
Irã reivindica controle do Estreito de Ormuz e confronta declaração dos EUA
Disputa entre EUA e Irã pelo controle do Estreito de Ormuz, rota marítima crítica para o comércio internacional e abastecimento de petróleo, com potencial impacto em fretes e custos logísticos globais.
O chefe da força paramilitar Basij do Irã, Hossein Taeb, declarou nesta quinta-feira (13) que o Estreito de Ormuz está "sob controle e administração" de Teerã. A afirmação é uma resposta direta ao presidente norte-americano Donald Trump, que disse na véspera que os EUA mantêm "controle total" da hidrovia, com referência a um "muro de aço" na entrada do estreito.
Os Basij são subordinados à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e ao líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, conforme informou o InfoMoney. Com isso, as declarações de Taeb representam o posicionamento oficial das forças armadas paralelas do regime iraniano, não apenas uma opinião isolada.
Estreito de Ormuz e sua importância para o abastecimento mundial
O Estreito de Ormuz fica localizado entre o Irã, Omã e os Emirados Árabes Unidos, com apenas 33 quilômetros em seu ponto mais estreito. Por essa passagem, transitam diariamente cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo e mais de um terço do gás natural liquefeito (GNL) em circulação internacional, de acordo com a mesma fonte.
A rota funciona como um "chokepoint" do sistema internacional, combinando fatores geográficos, jurídicos e funcionais que a tornam insubstituível no curto prazo para o abastecimento energético de dezenas de países.
Histórico de tensões e negociações travadas
As tensões entre Washington e Teerã se intensificaram depois que os Estados Unidos realizaram, em junho de 2025, ataques coordenados contra três instalações nucleares no território iraniano, sob liderança de Trump. A retaliação iraniana incluiu uma medida legislativa simbólica no parlamento que propôs o fechamento do estreito, embora essa ameaça, recorrente ao longo das últimas décadas, nunca tenha sido aprovada formalmente.
Um acordo firmado em junho de 2026 previa liberar o estreito e encerrar o bloqueio naval, mas as negociações não avançaram, segundo informou uma autoridade iraniana ao G1. Como consequência da estagnação, o tráfego na rota voltou a ficar comprometido, de acordo com o mesmo veículo.
As declarações públicas de Trump e Taeb, feitas em dias consecutivos, reforçam posições antagônicas e deixam a disputa pelo controle do estreito sem qualquer sinal de resolução no horizonte imediato.
FUP Explica
A troca de declarações em dias consecutivos não é só retórica: ela sinaliza que as negociações de junho de 2026 falharam e que nenhum dos dois lados está disposto a recuar publicamente. Quando autoridades de alto escalão de ambos os países reivindicam controle sobre a mesma rota ao mesmo tempo, o risco de um incidente que escale para confronto direto aumenta, mesmo que nenhum dos dois queira isso formalmente.
Do ponto de vista econômico, o impacto potencial é enorme. Com 20% do petróleo mundial e mais de um terço do GNL passando por ali, qualquer perturbação séria no Estreito de Ormuz se traduz em alta imediata nos preços de energia em todo o mundo, o que pressiona inflação, custo de produção e transporte em praticamente todos os setores. Países que dependem de importação de petróleo, como o Brasil, sentem esse choque tanto no preço dos combustíveis quanto no câmbio, já que o dólar tende a se valorizar em momentos de crise energética internacional.
Para o comércio exterior, a estagnação das negociações e o tráfego comprometido já representam um problema concreto: rotas que passam pelo Golfo Pérsico ficam mais caras e imprevisíveis, e armadores tendem a cobrar seguros e fretes mais altos para navegar na região. Empresas que importam petróleo, derivados ou produtos do Oriente Médio precisam monitorar esse cenário de perto, porque a janela entre "tensão diplomática" e "bloqueio efetivo" pode se fechar rápido.





