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Comércio Exterior

Elias Rovielo/Flickr

Alemanha convida Japão a apoiar aliança contra tarifas e coerção econômica

29/10/2026 · 607 palavras

Proposta de Merz prevê respostas coordenadas entre parceiros e diversificação de fornecedores; China pede postura objetiva e racional aos europeus

Em uma visita a Tóquio, o chanceler alemão, Friedrich Merz, convidou o Japão, na quarta-feira (28), a apoiar uma aliança internacional para defender o comércio baseado em regras. Diante do avanço das tarifas e da coerção econômica, a proposta busca reunir países com posições semelhantes para coordenar respostas e fortalecer sua capacidade de negociação.

Segundo a Reuters, em reportagem publicada pela Euronext, Merz afirmou que os participantes poderiam atuar conjuntamente diante de violações das normas comerciais ou de pressões econômicas. O chanceler não apontou países nessa declaração. A iniciativa, porém, ocorre em meio às barreiras tarifárias dos Estados Unidos e às disputas comerciais entre europeus e chineses.

Ao lado de Merz, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, acolheu o envolvimento alemão na região. Em comunicado conjunto, os líderes concordaram em fortalecer a cooperação com parceiros que defendem o comércio livre, justo e baseado em regras. A manifestação sinaliza aproximação, mas não equivale à criação formal da aliança.

China pede postura racional aos europeus

Em resposta à proposta, Pequim afirmou esperar que Alemanha e União Europeia sejam “objetivas e racionais”. O governo chinês também declarou seu compromisso com a estabilidade das trocas comerciais e das cadeias de abastecimento.

A reação acompanha o aumento das tensões entre os dois lados. A União Europeia adotou medidas comerciais contra Pequim, enquanto setores industriais europeus atribuem ao crescimento das exportações chinesas parte dos fechamentos de fábricas e das perdas de empregos. A China rejeita acusações de práticas desleais e sustenta que pode ajudar a solucionar os problemas europeus.

Ao mesmo tempo, a política tarifária do presidente americano, Donald Trump, pressiona o comércio internacional. Para a Alemanha, esse cenário se soma à dificuldade de recuperar o crescimento econômico e à concorrência chinesa. Berlim considera a China tanto uma importante parceira comercial quanto uma rival estratégica.

Matérias-primas ganham prioridade

Além da coordenação comercial, Merz defendeu uma cooperação mais próxima com o Japão para garantir o abastecimento de matérias-primas críticas. A proposta acompanha a estratégia alemã de diversificar fornecedores e reduzir vulnerabilidades em cadeias nas quais a China ocupa posição dominante.

Nesse campo, o chanceler destacou a experiência japonesa. Após uma disputa com Pequim envolvendo terras raras, em 2010, o Japão passou mais de uma década buscando outras origens para suas importações, formando reservas estratégicas e desenvolvendo capacidades de reciclagem.

A preocupação também aparece no desempenho comercial alemão. Um relatório mencionado na cobertura da visita projeta que o déficit do país com a Ásia-Pacífico alcance quase € 146 bilhões em 2026, um recorde. Segundo a projeção, a queda das exportações para a China supera o crescimento das vendas aos demais mercados da região.

Aproximação entre blocos integra a agenda

Merz também defendeu um acordo entre regiões e classificou como positivas as conversas entre a União Europeia e integrantes do CPTPP, parceria transpacífica que reúne 12 países, incluindo Japão e Canadá. A proposta integra a busca por novas parcerias comerciais.

O movimento se aproxima do apelo do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, para que potências intermediárias cooperem diante da pressão de economias maiores. Ao recuperar essa ideia, Merz defendeu que a atuação conjunta pode fortalecer a posição desses países nas negociações internacionais.

A agenda bilateral também alcançou a defesa. Os governos exploram a possibilidade de desenvolver um caça em conjunto, enquanto Takaichi defendeu maior colaboração entre suas Forças Armadas e indústrias militares. O governo alemão confirmou que a visita incluiu um pacote de medidas nas áreas de segurança econômica, defesa, alta tecnologia e espaço. O roteiro asiático do chanceler prevê, na sequência, uma passagem pela Coreia do Sul.