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MSC reajusta tarifas de frete da Europa para as Américas a partir de outubro
MSC divulga novas tarifas de frete de portos da Europa Continental e Escandinávia para EUA, Bahamas, Porto Rico, Canadá e México, vigentes a partir de 1º de outubro de 2026.
A MSC anunciou novas tarifas de frete para cargas embarcadas em portos da Europa Continental, Escandinávia e região do Báltico com destino aos Estados Unidos, Bahamas, Porto Rico, Canadá e México. Os valores entram em vigor em 1º de outubro de 2026 e serão aplicados de acordo com o destino e o tipo de carga, segundo o Container News.
As tarifas são destinadas a cargas classificadas como Freight All Kinds (FAK) e não abrangem mercadorias enquadradas nas regras da Organização Marítima Internacional (IMO) nem commodities de alto valor. Contêineres refrigerados e determinadas combinações de portos, mercadorias e equipamentos podem ter cobranças adicionais. Para operações não contempladas pelo anúncio, a MSC orienta os clientes a consultar suas agências locais.
Além dos valores básicos de frete, poderão incidir sobretaxas locais e cobranças de contingência.
A data considerada para a aplicação das novas tarifas varia conforme o destino. Nos embarques para Estados Unidos, Bahamas e Porto Rico, será considerada a data de entrada do contêiner no terminal (gate-in date). Para Canadá e México, a referência será a data comercial de navegação.
A MSC informou ainda que permanecem válidos seus termos e condições padrão, incluindo três dias de prazo livre para coleta e devolução de contêineres, salvo quando houver determinação específica em contrário.
Setor registrou reajustes no ano anterior
O setor de transporte marítimo já havia registrado movimentos de reajuste de tarifas e sobretaxas no ano anterior. Em julho de 2025, Maersk, MSC e CMA CGM estavam entre as armadoras que anunciaram aumentos em sobretaxas de alta temporada e alterações nas tarifas-base para diferentes rotas com destino aos Estados Unidos, Europa e Canadá, segundo a SINDICOMIS.
Segundo a entidade, os reajustes anunciados naquele período estavam associados a fatores como aumento sazonal da demanda, custos operacionais mais elevados, incluindo combustível marítimo, congestionamentos portuários e cancelamentos programados de viagens, conhecidos como blank sailings, utilizados pelas armadoras para ajustar a capacidade disponível.
Diante da volatilidade dos custos do transporte marítimo, a SINDICOMIS recomenda que operadores antecipem a contratação de fretes internacionais, façam reservas com maior antecedência, avaliem alternativas de rotas e fornecedores e revisem contratos para prever eventuais reajustes logísticos. A entidade também orienta o acompanhamento das regras nacionais e internacionais relacionadas às sobretaxas cobradas pelas transportadoras.
FUP Explica
O reajuste da MSC é mais um capítulo de um ciclo que já vem se arrastando desde meados de 2025, quando as grandes armadoras começaram a empilhar sobretaxas em resposta a custos operacionais mais altos e a desvios de rota forçados por tensões no Estreito de Ormuz. O problema é que cada novo anúncio de tarifa tende a funcionar como sinalização de mercado: quando a MSC move, Maersk e CMA CGM costumam acompanhar, o que eleva o piso geral do frete no corredor.
Para empresas brasileiras que utilizam hubs logísticos na Europa ou nos EUA, o efeito pode aparecer tanto no custo direto do frete quanto na disponibilidade de espaço, já que os blank sailings reduzem a oferta de slots. Quem opera com contratos de longo prazo sem cláusula de reajuste logístico fica mais exposto, porque o custo adicional cai inteiramente sobre o importador ou exportador sem possibilidade de repasse contratual. A recomendação da SINDICOMIS de antecipar reservas e revisar contratos faz sentido nesse contexto, especialmente para quem tem embarques previstos para o quarto trimestre de 2026.
Há também uma dimensão regulatória a acompanhar: a SINDICOMIS menciona monitoramento de eventual abusividade nas sobretaxas, o que indica que o tema pode ganhar tração em instâncias regulatórias, tanto no Brasil quanto em outros países importadores. Por enquanto, porém, o mercado opera sem limitação formal, e o poder de precificação segue concentrado nas grandes armadoras.




