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Irã cria zona de exclusão no Golfo Pérsico e anuncia ataque contra navios dos EUA
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Irã cria zona de exclusão no Golfo Pérsico e anuncia ataque contra navios dos EUA

08/09/2026·561 palavras
Irã ameaça "guerra econômica" contra os EUA e relata disparo de míssil avançado contra navios americanos; conflito de seis meses continua interrompendo o tráfego crítico pelo Estreito de Ormuz sem perspectiva de solução diplomática.

O Irã anunciou nesta terça-feira (8), a criação de uma zona de exclusão no Golfo Pérsico e reportou o disparo do míssil avançado Qassem Basir contra navios de guerra americanos, intensificando as ameaças militares e econômicas contra os Estados Unidos no sexto mês de um conflito que mantém o Estreito de Ormuz praticamente fechado ao tráfego internacional.

Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Nacional de Segurança do Irã, anunciou em comunicado à televisão estatal que a zona de exclusão começará de onde o bloqueio americano ao Irã se inicia e se estenderá por áreas do Golfo. Segundo Rezaei, qualquer embarcação que entre nessa zona será incluída em lista de sanções iranianas, conforme apurado pelo MarineLink.

Em postagem na rede social X, Rezaei reiterou as ameaças com linguagem direta: "A guerra econômica será enfrentada por uma zona de exclusão marítima através do Golfo Pérsico até o perímetro do bloqueio. A postura operacional em relação aos navios de guerra e bases dos EUA foi fundamentalmente recalibrada." O Irã também anunciou planos de divulgar mapas de um novo corredor de navegação pelo Estreito de Ormuz, sem especificar quando os detalhes seriam apresentados.

O míssil Qassem Basir foi descrito pelo Irã como uma versão aprimorada com manobrabilidade melhorada e capacidade de evadir sistemas de defesa aérea, além de sistema de orientação eficaz contra guerra eletrônica. De acordo com a agência de notícias Fars, seu primeiro uso em combate ocorreu em junho de 2025 contra Israel. O Exército americano negou que seus navios tenham sido atingidos pelos mísseis iranianos.

Em maio de 2026, a TV estatal iraniana havia informado que dois mísseis atingiram um navio de guerra americano perto de Jask, no Golfo de Omã, depois que ele ignorou avisos iranianos. Autoridades americanas negaram o relato, que não pôde ser verificado independentemente pela Reuters.

O conflito teve início em 28 de fevereiro de 2026, com ataques americano-israelenses contra o Irã. Desde então, o Estreito de Ormuz permanece sob bloqueio iraniano. Antes da guerra, aproximadamente um quinto das remessas mundiais de petróleo e gás liquefeito passavam pelo estreito.

Dados de navegação mostram que apenas uma média de 10 navios de carga por dia transitaram pelo estreito nos dez dias anteriores a 8 de setembro de 2026, o menor nível desde maio. Em maio de 2026, o Irã havia bloqueado quase todos os navios que entravam e saíam do Golfo, exceto os seus próprios, causando alta de preços de 50% ou mais.

Objetivos americanos e posições diplomáticas

O presidente Donald Trump lançou a "Operação Epic Fury" em fevereiro de 2026 com três objetivos declarados: encerrar o programa nuclear iraniano, interromper a capacidade de ataque do Irã contra países vizinhos e criar condições para que os iranianos derrubem sua liderança. Nenhum desses objetivos foi alcançado até setembro de 2026. A liderança clerical iraniana permanece no poder e visa emergir do conflito fortalecida, continuando a exigir alívio de sanções.

Em março de 2026, o ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi declarou que não havia motivos para conversações com os EUA e negou que o Irã tivesse pedido cessar-fogo. No mesmo período, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão publicaram declaração conjunta manifestando disposição para contribuir com esforços de garantir passagem segura pelo Estreito, condenando ataques iranianos contra embarcações e infraestruturas civis e exigindo que o Irã cessasse imediatamente ameaças, lançamento de minas, ataques com drones e mísseis.

FUP Explica

O anúncio da zona de exclusão no Golfo Pérsico é uma escalada formal: o Irã deixa de agir apenas pelo bloqueio de fato e passa a criar um instrumento jurídico-político próprio, com lista de sanções iranianas para quem entrar na área. Isso complica a posição de países que tentam manter rotas alternativas ou negociar passagem segura, porque agora qualquer movimento pode ser enquadrado como violação de uma regra iraniana, por mais que essa regra não tenha reconhecimento internacional.

No plano econômico, o efeito já está em curso há meses: com o tráfego pelo Estreito de Ormuz no menor nível desde maio e preços de petróleo e gás com altas registradas de 50% ou mais em períodos anteriores do conflito, a escalada desta semana tende a manter a pressão sobre os mercados de energia. Países importadores de petróleo do Golfo, incluindo economias asiáticas que dependem fortemente dessas rotas, são os mais expostos a novos choques de preço.

Do ponto de vista político, o quadro é de impasse consolidado. Os objetivos declarados da operação americana não foram alcançados em seis meses, a liderança iraniana segue no poder e sinaliza que quer sair do conflito em posição de força, inclusive com a perspectiva de cobrar taxas de navios que usem o estreito no futuro. A declaração conjunta de seis países europeus e o Japão, feita em março, não produziu resultado prático visível até agora, o que reduz a margem de pressão diplomática disponível sem envolvimento militar direto de terceiros.

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