
Fed mantém juros, mas divisão interna surpreende mercado
O Federal Reserve decidiu, em 29 de julho de 2026, manter a taxa dos federal funds na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano, mas a decisão foi aprovada por 9 votos a 3, com três membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) favoráveis a uma elevação imediata de 0,25 ponto percentual, conforme apurado pelo Monitor Mercantil. No Brasil, o dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,27%, cotado a R$ 5,018, depois de atingir a mínima de R$ 5,09 por volta das 16h20, segundo a Agência Brasil.
Votaram contra a manutenção Beth M. Hammack, presidente do Fed de Cleveland, Neel Kashkari, do Fed de Minneapolis, e Lorie K. Logan, do Fed de Dallas, todos favoráveis ao aumento imediato, de acordo com o Monitor Mercantil. A economista-chefe da Mirae Asset Brasil, Marianna Costa, afirmou ao InfoMoney que os três vinham defendendo publicamente uma política monetária mais restritiva diante da persistência da inflação acima da meta. O resultado contrasta com a reunião anterior, em junho de 2026, quando a manutenção foi aprovada por unanimidade, conforme registrou o InfoMoney.
O Bank of America e o Citi, em análises publicadas antes da decisão, antecipavam ao menos dois votos dissidentes, citando especificamente Hammack e Logan. O economista Andrew Hollenhorst, do Citi, havia alertado que mais de dois votos dissidentes enviaria um sinal hawkish mais forte, segundo o Estadão.
O comunicado do FOMC reconhece que a inflação permanece elevada em relação à meta de 2%, refletindo em parte choques de oferta que pressionaram preços em certos setores, incluindo o de energia, conforme o Monitor Mercantil. O comitê também registra que a atividade econômica segue em expansão em ritmo sólido e que a taxa de desemprego apresentou pouca variação.
Warsh e o contexto da política monetária americana
O presidente do Fed, Kevin Warsh, que assumiu o cargo em maio de 2026 em meio a pressões do presidente Donald Trump por cortes de juros, reafirmou o compromisso com a meta de inflação de 2%, mas destacou sinais considerados positivos para o comportamento dos preços, segundo o Bora Investir. O mercado interpretou o tom como menos duro, o que ampliou as perdas do dólar durante a coletiva de imprensa, conforme a Agência Brasil. A gestão de Warsh sucede a de Jerome Powell, marcada por repetidas divergências com a Casa Branca, que acusou Powell de má condução da política monetária.
Antes da decisão, a ferramenta FedWatch do CME Group precificava 70% de chance de manutenção da taxa, segundo o Estadão. O Bora Investir registrou que, na véspera, 68,5% dos investidores apostavam na estabilidade e 31,5% previam alta. Para o J.P. Morgan, a taxa deve permanecer no nível atual ao menos até o fim de 2026, com um aumento de 0,25 ponto percentual previsto para setembro de 2027, conforme o Bora Investir.
O Estadão registrou que a última alteração de juros pelo Fed havia ocorrido em dezembro de 2025, quando a taxa foi cortada, antes do início do conflito militar com o Irã e do choque de oferta de energia que se seguiu.
Petróleo e tensões no Oriente Médio no centro do debate
Um dos principais fatores por trás da pressão interna por alta de juros foi o mercado de energia. As tensões no Oriente Médio escalaram em julho de 2026, com o petróleo Brent ultrapassando brevemente os US$ 100 por barril e registrando ganho mensal superior a 20%, segundo o TradingKey. Os preços recuaram após os EUA suspenderem ataques aéreos ao Irã, mas o risco de perturbação nas exportações pelo Mar Vermelho permanecia, conforme o TradingKey.
Na sessão de 29 de julho, o petróleo interrompeu sequência de quedas e avançou mais de 7%, impulsionado pela retomada de confrontos entre forças norte-americanas e grupos apoiados pelo Irã, além de declarações de Trump sobre resposta militar, de acordo com a Agência Brasil. O barril do tipo Brent para outubro fechou em alta de 7,32%, a US$ 88,09, e o WTI para setembro subiu 6,56%, para US$ 84,46, conforme a Agência Brasil. A queda dos estoques semanais de petróleo nos EUA, acima do esperado, também contribuiu para a alta.
Bolsa e câmbio no Brasil
O Ibovespa encerrou o pregão de 29 de julho em queda de 1,52%, pressionado pelo desempenho das ações de bancos e pelo ambiente externo de aversão ao risco, segundo a Agência Brasil. Em Nova York, o S&P 500 fechou em queda de 1,55%. As ações da Petrobras amenizaram parte das perdas do índice brasileiro: os papéis ordinários subiram 2,35% e os preferenciais valorizaram 1,92%, acompanhando a disparada do petróleo.
No câmbio, a Agência Brasil destacou que o maior apetite por operações de carry trade, beneficiadas pela diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos, favoreceu a valorização do real. Dados domésticos como o resultado do Caged e o superávit da balança comercial ficaram em segundo plano na sessão.
FUP Explica
A decisão do Fed de manter os juros era esperada, mas a dissidência de três membros muda o tom do que vem pela frente. Quando quase um terço do colegiado vota por alta imediata, o mercado passa a precificar com mais convicção um aperto em setembro, e isso tende a manter o dólar pressionado para cima em relação a moedas emergentes nas próximas semanas, mesmo que o movimento imediato tenha sido de queda do dólar frente ao real.





