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Maersk anuncia novas cobranças no Golfo, Reino Unido e Equador
Em meio a pressões sobre custos logísticos e condições operacionais em diferentes mercados, a Maersk anunciou uma série de ajustes em suas operações internacionais entre setembro e outubro de 2026. As medidas atingem rotas no Oriente Médio, Europa, América Latina, África e Ásia e incluem novas sobretaxas, mudanças em tarifas terrestres e ações para reduzir os efeitos de interrupções provocadas por tufões.
Entre os principais movimentos está a criação de uma cobrança emergencial para cargas consolidadas destinadas a países do Golfo, enquanto a companhia também monitora possíveis novos eventos meteorológicos no Leste Asiático.
Sobretaxa emergencial para o Golfo
Segundo a Container New, a Maersk introduziu uma sobretaxa de recuperação de custos operacionais de emergência para cargas LCL destinadas a Bahrein, Catar, Kuwait e Iraque. A cobrança alcança embarques originados em praticamente todo o mundo, com exceção do Extremo Oriente Asiático, e permanecerá em vigor até novo aviso. Para mercados não regulamentados, a medida considera a data de cálculo de preços de 17 de setembro, enquanto países sujeitos a regulamentações específicas, entre eles Brasil e Estados Unidos, terão a cobrança aplicada a partir de 11 de outubro.
Os valores previstos pela companhia chegam a US$ 500 tanto para contêineres secos de 20 pés quanto para equipamentos secos ou high-cube de 40 pés. No transporte LCL, a cobrança mínima e por peso ou medida será de US$ 14. A tarifa será aplicada por meio do código de sobretaxa OCR.
Tufões no Leste Asiático e respostas operacionais
Ao mesmo tempo, a companhia mantém atenção sobre as condições operacionais no Leste Asiático. De acordo com o DataPortuaria, a Maersk informou que os portos e fluxos de navios apresentam melhora gradual após os impactos recentes da temporada de tufões. Ainda assim, a empresa acompanha a possibilidade de formação de outro sistema durante a semana de 21 a 27 de setembro e trabalha com operadores de terminais em medidas escalonadas para administrar os fluxos de carga.
Para clientes afetados, a transportadora afirmou que utiliza recursos como rotas alternativas, prioridade operacional e o PRISM Delivery Guarantee. A empresa também oferece opções de transporte aéreo e terrestre para cargas urgentes, além de soluções de armazenagem, enquanto avalia a evolução das condições meteorológicas e portuárias.
Ajustes no Reino Unido, Equador e Chifre da África
Os ajustes de custos também alcançam as operações terrestres. No Reino Unido, a taxa de combustível aplicada ao transporte intermodal por caminhão ou trem será de 10,6% a partir de 1º de outubro. A Maersk relaciona a medida à alta dos preços internacionais de energia e às condições de segurança no Oriente Médio, que, segundo a companhia, vêm pressionando a disponibilidade de combustível e os custos das operações logísticas.
Para cargas sujeitas às regras da Federal Maritime Commission (FMC), a aplicação ocorre a partir de 20 de outubro.
Na América Latina, o Equador também recebeu uma nova estrutura tarifária. A companhia definiu uma cobrança de US$ 200 por contêiner para o Serviço de Carga Perigosa de Origem e Destino, tanto nos fluxos que partem do país para o exterior quanto nas operações internacionais destinadas ao mercado equatoriano. A tarifa abrange todos os tamanhos de contêineres transportados por caminhão.
Em outra frente, a Maersk ampliou de sete para 15 dias corridos o período de carência antes da aplicação da taxa de atraso no pagamento no Djibuti e na Etiópia. O valor permanece em US$ 40 por remessa. Segundo a transportadora, a mudança busca considerar o tempo necessário para etapas de desembaraço e processamento dos pagamentos.
Com anúncios distribuídos por diferentes regiões, as medidas mostram uma combinação de ajustes tarifários e operacionais voltados a cenários específicos. Enquanto parte das cobranças responde a pressões sobre energia e custos logísticos, outras mudanças estão ligadas às características de determinados mercados, tipos de carga e condições de operação da cadeia de suprimentos.
FUP Explica
O pacote de ajustes da Maersk reflete um padrão que se tornou frequente no setor: pressões simultâneas de origens distintas, como instabilidade meteorológica, custo de energia e particularidades regulatórias de cada mercado, sendo repassadas ao cliente por meio de sobretaxas segmentadas por rota, tipo de carga e data de vigência. Para importadores e exportadores brasileiros, o ponto mais direto é a sobretaxa emergencial para cargas LCL destinadas ao Golfo: o Brasil está entre os países sujeitos a regulamentações específicas, o que significa que a cobrança de até US$ 500 por contêiner ou US$ 14 por peso/medida no LCL só entra em vigor a partir de 11 de outubro, dando algum espaço para renegociação de contratos ou antecipação de embarques.
No plano operacional, a situação no Leste Asiático merece atenção porque tufões afetam não só os portos diretamente atingidos, mas toda a cadeia de conexões de navios que passa pela região. Atrasos ali tendem a se propagar para outras rotas com defasagem de dias ou semanas, o que pode impactar cargas que nem passam pelo Leste Asiático. A Maersk já sinalizou que monitora a possibilidade de um novo sistema meteorológico na semana de 21 a 27 de setembro, o que indica que o cenário ainda não está estabilizado.
A ampliação do prazo de carência no Djibuti e na Etiópia, de sete para 15 dias, é um ajuste pontual, mas revela que a transportadora reconhece dificuldades práticas de desembaraço e processamento financeiro naqueles mercados. Para quem opera no Chifre da África, isso reduz o risco de incorrer na taxa de atraso por razões burocráticas fora do controle do embarcador. No conjunto, os anúncios reforçam a importância de acompanhar os comunicados tarifários das armadoras com antecedência, já que datas de vigência diferentes para mercados regulamentados e não regulamentados criam janelas de planejamento que podem ser aproveitadas.




