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Geopolítica

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Grimaldi alerta que retomada de taxas pode afastar navios das rotas dos EUA

30/10/2026 · 620 palavras

Companhia pede suspensão permanente da cobrança sobre transportadores de veículos construídos no exterior e aponta possíveis impactos para exportadores e montadoras americanas

O grupo italiano Grimaldi alertou nesta sexta-feira (30) que poderá retirar navios das rotas dos Estados Unidos se o país retomar as taxas portuárias sobre transportadores de veículos construídos no exterior. Em manifestação ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), a companhia apoiou a proposta de manter as cobranças suspensas até 9 de janeiro de 2027. Além disso, pediu uma suspensão permanente, argumentando que a medida pode prejudicar serviços utilizados por exportadores e montadoras americanas.

Segundo o gCaptain, a Grimaldi informou que clientes americanos demonstraram preocupação com uma eventual transferência de suas embarcações para outros mercados. O alerta acompanha a discussão sobre uma prorrogação de dois meses da suspensão, cujo prazo atual termina em 9 de novembro. Até a publicação da reportagem, o governo americano ainda não havia concluído a decisão.

As cobranças fazem parte das medidas adotadas sob a Seção 301 da legislação comercial americana para enfrentar o domínio chinês nos setores marítimo, logístico e de construção naval. Entretanto, também alcançam determinados transportadores de veículos fabricados fora dos Estados Unidos, categoria para a qual o grupo solicita uma suspensão permanente.

Cargas americanas sustentam o pedido

Para fundamentar sua posição, a Grimaldi apresentou os volumes movimentados em suas operações com os Estados Unidos nos últimos três anos. Nesse período, transportou quase 985 mil toneladas de exportações americanas e 1,31 milhão de toneladas de importações.

De acordo com a companhia, 74,7% do volume importado correspondia a cargas de montadoras americanas. Ao considerar os dois sentidos do transporte, o grupo informou que 86% das mercadorias eram exportações dos Estados Unidos ou importações associadas a fabricantes americanos de veículos.

Com esses números, a empresa argumenta que a retomada das taxas pode afetar negócios americanos que dependem de seus serviços. A manifestação, porém, apresenta a retirada de embarcações como uma possibilidade condicionada à cobrança, sem anunciar uma decisão de abandonar rotas.

A preocupação também aparece no relato da Atlantic Container Line (ACL). Seu presidente-executivo, Andy Abbott, afirmou que clientes dos segmentosos de contêineres e máquinas pesadas temiam uma transferência dos navios para o comércio com a China caso as taxas retornassem.

Segundo Abbott, o USTR classificou equivocadamente as embarcações da ACL como transportadores de veículos, embora automóveis representem apenas 1% de suas cargas. A declaração questiona o enquadramento dos navios nas regras, mas o material fornecido não apresenta uma resposta do órgão americano a essa avaliação.

Prorrogação ainda depende de decisão

As taxas entraram em vigor em 14 de outubro de 2025. Contudo, o governo americano suspendeu as cobranças em 10 de novembro daquele ano, como parte de um entendimento comercial entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.

As medidas atingem navios de proprietários ou operadores chineses, embarcações construídas na China e determinados transportadores de veículos fabricados no exterior. Enquanto Washington e Pequim negociam, companhias de navegação alertam para possíveis aumentos dos custos de transporte e alterações nos serviços.

Por outro lado, parlamentares e grupos ligados aos trabalhadores marítimos defendem a retomada. Em junho, os senadores Mark Kelly e Elizabeth Warren argumentaram que a suspensão prejudicava os esforços para recuperar a construção naval americana e retirava receitas potenciais para investimentos no setor.

A Grimaldi concentra seu pedido de suspensão permanente no Anexo III, referente aos transportadores de veículos construídos no exterior. O grupo afirma reconhecer os objetivos americanos de segurança nacional e competitividade, mas pede que as regras não criem obstáculos às suas operações.

O prazo para contribuições à consulta pública do USTR termina nesta sexta-feira (30), às 17h do horário do leste dos Estados Unidos. A proposta em análise manteria as medidas suspensas até 9 de janeiro de 2027.