
Imagem: tasnimnews
Houthis afirmam ter abatido F-15 saudita em meio a avanço no Mar Vermelho
BBC Verify confirma que destroços encontrados no oeste do Iêmen pertencem a um F-15 saudita, mas causa da queda ainda não foi determinada
Os Houthis afirmaram ter abatido um caça F-15 da Arábia Saudita nesta quarta-feira (16), em meio à escalada dos confrontos no Iêmen. Nesta quinta-feira (17), a BBC Verify confirmou que as imagens divulgadas pelo grupo foram gravadas no oeste do país e que os destroços mostrados pertencem a um F-15 Strike Eagle saudita. A equipe localizou o ponto da queda em uma área montanhosa cerca de 40 quilômetros a oeste de Marib e, com o auxílio de um especialista da Janes, identificou características específicas da aeronave e um número de cauda compatível com um caça operado pelo 55º Esquadrão da Força Aérea Real Saudita.
A apuração, porém, não confirma a versão dos Houthis sobre a causa da queda. O grupo afirma que o caça foi atingido por um míssil terra-ar de fabricação local enquanto realizava operações sobre Marib. A BBC informou, no entanto, que não conseguiu verificar completamente o vídeo térmico apresentado como registro do momento em que a aeronave teria sido atingida, devido à falta de detalhes visuais. O destino da tripulação também permanece desconhecido.
Nos últimos dias, os Houthis passaram a controlar praticamente toda a costa iemenita do Mar Vermelho, incluindo o porto de Mocha e a ilha de Perim, dentro do estreito de Bab el-Mandeb. O avanço surpreendeu forças apoiadas pela Arábia Saudita e permitiu ao grupo capturar armamentos avançados de origem americana e saudita, abandonados durante a retirada. Fontes ouvidas pela Reuter estimam que cerca de 100 mil combatentes foram mobilizados para a operação.
A Arábia Saudita respondeu com uma nova sequência de bombardeios. O Times of Israel, informou que ataques sauditas atingiram três torres de telecomunicações na província de Taiz nesta quinta-feira (17), enquanto outro bombardeio contra a cidade de Abs teria deixado um civil morto e outro ferido. Os Houthis afirmaram ainda que forças sauditas realizaram 40 ataques aéreos contra o Iêmen em 24 horas, número atribuído ao grupo.
Os combates também aprofundaram a crise humanitária. Mais de 100 mil iemenitas foram deslocados desde o início desta fase dos confrontos, segundo a Organização Internacional para as Migrações. Parte da população também começou a atravessar o Mar Vermelho em embarcações para buscar refúgio na África.
Ao mesmo tempo, o avanço colocou os Houthis diretamente na entrada de Bab el-Mandeb. Em artigo de opinião publicado pela Al Jazeera, o jornalista saudita Suleiman Al-Aqili destaca que o grupo tomou Dhubab e a ilha de Perim após conquistar Mocha.
A preocupação internacional aumenta porque a situação em Bab el-Mandeb se soma às tensões no Estreito de Ormuz. O estreito concentra cerca de 20% dos fluxos mundiais de petróleo e gás, enquanto Bab el-Mandeb responde por aproximadamente 10% a 12% do petróleo mundial. Uma interrupção simultânea das duas passagens poderia provocar impactos significativos sobre o transporte e o abastecimento internacional de energia.
FUP Explica
O controle de Bab el-Mandeb pelos Houthis, somado ao domínio que o Irã já exerce sobre o Estreito de Ormuz por meio de seus aliados, cria um cenário em que dois dos principais gargalos do abastecimento energético mundial ficam sob influência do mesmo eixo. A Al Jazeera aponta que Ormuz concentra cerca de 20% dos fluxos mundiais de petróleo e gás e que Bab el-Mandeb responde por aproximadamente 10% a 12% do petróleo mundial, ou seja, uma interrupção coordenada nos dois pontos teria impacto direto sobre preços de energia em escala internacional, com o barril já negociado acima de US$ 100.
Para o comércio exterior, o risco concreto é o de novas interrupções ou desvios de rotas no Mar Vermelho, canal por onde passa parcela relevante do fluxo de contêineres entre Ásia e Europa. Qualquer bloqueio ou escalada que force navios a contornar o Cabo da Boa Esperança eleva custos de frete e prazos de entrega, com efeito em cadeia sobre importadores e exportadores que dependem dessa rota. O desfecho depende de como a Arábia Saudita responde militaricamente e de se o cessar-fogo informal entre Houthis e EUA se sustenta, dois fatores que seguem em aberto.




