
Imagem gerada por IA
Comércio exterior da China cresce 17,6% e chega a US$ 5,13 trilhões em 2026
O comércio exterior da China cresceu 17,6% de janeiro a agosto de 2026 na comparação anual, com as importações e exportações de bens somando 34,78 trilhões de yuans, equivalentes a cerca de US$ 5,13 trilhões no período, segundo o Comex do Brasil. Os dados mostram um crescimento mais intenso das importações do que das exportações no período.
As exportações chinesas avançaram 14,6% nos oito primeiros meses do ano, para 20,17 trilhões de yuans, enquanto as importações cresceram 22%, alcançando 14,61 trilhões de yuans. O crescimento das importações superou o das exportações pelo sexto mês consecutivo.
Somente em agosto, o comércio de bens da China totalizou 4,65 trilhões de yuans, alta de 19,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Comex do Brasil. As exportações cresceram 18,6% na comparação anual, enquanto as importações avançaram 21,7%.
Dados do People's Daily, referentes aos primeiros oito meses de 2025, oferecem um retrato da estrutura de parceiros comerciais da China. Naquele período, a ASEAN permanecia como o maior parceiro comercial do país, com o comércio bilateral crescendo 9,7%, para 4,93 trilhões de yuans, o equivalente a 16,7% do comércio exterior total. Segundo a publicação, a China completava 16 anos consecutivos como maior parceiro comercial da ASEAN, enquanto a ASEAN ocupava, pelo quinto ano seguido, a posição de principal parceiro comercial da China.
O comércio com a União Europeia registrou alta de 4,3% nos primeiros oito meses de 2025, enquanto o comércio com os países do Cinturão e Rota cresceu 5,4%, para 15,3 trilhões de yuans. Em contraste, o comércio com os Estados Unidos, então terceiro maior parceiro comercial da China, recuou 13,5% no período.
No que diz respeito à composição das exportações, dados apontam que, nos primeiros oito meses de 2025, os produtos mecânicos e elétricos respondiam por 60,2% do total exportado, com crescimento de 9,2%, impulsionados pelo desempenho de circuitos integrados e automóveis. Produtos com uso intensivo de mão de obra, por outro lado, apresentaram queda de 1,5% no período.
Contexto para fornecedores de matérias-primas
O crescimento das importações chinesas em 2026 chama a atenção de países fornecedores de matérias-primas. Em agosto de 2025, as exportações brasileiras para a China cresceram 29,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgados pelo Times Brasil.
Naquele momento, o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, observou, “uma recuperação, um grande aumento da exportação para a China, que vinha caindo ao longo do ano por conta, principalmente, de preço”.
No acumulado de janeiro a agosto de 2025, no entanto, as exportações brasileiras para a China ainda registravam recuo de 3%, motivado por uma queda de 7% nos preços. Apesar disso, o volume adquirido pela China havia crescido 3% no período.
FUP Explica
O dado mais relevante desse resultado não é o crescimento das exportações, mas o ritmo das importações chinesas. Quando a China compra mais do mundo, e compra 22% a mais em oito meses, isso significa demanda doméstica aquecida, e demanda aquecida na segunda maior economia do mundo tem efeito direto sobre quem vende commodities para lá, incluindo o Brasil. O minério de ferro e os produtos agrícolas brasileiros são os mais sensíveis a esse movimento, e o histórico recente mostra que a queda nas exportações brasileiras para a China em 2025 foi puxada principalmente por preço, não por volume. Se a demanda chinesa se sustenta em 2026, a tendência é que a pressão de preço diminua.
Por outro lado, o crescimento das exportações chinesas, especialmente em produtos de alto valor agregado como semicondutores e automóveis, aprofunda a assimetria da relação comercial. A China vende cada vez mais manufaturados e compra cada vez mais matérias-primas do Brasil, o que mantém o país brasileiro numa posição estruturalmente dependente do ciclo de commodities. Qualquer desaceleração da demanda chinesa, seja por política monetária interna, seja por nova rodada de tensões tarifárias com os Estados Unidos, repercute diretamente na balança comercial brasileira.
O recuo de 13,5% no comércio China-EUA registrado nos primeiros oito meses de 2025 mostra que as tensões tarifárias entre as duas economias já vinham remodelando os fluxos comerciais. Esse rearranjo tende a beneficiar fornecedores alternativos, incluindo países da ASEAN e do Cinturão e Rota, mas também abre espaço para o Brasil ampliar participação em setores onde a China busca diversificar fornecedores. O desafio brasileiro é converter esse espaço em contratos de longo prazo, e não apenas em picos pontuais de exportação motivados por preço ou escassez momentânea.




