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Humanoides chegam às ruas da China e vídeos registram sustos e fugas de pedestres
Estudo analisou 43 vídeos de encontros entre pessoas e robôs em espaços públicos, enquanto máquinas já começam a assumir funções no trânsito de cidades chinesas
Encontrar um robô humanoide caminhando pela calçada, atravessando uma rua ou surgindo logo atrás de alguém deixou de ser uma cena restrita a feiras de tecnologia na China. Ao longo dos últimos meses, essas máquinas começaram a dividir espaços urbanos com pedestres, ciclistas e motoristas, principalmente em ruas, praças, centros comerciais e áreas residenciais. Vídeos publicados nas redes sociais chinesas registram desde curiosidade e brincadeiras até sustos e pessoas correndo ao perceber a aproximação dos robôs, para entender melhor essa onda, um estudo sobre esses encontros analisou 43 vídeos publicados na plataforma chinesa RedNote e identificou diferentes formas de interação entre humanos e humanoides em situações cotidianas.
Em um dos episódios mais incomuns, registrado em Macau, uma idosa precisou ser levada ao hospital depois de se assustar com um robô humanoide que apareceu repentinamente atrás dela, próximo ao complexo residencial Lok Yeung Fa Yuen, em Patane. Segundo o South China Morning Pos, a mulher estava usando o celular quando percebeu a máquina e, em seguida, confrontou o robô. Dois policiais chegaram ao local e o retiraram dali, em uma cena que levou usuários das redes sociais a brincar que o humanoide havia sido “preso”. A mulher não sofreu ferimentos, recebeu alta e decidiu não levar o caso adiante.
O susto não parece ser um caso completamente isolado, embora nem todas as reações registradas representem medo genuíno.
No levantamento conduzido por Zixuan Wang, da Universidade de Edimburgo, três dos 43 vídeos analisados mostram pessoas correndo dos robôs em aparente “pânico”. Porém, a pesquisadora observa que essas cenas parecem ter sido gravadas principalmente com intenção humorística. Em outros registros, a reação é bem diferente. Algumas pessoas simplesmente ignoram a máquina, enquanto outras param para olhar, apontam, tiram fotografias, cumprimentam o humanoide ou estendem a mão para um aperto. Crianças também aparecem seguindo e perseguindo os robôs, transformando o encontro em uma brincadeira.
Esses encontros já acontecem em diferentes ambientes. Dos vídeos analisados, 17 foram gravados em ruas, calçadas ou vias compartilhadas com veículos e pedestres. Outros 17 registraram situações em espaços como mercados, centros comerciais, praças e estacionamentos, enquanto os demais se dividiram entre parques, áreas verdes, bairros residenciais e campi universitários.
Além de simplesmente caminhar pelas cidades, os humanoides aparecem realizando atividades semelhantes às de pessoas em situações cotidianas.
Há registros de máquinas correndo, atravessando ruas, acenando, apertando mãos, oferecendo abraços, carregando bolsas, passeando com cães, empurrando carrinhos e realizando entregas de comida. Os vídeos também mostram limitações da tecnologia, com robôs caindo, ficando presos em guias de animais ou tendo dificuldades para enfrentar degraus, inclinações e calçadas irregulares.
A popularização dos humanoides ganhou força depois que 16 robôs da chinesa Unitree participaram do tradicional Festival de Primavera transmitido pela televisão em 2025, dançando ao lado de artistas humanos. Após a apresentação, segundo o estudo, os robôs deixaram de ser um assunto restrito aos círculos especializados e passaram a aparecer com maior frequência nas conversas cotidianas e em publicações que mostravam encontros nas ruas.
Ao mesmo tempo, a China começa a levar essas máquinas para funções públicas mais estruturadas. Em Hangzhou, a empresa SUPCON colocou 15 robôs humanoides em operação no trânsito desde maio de 2026. Com 1,88 metro de altura e 98 quilos, o modelo T2 utiliza câmeras, radar e processamento embarcado para identificar motociclistas sem capacete, veículos que ultrapassam linhas de parada, transporte irregular de passageiros e pedestres que atravessam fora do sinal. O robô também é capaz de reproduzir gestos de agentes de trânsito.
Segundo a SUPCON, essas máquinas já emitiram mais de 170 mil alertas em Hangzhou, embora a Reuters não tenha conseguido verificar os números de forma independente. A empresa afirma ainda que quase 50 robôs semelhantes já operam em cerca de oito cidades chinesas, com expectativa de chegar perto de 200 até o fim de 2026. Assim, entre sustos, fotos, brincadeiras e tarefas públicas, os humanoides começam a tornar cada vez mais comum nas ruas da China um tipo de encontro antes associado à ficção científica.
FUP Explica
A expansão dos robôs humanoides para o espaço público chinês levanta questões que vão além da curiosidade tecnológica. Do ponto de vista social, o dado mais imediato é que a convivência entre humanos e máquinas em calçadas e praças ainda não tem regras claras: o episódio de Macau, em que policiais precisaram intervir e uma idosa foi ao hospital, mostra que a ausência de protocolo para esses encontros pode gerar consequências reais, mesmo quando não há ferimentos graves.
No plano institucional e jurídico, o uso de robôs humanoides em funções de fiscalização de trânsito, como ocorre em Hangzhou desde maio de 2026, abre um campo de incerteza relevante. Quem responde por uma autuação emitida por uma máquina? Qual é o valor legal de um alerta gerado por processamento embarcado, sem agente humano presente? Essas perguntas tendem a chegar aos tribunais à medida que o uso se expande para as cerca de oito cidades mencionadas pela SUPCON, e a resposta institucional ainda não está clara.
Economicamente, a velocidade de adoção sinaliza que o setor de robótica humanoide na China saiu de demonstrações controladas para implantação em escala em tempo relativamente curto. A meta da SUPCON de chegar perto de 200 unidades até o fim de 2026 indica ritmo acelerado de crescimento, o que tende a pressionar concorrentes e a atrair atenção de governos e empresas em outros países que acompanham o avanço chinês nessa área.
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