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Mercado aposta em novo corte da Selic para 14% ao ano
Banco Central decide sobre taxa Selic com expectativa de corte de 0,25 p.p. e pressão do setor produtivo; dólar projetado em R$ 5,20 para fim de 2026. Decisão monetária com impacto direto em custos de importação/exportação e câmbio.
Nesta quarta-feira (5), o Copom decidirá o rumo da taxa básica de juros, a Selic. A expectativa do mercado financeiro é, quase de forma unânime, de um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, reduzindo a taxa de 14,25% para 14% ao ano. Se confirmado, o movimento representará a quarta redução consecutiva da taxa básica de juros desde o início do ciclo de calibração, em março de 2026. A Selic havia alcançado 15% ao ano no segundo semestre de 2025, o maior patamar em cerca de duas décadas.
Segundo Lucas Galdino, economista e especialista de câmbio na B&T XP, o mercado já considera praticamente certo um corte de 0,25 ponto percentual. Para ele, o principal foco dos investidores não está na decisão em si, mas na comunicação do Banco Central sobre os próximos passos da política monetária. Na avaliação do especialista, é justamente o tom adotado pelo Copom que pode provocar maior impacto sobre o câmbio e os demais ativos financeiros.
O Copom foi criado pelo Banco Central do Brasil em 20 de junho de 1996, por meio da Circular nº 2.698, com o objetivo de estabelecer diretrizes de política monetária e definir a taxa básica de juros. As reuniões ocorrem a cada 45 dias e seguem um formato de dois dias: no primeiro, chefes de departamento apresentam análises sobre inflação, atividade econômica, câmbio e cenário externo; no segundo, os diretores e o presidente do Banco Central deliberam e anunciam a decisão, conforme explicou a Agência Brasil.
Desde a adoção do regime de metas de inflação pelo Decreto nº 3.088, de 21 de junho de 1999, as decisões do comitê passam a ser orientadas pelo cumprimento das metas fixadas pelo Conselho Monetário Nacional. A lógica é direta: quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro, o consumo recua e a inflação tende a ceder; quando cai, o crédito barateia e a atividade econômica é estimulada.
A taxa serve de referência para os demais juros da economia e é a média cobrada em negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia.
Nas semanas anteriores à reunião, os contratos de Opções de Copom negociados na B3 funcionaram como termômetro das expectativas. Com base em dados apurados até 7 de julho, a probabilidade atribuída ao corte de 0,25 ponto percentual era de 75,5%, enquanto a manutenção da taxa aparecia com cerca de 21% e um corte mais intenso, de 0,5 ponto percentual, figurava em apenas 2,3% das apostas.
A questão fiscal foi apontada, como o principal obstáculo para a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário além de agosto, com o mercado monitorando a trajetória das contas públicas antes de precificar novos cortes.
Projeções de câmbio e Selic para o ano
Em março de 2026, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central apontava expectativa para a Selic ao fim do ano em 12% ao ano, acumulando duas semanas consecutivas de recuo. A estimativa para o dólar ao final de 2026 havia recuado para R$ 5,42, também marcando a segunda semana de queda, segundo dado de 2 de março de 2026 divulgado pelo Banco Central.
No pregão desta quarta-feira, antes da divulgação da decisão do Copom, o dólar abriu próximo de R$ 5,13, enquanto o petróleo voltou à região dos US$ 78 por barril. Além da decisão sobre os juros, investidores acompanham indicadores de atividade econômica e de emprego nos Estados Unidos, que podem influenciar o comportamento dos mercados ao longo do dia.
De acordo com Lucas Galdino, a combinação entre a sinalização do Banco Central e o cenário externo tende a elevar a sensibilidade dos ativos. O economista avalia que empresas e investidores com exposição ao câmbio devem aproveitar momentos favoráveis para realizar operações, em vez de tentar prever os pontos máximos ou mínimos da cotação da moeda norte-americana.
FUP Explica
A Selic é o piso de referência para todo o crédito no país. Um corte de 0,25 ponto percentual, por si só, tem efeito limitado no bolso do consumidor e no custo das empresas no curto prazo, mas o que o mercado lê com atenção é o sinal sobre os próximos passos. Se o Banco Central confirmar o quarto corte consecutivo sem sinalizar pausa, isso sustenta a expectativa de que a taxa pode diminuir ainda mais até o fim do ano, como o Focus projetava em março. Esse caminho barateia crédito, estimula consumo e investimento e alivia o custo de carregamento da dívida pública.



