta-feira, enquanto a gasolina europeia se mantém acima de US$ 100 desde março.
Nos Estados Unidos, os consumidores enfrentaram preços recordes da gasolina no feriado do Labor Day e máximas históricas do diesel na semana passada.




