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Fretes disparam no Pacífico e recuam até 9% entre Ásia e Europa antes da Golden Week
Alta nas rotas transpacíficas, cancelamentos de viagens antes da Golden Week e congestionamento na Ásia pressionam mercado, enquanto preços recuam entre Ásia e Europa*
Às vésperas da Golden Week chinesa, o mercado de transporte marítimo voltou a registrar pressão sobre os fretes, principalmente nas rotas que conectam a Ásia aos Estados Unidos. O World Container Index (WCI), da Drewry, avançou 1% na semana encerrada em 17 de setembro e chegou a US$ 4.500 por contêiner de 40 pés, impulsionado pelo aumento da demanda antes do feriado e pela redução de capacidade promovida pelas companhias marítimas, segundo informações publicadas pelo PortalPortuari*.
O movimento foi mais intenso no Pacífico. O frete entre Xangai e Los Angeles aumentou 5%, chegando a US$ 7.712 por contêiner de 40 pés, enquanto a rota entre Xangai e Nova York registrou alta de 7%, para US$ 10.394. A pressão ocorre enquanto os armadores ajustam a oferta de espaço antes da Golden Week, período que tradicionalmente interfere na produção e no fluxo de mercadorias na China.
Uma das estratégias adotadas pelas companhias para administrar essa capacidade tem sido o cancelamento de viagens, as chamadas blank sailings. Para a próxima semana, nove viagens já foram canceladas nas rotas transpacíficas, contra oito na semana atual, reduzindo a quantidade de espaço disponível justamente em um momento de maior procura por embarques.
Diante dessa combinação entre demanda pré-feriado e controle da oferta, a Drewry espera que os fretes transpacíficos registrem uma nova, ainda que pequena, alta na próxima semana. O cenário, porém, não se repete de forma uniforme nas principais rotas marítimas do mundo.
Entre Ásia e Europa, os preços seguiram na direção oposta. O frete de Xangai para Gênova caiu 5%, para US$ 4.016 por contêiner de 40 pés, enquanto a ligação entre Xangai e Roterdã registrou redução de 9%, chegando a US$ 3.626. Mesmo nessa rota, as transportadoras continuam administrando a capacidade: quatro viagens foram canceladas para a próxima semana, contra apenas uma na semana atual.
Ao mesmo tempo, o congestionamento permanece como um fator de atenção na Ásia. Em Xangai, o tempo médio de espera aumentou de 65 horas na semana 36 para 78 horas na semana 37. Ainda assim, a Drewry projeta uma ligeira queda dos fretes entre Ásia e Europa na próxima semana, já que a demanda permanece relativamente fraca.
Além da diferença entre as rotas, o mercado segue cercado por fatores que podem alterar rapidamente o equilíbrio entre oferta e demanda. A retomada gradual de serviços pelo Canal de Suez exerce pressão de baixa sobre os preços entre Ásia e Europa, enquanto novos riscos de segurança no Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb podem retardar esse movimento.
Outra variável está no norte da Europa, onde possíveis greves portuárias na Alemanha podem aumentar o congestionamento e provocar alterações nos itinerários. Nas próximas semanas, a evolução das filas nos portos asiáticos, a gestão de capacidade das companhias e o comportamento da demanda durante o período da Golden Week devem continuar definindo a direção dos fretes nas principais rotas entre Oriente e Ocidente.
FUP Explica
O mercado de frete de contêineres está operando em dois ritmos distintos, e isso tem consequências práticas para quem importa ou exporta. Nas rotas transpacíficas, a combinação de demanda pré-Golden Week com blank sailings coordenados pelos armadores criou um ambiente de alta controlada: os preços sobem porque a oferta foi deliberadamente reduzida, não porque o volume de carga explodiu. Isso significa que, assim que o feriado passar e a demanda arrefecer, a tendência é de reversão, mas o timing depende de quanto as companhias demoram para recolocar capacidade no mercado.
No corredor Ásia-Europa, o movimento é inverso: fretes em queda, demanda fraca e pressão adicional de baixa vinda da retomada parcial do Canal de Suez. O problema é que essa queda pode ser interrompida a qualquer momento, seja por novos incidentes no Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb, que forçariam desvios pelo Cabo da Boa Esperança e encareceriam o transporte, seja por greves portuárias na Alemanha, que gerariam congestionamento em cascata no norte da Europa. O aumento do tempo de espera em Xangai, de 65 para 78 horas em uma semana, mostra que a pressão operacional na origem já está crescendo, mesmo sem crise declarada.
Para importadores e exportadores brasileiros que operam com a Ásia, o cenário exige atenção redobrada ao planejamento de embarques nas próximas semanas. Fretes transpacíficos elevados encarecem produtos que passam pelos Estados Unidos antes de chegar ao Brasil, e instabilidade nas rotas europeias pode afetar prazos e custos em cadeias que dependem de transbordo em portos como Roterdã e Hamburgo.




