
Imagem gerada por IA
MP das blusinhas entra em semana decisiva com mudanças para proteger indústria nacional
Relatora da Medida Provisória sobre importação de pequenos volumes (blusinhas) adia parecer para incluir medidas de proteção à indústria nacional, impactando diretamente a política tarifária e competitividade de produtos importados.
A senadora Leila Barros (PDT-DF), relatora da Medida Provisória (MP) 1.357/2026, conhecida como MP das blusinhas, adiou, em 31 de agosto, a apresentação de seu parecer para fazer ajustes no texto e incluir medidas voltadas à proteção da indústria nacional. A decisão ocorreu durante reunião da comissão mista responsável pela análise da proposta.
O presidente da comissão, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), suspendeu a sessão que analisaria o relatório e marcou uma nova reunião para 1º de setembro. Segundo a Gazeta do Povo, Lopes afirmou que eram necessários “os últimos ajustes no relatório” e que o objetivo era buscar “mais simetria concorrencial entre as remessas internacionais e a economia e a indústria nacional”.
Lopes também afirmou que as conversas com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), eram “extremamente importantes” para alinhar o texto antes da votação.
Editada em maio de 2026, a MP 1.357/2026 altera o Decreto-Lei nº 1.804, de 3 de setembro de 1980, que disciplina a tributação simplificada das remessas postais internacionais. Segundo o Congresso Nacional, a medida zerou a alíquota de 20% do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.
A mudança não elimina a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo estadual que continua incidindo sobre essas compras. Para remessas acima de US$ 50, o Imposto de Importação permanece em até 60%, com desconto fixo de US$ 20.
Prazo aumenta pressão sobre análise no Congresso
A MP precisa concluir sua tramitação no Congresso até 8 de setembro para não perder a validade, segundo a Gazeta do Povo. Após a análise pela comissão mista de deputados e senadores, o texto precisa passar pelos plenários da Câmara e do Senado.
A proximidade do prazo reduz o tempo disponível para que deputados e senadores concluam a análise da medida. A comissão recebeu 113 emendas e sete requerimentos, segundo dados do Congresso Nacional. Entre os parlamentares que apresentaram sugestões ao texto estão Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), Adriana Ventura (Novo-SP) e Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP).
Na semana anterior ao adiamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes da Câmara e do Senado anunciaram um esforço concentrado para analisar a MP e outras matérias em tramitação no Congresso, entre elas propostas relacionadas à Segurança Pública e ao fim da escala de trabalho 6x1.
FUP Explica
O adiamento do parecer revela que o texto da MP ainda não tem consenso suficiente para avançar, e o prazo apertado, com votação obrigatória até 8 de setembro, aumenta a pressão sobre a comissão mista e os líderes do Congresso. Se a MP caducar sem aprovação, a alíquota de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 volta a vigorar automaticamente, o que muda o cenário tanto para os consumidores quanto para as plataformas de comércio eletrônico internacional.
A busca por "simetria concorrencial" mencionada pelo presidente da comissão indica que o relatório final pode trazer contrapartidas para o varejo e a indústria nacionais, que vinham pressionando o Congresso para reverter a isenção. Isso abre espaço para um texto mais negociado, com possíveis condições ou compensações embutidas, mas também para impasses de última hora que podem inviabilizar a votação dentro do prazo.
No plano político, o fato de Reginaldo Lopes ter citado explicitamente os presidentes da Câmara e do Senado como peças centrais do alinhamento mostra que a decisão final não está restrita à comissão: ela passa pelo cálculo dos líderes das duas casas, que equilibram pressão do setor produtivo, interesse do consumidor e a agenda mais ampla do Congresso nesta reta final de setembro.




