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Hapag-Lloyd facilita controle de demurrage para importações nos EUA
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Hapag-Lloyd facilita controle de demurrage para importações nos EUA

03/09/2026·461 palavras
Hapag-Lloyd aprimora ferramenta de visibilidade de prazos de demurrage para importadores nos EUA. Notícia de relevância operacional para importadores brasileiros que utilizam serviços da armadora.

A Hapag-Lloyd atualizou nesta quinta-feira (3), sua ferramenta Import Overview para permitir que clientes elegíveis consultem o último dia livre de cobrança de demurrage de contêineres de importação nos Estados Unidos. A informação, chamada de Import Demurrage Last Free Day (LFD), passou a ser disponibilizada diretamente pela Online Business Suite da companhia, com o objetivo de dar aos clientes maior visibilidade sobre os prazos nos portos norte-americanos.

O Last Free Day corresponde ao último dia em que o contêiner pode permanecer no porto dentro do período livre antes do início da cobrança de demurrage. A data exibida depende da disponibilidade do contêiner, do tipo de movimentação, das tarifas ou dos contratos aplicáveis e da situação operacional da carga.

As regras da Hapag-Lloyd para os Estados Unidos estabelecem que, nas importações, o período livre começa após a descarga do contêiner. Encerrado esse prazo, a cobrança de demurrage passa a ser calculada de acordo com a tarifa aplicável no porto de descarga. A nova funcionalidade pode ser acessada pelo consignatário e pela parte notificada, ou notify party, vinculados ao embarque.

A Hapag-Lloyd ressalta que a data apresentada depende da disponibilidade e da situação dos dados relacionados ao embarque e ao contêiner. A consulta ao LFD não modifica as tarifas, os contratos nem as condições operacionais aplicáveis à carga. Embarques sob bandeira dos Estados Unidos estão excluídos da nova funcionalidade.

Nos portos que utilizam o PayCargo Container Payment Portal, os clientes também encontram no Import Overview um link para a watchlist da plataforma. Por meio dela, é possível verificar o último dia livre e pagar as cobranças de demurrage aplicáveis.

A integração concentra a consulta ao prazo e o acesso ao pagamento das cobranças nos portos atendidos pelo sistema PayCargo. A funcionalidade, no entanto, não altera as condições tarifárias ou operacionais estabelecidas para os embarques.

A Hapag-Lloyd tem um antecedente regulatório nos Estados Unidos envolvendo cobranças de detention e demurrage. Em junho de 2022, a companhia concordou em pagar uma multa civil de US$ 2 milhões ao governo norte-americano para encerrar alegações de violações da Shipping Act relacionadas às suas práticas de cobrança, segundo o FreightWaves.

A Federal Maritime Commission (FMC) aprovou o acordo, e o valor foi destinado ao fundo geral do Tesouro dos Estados Unidos. Antes do acerto, um juiz administrativo havia concluído que a Hapag-Lloyd violou a legislação ao se recusar injustificadamente a dispensar determinadas cobranças de detention. A decisão também tratava da aplicação de demurrage ou detention em situações nas quais não havia agendamentos suficientes disponíveis.

As regras da Hapag-Lloyd atualmente estabelecem procedimentos para pedidos de dispensa ou reembolso dessas cobranças. Nos Estados Unidos, clientes podem contestar valores de demurrage e detention e apresentar documentos que demonstrem, entre outras circunstâncias, a indisponibilidade de agendamentos para retirada ou devolução de contêineres.

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O ponto central aqui é operacional: demurrage é um custo que corrói margem e que, historicamente, pega importadores de surpresa porque a informação sobre prazos chegava tarde ou de forma fragmentada. Ao centralizar o Last Free Day na mesma plataforma que o importador já usa para acompanhar a carga, a Hapag-Lloyd reduz a chance de o cliente perder o prazo por falta de visibilidade, o que tende a diminuir disputas e cobranças contestadas.

Há também um pano de fundo regulatório importante. O OSRA, que entrou em vigor nos EUA, aumentou as exigências de transparência das armadoras sobre cobranças de demurrage e detention, e a FMC vem aplicando multas a quem não cumpre. O acordo de US$ 2 milhões que a Hapag-Lloyd fechou em 2022 por práticas irregulares nessa área mostra que a pressão regulatória é real. Nesse contexto, o aprimoramento da ferramenta não é só conveniência para o cliente: é também uma resposta da armadora ao ambiente de maior fiscalização.

Para importadores brasileiros que usam a Hapag-Lloyd para trazer mercadoria pelos portos dos EUA, a mudança pode ajudar no planejamento do desembaraço e na coordenação com transportadores terrestres do lado americano, reduzindo o risco de incorrer em cobranças evitáveis. O benefício, porém, está condicionado ao uso ativo da plataforma: quem não acompanhar o LFD com antecedência suficiente para agir continuará exposto ao mesmo risco de antes.

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