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Suzano adquire 10% de complexo portuário com cinco terminais em Aracruz
Suzano adquire participação de 10% em complexo portuário no Espírito Santo, reforçando sua infraestrutura logística para exportação de celulose e produtos florestais.
A Suzano firmou acordo para adquirir uma participação de 10% na Imetame Logística Porto, responsável pela construção de um complexo portuário em Aracruz, no Espírito Santo. A participação será integralizada por meio do aporte de terrenos pertencentes à fabricante de celulose, sem previsão de desembolso de capital em 2026.
Segundo o InfoMoney, a operação não deve provocar impacto relevante na estrutura de capital nem alterar o plano de investimentos da Suzano. A conclusão da transação está sujeita ao cumprimento de condições precedentes usuais, incluindo a aprovação da autoridade regulatória competente.
Complexo terá cinco terminais especializados
O complexo portuário terá cinco terminais especializados, destinados a contêineres, carga geral, granéis sólidos, granéis líquidos e operações ship-to-ship. A primeira fase, dedicada à movimentação de carga geral, tem início das operações previsto para o começo de 2027.
O terminal de contêineres será desenvolvido em parceria com a Hanseatic Global Terminals (HGT), braço de infraestrutura portuária da Hapag-Lloyd, e tem início das operações previsto para meados de 2028. Vale lembrar que a Hapag-Lloyd é a quinta maior transportadora marítima de contêineres do mundo.
O terminal terá capacidade projetada de 1,2 milhão de TEUs por ano, 750 metros de cais e profundidade de 17 metros, características que permitirão receber navios de grande porte. Os demais terminais serão implantados posteriormente, de acordo com o cronograma do empreendimento.
Suzano usará terrenos para integralizar participação
Aracruz fica a cerca de 80 quilômetros de Vitória e abriga uma unidade industrial da Suzano. A operação envolvendo a participação no complexo portuário não deve provocar impacto no desempenho operacional ou econômico da fábrica. Segundo a Suzano, a operação combina a experiência da companhia em logística portuária com a possibilidade de gerar valor a partir de ativos imobiliários e está alinhada à estratégia de longo prazo da empresa.
FUP Explica
O movimento da Suzano é interessante porque ela entra num ativo portuário de grande porte sem desembolsar dinheiro: usa terrenos próprios como moeda de troca. Isso permite à companhia garantir presença num complexo que, quando estiver completo, terá cinco terminais e capacidade para 1,2 milhão de TEUs por ano, sem comprometer o caixa nem o plano de investimentos já anunciado. Para uma empresa que exporta celulose em escala, ter participação num porto próximo à sua fábrica em Aracruz pode reduzir dependência de estruturas de terceiros e dar mais previsibilidade logística no longo prazo.
Do ponto de vista do setor portuário, a entrada da Hapag-Lloyd como parceira no terminal de contêineres é um sinal relevante. Armadoras raramente entram em joint ventures de terminal sem perspectiva concreta de demanda, o que indica que o projeto tem fundamento comercial além do interesse da Suzano. O Espírito Santo já vinha recebendo investimentos em infraestrutura portuária, e um terminal com 17 metros de profundidade e capacidade para navios de grande porte amplia a competitividade da região para cargas de alto volume.
O ponto de atenção é o cronograma: a fase de carga geral começa em 2027, mas o terminal de contêineres só entra em operação em meados de 2028, e os demais terminais não têm data definida. Além disso, a transação ainda depende de aprovação regulatória. Qualquer atraso nessas etapas posterga os benefícios operacionais que a Suzano espera extrair da participação.




