
Pecém fornecerá energia elétrica a navios atracados
Porto de Pecém (CE) implementa serviço de fornecimento de energia a navios em setembro, reduzindo uso de diesel. Relevante para comex por impacto em custos operacionais portuários e sustentabilidade de operações de carga.
O Porto do Pecém começará a fornecer energia elétrica em terra para navios atracados em setembro de 2026, com a instalação de um sistema de shore power no Terminal de Múltiplas Utilidades (TMUT). A tecnologia permitirá que as embarcações reduzam o uso de motores auxiliares a diesel durante a permanência no cais, diminuindo o consumo de combustível e as emissões associadas à operação, segundo o Transporte Moderno.
O terminal integra o Complexo do Pecém, localizado entre os municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, a cerca de 60 quilômetros de Fortaleza, no Ceará.
O shore power permite que embarcações atracadas se conectem à rede elétrica terrestre e reduzam o funcionamento dos motores auxiliares a diesel. Esses motores normalmente permanecem ligados durante a estadia no cais para fornecer energia aos sistemas de bordo, à iluminação e aos equipamentos internos.
Com a conexão à infraestrutura elétrica do terminal, parte dessa demanda poderá ser atendida pela energia fornecida em terra, reduzindo a necessidade de consumo de combustível durante a atracação.
Segundo o Complexo do Pecém, a implantação do sistema tem potencial para evitar a emissão de 796 toneladas de dióxido de carbono por ano. A administração portuária afirma utilizar energia renovável certificada em suas operações eletrificadas.
Projeto também prevê eletrificação de guindastes
Além do fornecimento de energia aos navios, o projeto prevê a instalação de infraestrutura para eletrificar guindastes portuários móveis do tipo MHC, atualmente movidos a diesel e utilizados nas operações de carga e descarga.
Com a mudança, os equipamentos poderão operar conectados à rede elétrica terrestre, reduzindo a utilização de diesel nas atividades portuárias.
A iniciativa integra o processo de eletrificação conduzido pelo Pecém nos últimos anos. Segundo a administração do porto, cerca de 65% das operações portuárias do complexo já são eletrificadas. Entre os equipamentos que funcionam com eletricidade estão guindastes utilizados na movimentação de contêineres e placas, correias transportadoras e rebocadores atracados.
FUP Explica
A adoção do shore power no Pecém tem peso direto para quem opera com cargas no porto. Navios que consomem menos diesel durante a escala têm custo operacional menor, e esse tipo de economia tende a se refletir, ao longo do tempo, nas tarifas cobradas pelas linhas marítimas. Para importadores e exportadores que usam o Pecém como ponto de entrada ou saída de mercadorias, qualquer redução de custo portuário é relevante, ainda que o efeito não seja imediato nem automático.
Do ponto de vista ambiental e regulatório, a iniciativa coloca o porto em linha com exigências que estão se tornando cada vez mais comuns no setor marítimo internacional. A Organização Marítima Internacional (OMI) vem apertando as metas de redução de emissões para navios, e portos que oferecem infraestrutura de eletrificação tendem a ser vistos com mais interesse por armadores que precisam cumprir essas regras. Isso pode influenciar a decisão de quais portos incluir em rotas regulares.
A eletrificação dos guindastes MHC também merece atenção: são equipamentos centrais na movimentação de carga geral e contêineres, e sua transição para energia elétrica pode melhorar a previsibilidade operacional e reduzir custos de manutenção a médio prazo. Com 65% das operações já eletrificadas, o Pecém sinaliza uma trajetória consistente nessa direção, o que reforça a posição do complexo frente a outros portos que ainda dependem quase inteiramente de diesel.




