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IA impulsiona comércio mundial e pode acelerar coleta de cargas aéreas
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IA impulsiona comércio mundial e pode acelerar coleta de cargas aéreas

09/10/2026·633 palavras

Equipamentos para infraestrutura tecnológica ocupam capacidade de transporte na Ásia, enquanto planejamento antecipado pode economizar cerca de oito horas por embarque

A corrida pela inteligência artificial está aumentando o transporte de equipamentos entre países e abrindo caminho para operações logísticas mais rápidas. Relatórios da DHL divulgados em setembro e repercutidos em outubro mostram como a demanda por chips e equipamentos de rede sustenta o comércio internacional, enquanto sistemas inteligentes permitem antecipar decisões sobre estoques, rotas e capacidade.

No transporte aéreo, uma avaliação apresentada em Atenas aponta que planejar caminhões e coletas antes da liberação da carga pode economizar cerca de oito horas por embarque.

O peso dessa demanda aparece no DHL Globalisation Tracker, elaborado com a Stern School of Business da Universidade de Nova York. Segundo o Air Cargo News, análises da Organização Mundial do Comércio e da OCDE destacadas no levantamento indicam que os produtos que viabilizam a IA responderam por 42% do crescimento do comércio de bens em 2025. No primeiro trimestre de 2026, essa participação chegou a 76%.

Para John Pearson, presidente-executivo da DHL Express, o funcionamento da tecnologia depende da entrega de semicondutores, equipamentos de transmissão de dados e outros componentes no lugar e no momento necessários. Essa procura também altera o perfil dos embarques. Uma análise da Dimerco aponta que cargas relacionadas à IA e aos semicondutores passaram a dominar a capacidade aérea de saída do Sudeste Asiático, antes ocupada principalmente pelo comércio eletrônico.

Ao mesmo tempo, a tecnologia pode ajudar a reduzir a espera nas operações. Conforme o The Loadstar, Kai Domscheit, presidente-executivo do CHI Cargo Group, apresentou no Aviation Connect, realizado em Atenas na semana anterior à publicação de 9 de outubro, uma estimativa de economia de aproximadamente oito horas por embarque. A proposta permite começar o despacho de caminhões e o planejamento da coleta antes da ordem de liberação que tradicionalmente aciona essas atividades.

Trata-se de um ganho potencial, e o material disponível não informa que essa redução já tenha sido alcançada de forma generalizada. A avaliação, porém, acompanha a evolução descrita no DHL Logistics Trend Radar 8.0: a IA começa a avançar do apoio às tarefas para sistemas capazes de planejar, decidir e agir em direção a objetivos definidos.

Entre as aplicações apontadas pelo estudo estão antecipar faltas de estoque, redirecionar embarques diante de interrupções e ajustar a capacidade de transporte em tempo real. Ferramentas de análise também permitem identificar padrões, prever resultados e recomendar ações. Já robôs colaborativos, sensores vestíveis e assistentes digitais podem apoiar as equipes e reduzir atividades repetitivas.

A adoção dessas tecnologias exige preparação dos profissionais. Thomas Ogilvie, diretor de recursos humanos e relações trabalhistas do DHL Group, destacou que as pessoas continuam essenciais para o funcionamento das cadeias de abastecimento. O relatório ressalta a necessidade de desenvolver competências e manter supervisão humana, transparência e segurança cibernética à medida que sistemas autônomos assumem responsabilidades no planejamento de estoques e transportes.

Os efeitos comerciais são especialmente visíveis na Ásia Oriental e no Pacífico. O valor das trocas da região cresceu 24% nos primeiros cinco meses de 2026, ante igual período de 2025, enquanto Europa e África Subsaariana avançaram 12% e 11%. A participação do comércio realizado dentro da própria região asiática também aumentou, de 57% em 2025 para 60% entre janeiro e maio, apoiada pelas cadeias que atendem à infraestrutura de IA.

Esse crescimento convive com interrupções. O conflito no Oriente Médio afetou rotas e levou à suspensão de voos, com consequências mais fortes para economias dependentes do Estreito de Ormuz. Entre janeiro e maio, o valor do comércio da Arábia Saudita caiu 37%, e o dos Emirados Árabes Unidos, 7%, na comparação anual. Apesar desses obstáculos, o Globalisation Tracker projeta crescimento médio de 3,4% ao ano no comércio mundial de bens até 2029, acima dos 2,7% registrados na década anterior.

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O dado mais revelador aqui não é o crescimento do comércio em si, mas a concentração: quando 76% do crescimento de bens no primeiro trimestre de 2026 vem de produtos ligados à IA, qualquer perturbação nessa cadeia, seja por sanção, por conflito ou por gargalo logístico, tem potencial de travar uma fatia desproporcional do comércio mundial. Isso aumenta a vulnerabilidade do sistema a choques pontuais, como o que o Oriente Médio já demonstrou causar.

No transporte aéreo, a disputa por espaço no Sudeste Asiático entre chips e eletrônicos de um lado e e-commerce do outro é uma mudança de perfil com consequências práticas: cargas de maior valor unitário e menor volume tendem a pagar fretes mais altos e a ter prioridade de embarque, o que pode encarecer e dificultar o acesso ao modal para setores que dependem de velocidade mas não conseguem competir nesse patamar de frete. Para operadores brasileiros que usam a rota asiática, isso significa pressão de custo e menor disponibilidade de espaço.

A proposta do CHI Cargo Group de antecipar o planejamento logístico antes da liberação formal da carga é interessante porque ataca um gargalo real: o tempo ocioso entre a decisão de embarque e o início efetivo da movimentação. Se a estimativa de oito horas se confirmar em escala, o impacto sobre lead times pode ser relevante, especialmente em cadeias just-in-time. O ponto de atenção é que essa antecipação exige integração de dados entre embarcador, transportador e agente, o que ainda é um desafio operacional para boa parte do mercado.

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