FUP News
APM Terminals inicia operação em Suape e aumenta a capacidade de contêineres do porto em 55%
Marítimo

Imagem gerada por IA

APM Terminals inicia operação em Suape e aumenta a capacidade de contêineres do porto em 55%

03/09/2026·620 palavras

A APM Terminals Suape iniciou as operações comerciais em 2 de setembro de 2026, com a atracação do Maersk Ganges no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco. Com capacidade inicial para movimentar até 400 mil TEUs por ano, o novo terminal eleva em 55% a capacidade de movimentação de contêineres do complexo e entra em funcionamento como uma nova alternativa para o transporte de cargas no Nordeste.

O Maersk Ganges, com 255 metros de comprimento e 37,3 metros de largura, opera sob bandeira brasileira e integra a linha de cabotagem ALCT2. A rota conecta Suape aos portos de Pecém, Salvador, Santos, Itapoá, Rio Grande e Imbituba, com previsão de duas escalas semanais no novo terminal.

Com a entrada da APM Terminals, Suape passa a contar com dois terminais dedicados à movimentação de contêineres. O complexo já tinha o Tecon Suape em operação nesse segmento.

A APM Terminals Suape ocupa cerca de 49 hectares e inicia as atividades com capacidade anual de 400 mil TEUs. O terminal dispõe ainda de capacidade estática para 12 mil TEUs e 300 tomadas destinadas a contêineres refrigerados.

A estrutura conta com dois guindastes de cais do tipo ship-to-shore (STS), sete guindastes elétricos de pátio do tipo rubber-tyred gantry (e-RTG), 14 tratores elétricos de terminal, dois reach stackers elétricos e equipamento elétrico para movimentação de contêineres vazios.

Os dois guindastes STS têm alcance de 70 metros e foram projetados para atender embarcações com mais de 366 metros de comprimento. Os equipamentos de cais e de pátio também podem ser operados remotamente a partir de salas de controle.

Segundo a APM Terminals, o empreendimento foi projetado como o primeiro terminal de contêineres totalmente elétrico do Brasil. Em material divulgado durante a fase de construção, a companhia também o apresentou como a primeira instalação portuária totalmente eletrificada da América Latina.

Em futuras etapas de expansão, a capacidade poderá superar 1,3 milhão de TEUs por ano, segundo o Complexo Industrial Portuário de Suape. A projeção representa o potencial futuro da instalação e não sua capacidade disponível no início das operações.

O empreendimento recebeu investimento de cerca de US$ 390 milhões, segundo a publicação mais recente entre as fontes consultadas. O projeto ocupa parte da área que pertencia ao Estaleiro Atlântico Sul (EAS), adquirida no contexto da recuperação judicial da companhia.

A área do Cais Sul foi arrematada pela APM Terminals por R$ 455 milhões em leilão judicial. As negociações foram concluídas em janeiro de 2024, e a pedra fundamental do terminal foi lançada em novembro daquele ano. A APM Terminals pertence ao grupo A.P. Moller-Maersk e mantém operações portuárias no Brasil, incluindo o terminal de Pecém, no Ceará.

Estudo projeta impacto de R$ 4,9 bilhões no PIB

Um estudo elaborado pela A&M Infra e pelo escritório Navarro Prado Advogados, com participação da APM Terminals, estima que o empreendimento poderá acrescentar até R$ 4,8 bilhões às exportações e R$ 4,9 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB), além de contribuir para a criação de mais de 43 mil empregos diretos e indiretos nas cadeias relacionadas ao comércio exterior.

Os números são projeções de impacto econômico associadas à nova capacidade portuária e não representam resultados já alcançados pela operação do terminal.

A entrada em funcionamento da APM Terminals ocorre em um complexo que ocupa posição de destaque na logística nacional. Segundo informações apresentadas pelo presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, em evento do LIDE Pernambuco, Suape é o sexto maior porto público do Brasil e lidera a movimentação de granéis líquidos e gasosos e o transporte por cabotagem.

Com a nova estrutura, o complexo acrescenta 400 mil TEUs à capacidade anual de movimentação de contêineres, crescimento de 55% em relação à capacidade disponível antes da entrada em operação do terminal.

FUP Explica

A entrada em operação da APM Terminals Suape muda o peso de Pernambuco na disputa por cargas no Nordeste. Com mais 400 mil TEUs de capacidade e dois terminais de contêineres funcionando simultaneamente, Suape passa a competir de forma mais direta com Pecém, no Ceará, e com Salvador, na Bahia, por serviços marítimos regulares e por exportadores e importadores que buscam escala e frequência.

Para os usuários do porto, a ampliação de berth windows e a perspectiva de novas linhas diretas para Europa e Extremo Oriente, mencionadas pela APM Terminals, podem reduzir a dependência de transbordo por portos do Sudeste, encurtando prazos e potencialmente baixando fretes para exportadores e importadores do Nordeste. Esse efeito, no entanto, depende de a demanda crescer rápido o suficiente para atrair armadores a escalar Suape diretamente, o que leva tempo.

No plano institucional, o modelo de financiamento do terminal chama atenção: a área foi viabilizada pela liquidação do Estaleiro Atlântico Sul, com o valor do leilão destinado ao pagamento de credores homologado pela justiça federal. Isso significa que a chegada da APM Terminals resolve, ao menos parcialmente, um passivo trabalhista e financeiro que pesava sobre o complexo desde o colapso do setor naval brasileiro. A eletrificação total dos equipamentos também posiciona o terminal como referência para futuras concessões portuárias no país, num momento em que descarbonização começa a entrar nos critérios de avaliação de operadores e armadores internacionais.

Compartilhar:WhatsAppX (Twitter)LinkedIn

Leia também