
Mataripe reduz gasolina para distribuidoras após nova MP do governo
Refinaria de Mataripe reduz preço da gasolina, afetando custos de frete e logística para operações de comex e supply chain.
A Refinaria de Mataripe, segunda maior do Brasil, anunciou redução de 11,3% no preço da gasolina A vendida às distribuidoras, conforme informou a Agência Brasil em 13 de agosto de 2026. Com o ajuste, o litro passou de R$ 3,93 para R$ 3,49, movimento viabilizado pela Medida Provisória 1.358, que autoriza subsídio federal de R$ 0,44 por litro de gasolina às refinarias. A MP foi publicada pelo governo federal em resposta à escalada de custos provocada pela guerra do Irã.
Mesmo com a queda, o preço praticado pela unidade baiana permanece acima do da Petrobras, que estava em R$ 2,61 por litro na data do anúncio. Vale lembrar que os preços das refinarias não representam o valor final nas bombas: o custo ao consumidor incorpora tributos, frete, margens de distribuidoras e revendedoras, além do custo da mistura obrigatória com etanol.
A refinaria, localizada em São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador, responde por 14% da capacidade de refino do Brasil, 42% do abastecimento do Nordeste e 80% do abastecimento da Bahia, com capacidade de processar cerca de 302 mil barris de petróleo por dia.
Única refinaria fora da Petrobras entre as dez maiores
A unidade pertence à Acelen, controlada pelo fundo de investimento Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos. O fundo adquiriu a refinaria da Petrobras em 2021, quando a unidade ainda se chamava Landulpho Alves. Das dez maiores refinarias do país, Mataripe é a única que não pertence à Petrobras, que manifestou interesse em recomprar a unidade. A maior refinaria brasileira é a Replan, em Paulínia, no interior de São Paulo, controlada pela estatal.
Ao contrário da Petrobras, que abandonou a paridade de importação em 2023, a Acelen revisa seus preços semanalmente acompanhando o mercado externo, levando em conta o custo internacional do petróleo, a variação cambial e os custos de frete, conforme apurado pelo Money Times em abril de 2026.
Histórico de reduções em 2026
Esta não é a primeira redução do ano. Em 17 de abril de 2026, a refinaria havia cortado o preço do diesel S-10 em 3,5% e da gasolina em 4,5%, acompanhando a queda do petróleo, que havia recuado de US$ 120 para a faixa entre US$ 95 e US$ 98 o barril. Cerca de quatro semanas antes do anúncio desta semana, Mataripe promoveu novo ajuste: a gasolina passou de R$ 3,78 para R$ 3,71 (queda de 1,9%), o diesel S-10 de R$ 4,75 para R$ 4,53 (redução de 4,5%) e o diesel S-500 de R$ 4,35 para R$ 4,13 (queda de 4,9%).
FUP Explica
A redução de 11,3% em Mataripe é a maior em um único movimento desde que a Acelen assumiu a refinaria, e ela vem num contexto específico: sem o subsídio de R$ 0,44 por litro garantido pela MP 1.358, o corte não teria essa magnitude. Isso significa que o alívio no preço da gasolina A depende diretamente da manutenção dessa medida provisória, que precisa ser convertida em lei pelo Congresso para ter efeito permanente. Se a MP caducar ou for rejeitada, a tendência é que Mataripe recomponha parte do preço.
O fato de o preço de Mataripe ainda estar bem acima do da Petrobras (R$ 3,49 contra R$ 2,61 por litro) mostra que as distribuidoras do Nordeste e da Bahia seguem pagando mais caro pela gasolina do que as que abastecem pelo restante da malha da estatal.
Isso tem efeito direto no preço final ao consumidor nessas regiões, ainda que a diferença seja diluída por tributos e margens ao longo da cadeia. A pressão política para que a Petrobras recompre a refinaria tende a ganhar força sempre que esse diferencial de preço aparece com clareza.
Para quem opera logística no Nordeste, a queda no preço da gasolina A alivia marginalmente os custos de transporte, mas o impacto real nas bombas depende de como distribuidoras e postos repassam o ajuste. O histórico recente mostra que reduções nas refinarias chegam ao consumidor de forma parcial e defasada, o que limita o efeito prático no curto prazo.




