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Incêndio em navio de carga deixa 25 mortos em estaleiro na China
Comércio Exterior

Imagem: reprodução

Incêndio em navio de carga deixa 25 mortos em estaleiro na China

10/09/2026·521 palavras

Um incêndio em navio de carga deixou 25 mortos nesta quinta-feira (10), enquanto o Ocean Melody passava por serviços de manutenção em um estaleiro na cidade portuária de Qingdao, na província de Shandong, no leste da China. O fogo começou por volta das 11h15, no horário local, e foi controlado pouco mais de três horas depois, após uma operação de emergência no Qingdao Beihai Shipyard. Ao todo, 42 pessoas estavam a bordo quando as chamas começaram, segundo informações divulgadas pela imprensa estatal chinesa.

O balanço inicial apontava ao menos 20 mortos e cinco desaparecidos, porém as autoridades locais atualizaram posteriormente o número de vítimas fatais para 25. Das 42 pessoas que estavam na embarcação, 17 foram retiradas do local, sendo que cinco precisaram ser encaminhadas ao hospital. De acordo com a CCTV, os pacientes permaneciam em condição estável após o atendimento.

Imagens divulgadas pelas agências chinesas mostraram uma grande quantidade de fumaça saindo da embarcação durante o incêndio. Uma testemunha ouvida pela agência AFP relatou ter observado uma espessa coluna de fumaça, mas afirmou não ter escutado nenhuma explosão. Até o momento, as autoridades não divulgaram o que provocou o fogo.

O Ocean Melody navega sob bandeira da Libéria e tem cerca de 190 metros de comprimento. A embarcação havia chegado ao estaleiro de Qingdao em 31 de agosto e permanecia no local desde então para a realização de reparos e serviços de manutenção. Dados de rastreamento marítimo citados pela imprensa internacional também identificaram o navio envolvido no acidente como o Ocean Melody.

O incêndio ocorreu no Qingdao Beihai Shipyard, um importante complexo naval administrado pela China State Shipbuilding Corporation (CSSC), companhia estatal que está entre as maiores empresas de construção naval do mundo. A corporação atua tanto na construção de embarcações quanto no desenvolvimento de equipamentos offshore e também exerce papel relevante na indústria naval chinesa.

Após o acidente, o presidente da China, Xi Jinping, determinou a intensificação das operações de busca e resgate e pediu uma investigação rápida sobre as causas do incêndio, além da responsabilização dos envolvidos caso sejam identificadas falhas. O primeiro-ministro Li Qiang também orientou as equipes a priorizarem o resgate e adotarem medidas para evitar novos acidentes ou outros riscos decorrentes do incêndio.

A ocorrência ganhou ainda mais repercussão por ter acontecido em Qingdao, um dos principais centros comerciais e marítimos da China. O porto da cidade está entre os mais movimentados do mundo e desempenha papel importante nas operações de comércio exterior e transporte marítimo do país.

Segundo acidente em estaleiro chinês em menos de dois meses

O episódio ocorre cerca de um mês depois de outro acidente registrado em um estaleiro chinês. Em agosto, uma explosão em uma instalação naval na província de Fujian, no sudeste do país, deixou um integrante das equipes de resgate morto e outras 12 pessoas feridas.

Com o incêndio controlado, as autoridades chinesas concentram agora os trabalhos na apuração das circunstâncias que levaram ao início das chamas. Até a última atualização divulgada, não havia informações oficiais sobre a origem do fogo nem detalhes sobre possíveis danos estruturais ao Ocean Melody ou impactos nas demais operações do estaleiro.

FUP Explica

O incêndio no Ocean Melody expõe uma questão de segurança do trabalho em estaleiros chineses que vai além do acidente em si. O fato de Xi Jinping e Li Qiang terem se manifestado publicamente e de forma imediata indica que o governo trata o episódio como sensível, especialmente porque ocorre menos de dois meses após outro acidente grave em estaleiro, desta vez na província de Fujian. Dois incidentes desse porte em sequência tendem a pressionar o governo a mostrar resposta institucional visível, o que explica a ênfase na responsabilização e na investigação rápida.

Do ponto de vista econômico e de infraestrutura, o Qingdao Beihai Shipyard é operado pela CSSC, uma das maiores construtoras navais do mundo. Acidentes nesse tipo de instalação podem afetar cronogramas de manutenção e entrega de embarcações, embora o texto não traga informações sobre impactos concretos nas operações do estaleiro. O porto de Qingdao, por sua vez, está entre os mais movimentados do mundo, o que torna qualquer perturbação na região relevante para o fluxo de cargas internacionais, ainda que não haja, até agora, relato de interrupção portuária decorrente do incidente.

Para trabalhadores do setor naval, o caso reforça o debate sobre condições de segurança em operações de manutenção a bordo, ambiente reconhecidamente de risco elevado. A investigação determinada pelo governo pode resultar em novas exigências regulatórias para estaleiros chineses, com possíveis reflexos para armadores e operadores que utilizam essas instalações para reparos.

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