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Mais receita, margem e retorno: o que diferencia as empresas que lideram em crescimento
Economia

Imagem: rawpixel

Mais receita, margem e retorno: o que diferencia as empresas que lideram em crescimento

28/09/2026·729 palavras

Estudos com companhias de diferentes setores mostram que crescimento rentável está associado à combinação de investimentos contínuos, diversificação de receitas e melhora operacional

Em um mercado no qual poucas empresas conseguem crescer com rentabilidade acima de seus concorrentes, companhias de diferentes setores vêm se destacando ao combinar investimentos em tecnologia, novos produtos, aquisições e eficiência operacional para criar novas fontes de receita. Estudos publicados pela McKinsey & Company em 2026, com dados de empresas dos Estados Unidos entre 2019 e 2025, indicam que o desempenho não depende apenas de atuar em mercados aquecidos, mas também da capacidade de manter investimentos durante períodos de incerteza, diversificar negócios e transformar essas iniciativas em crescimento de receita, margens e retorno aos acionistas.

Em uma das análises, a McKinsey & Company identificou 61 empresas que superaram seus pares em crescimento rentável entre 2019 e 2024.

O grupo, correspondente aos 15% de melhor desempenho da amostra, registrou, em média, cinco pontos percentuais a mais de crescimento anual da receita e sete pontos percentuais de vantagem em rentabilidade, diferença que se traduziu em cinco pontos percentuais adicionais no retorno total aos acionistas. Entre as características recorrentes estavam o investimento contínuo em crescimento, a criação de diferentes fontes de receita e o uso da tecnologia para acelerar os negócios.

O mesmo padrão aparece no setor industrial. Em outro levantamento, realizado com 163 companhias dos índices S&P 400 e S&P 500 entre 2019 e 2025, 52 empresas elevaram seus múltiplos EV/EBITDA acima da mediana de seus respectivos setores. O grupo, chamado de “aceleradoras” pela consultoria, representa 32% da amostra e inclui fabricantes, prestadores de serviços, distribuidores e fornecedores de componentes.

Essas companhias realizaram, em média, 4,7 iniciativas relevantes no período analisado, combinando medidas como redução de custos operacionais, lançamento de produtos, entrada em novos mercados, melhora da eficiência de capital e fortalecimento comercial. Entre as empresas cujos múltiplos permaneceram estáveis, a média foi de duas iniciativas.

Segundo o levantamento, os melhores resultados estiveram associados não apenas à quantidade de movimentos, mas à capacidade de executar diferentes frentes simultaneamente e preservar ou elevar as margens.

A inovação também teve peso nesse processo. Das 52 aceleradoras, 23 lançaram novos produtos, 21 entraram em novos mercados, 16 avançaram para outras etapas da cadeia de valor e sete chegaram a novas regiões. Entre os destinos desses investimentos estavam segmentos com demanda crescente, como infraestrutura para data centers, energia, fontes renováveis, setor aeroespacial, defesa e automação.

As fusões e aquisições foram outra ferramenta recorrente. Quase 60% das aceleradoras recorreram a M&A para executar parte de suas estratégias, principalmente para ingressar em novos mercados e incorporar produtos ou capacidades. A Rockwell Automation, por exemplo, adquiriu Fiix, Plex Systems e Clearpath/OTTO Motors entre 2020 e 2023, movimento que reforçou sua atuação em software industrial, manufatura digital e robótica autônoma.

Os resultados operacionais ajudam a dimensionar a diferença. Entre 2018 e 2025, a empresa mediana do grupo das aceleradoras registrou crescimento de aproximadamente 37% na receita, ganho de cerca de um ponto percentual na margem bruta e avanço de seis pontos percentuais na margem EBITDA. No grupo de companhias com múltiplos em queda, por outro lado, a receita recuou aproximadamente 8%, enquanto a margem EBITDA perdeu cinco pontos percentuais.

Os exemplos não ficam restritos à indústria. No Walmart, mais da metade do crescimento do lucro operacional já vem de plataformas desenvolvidas além das lojas físicas tradicionais, incluindo publicidade, serviços de assinatura e marketplace.

A varejista adquiriu mais de 20 empresas digitais e de tecnologia, fortaleceu sua operação de comércio eletrônico e criou o Walmart+, programa cujos integrantes gastam aproximadamente o dobro dos consumidores que não participam do serviço. Tecnologia, automação e inteligência artificial também aparecem nas estratégias de empresas como Builders FirstSource, ASML, Progressive e JPMorgan Chase, seja na otimização logística, na precificação, na automação de processos ou no desenvolvimento de novos negócios.

Os estudos ressaltam, porém, que a adoção isolada dessas ferramentas não garante vantagem duradoura: os resultados dependem de sua integração às capacidades, aos ativos e ao modelo operacional de cada companhia.

Em conjunto, os levantamentos indicam que empresas com desempenho acima dos concorrentes tendem a não depender de uma única aposta. Elas distribuem investimentos entre diferentes fontes de crescimento, combinam expansão com eficiência operacional e mantêm recursos direcionados a novas capacidades mesmo diante de períodos de incerteza, enquanto os resultados financeiros funcionam como medida concreta de quanto essas estratégias conseguem gerar valor.

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O que esses estudos da McKinsey revelam, na prática, é que crescimento rentável sustentado não é acidente de mercado nem resultado de estar no setor certo na hora certa. As empresas que se destacaram fizeram escolhas deliberadas: investiram em múltiplas frentes ao mesmo tempo, usaram aquisições para comprar capacidade que levariam anos para construir internamente e não pararam de investir quando o ambiente ficou incerto. Isso tem implicação direta para qualquer gestor que precise justificar orçamento de inovação ou M&A num momento de pressão por corte de custos: os dados mostram que as companhias que cortaram ficaram para trás, e a diferença de margem EBITDA entre os dois grupos (seis pontos a mais para as aceleradoras contra cinco pontos a menos para as que encolheram) é grande o suficiente para mudar a posição competitiva de forma duradoura.

Há também uma dimensão setorial relevante. Os segmentos que aparecem como destino preferencial dos investimentos das aceleradoras (data centers, energia, fontes renováveis, defesa, automação) são exatamente aqueles com demanda estrutural de longo prazo, não ciclos curtos. Isso sugere que parte do resultado não vem só da execução, mas da escolha de onde crescer. Empresas que ficaram presas em mercados maduros sem buscar adjacências saíram perdendo mesmo quando executaram bem o que já faziam.

Por fim, o caso do Walmart merece atenção separada porque ilustra uma mudança de modelo de negócio, não apenas de eficiência. Quando mais da metade do crescimento do lucro operacional vem de publicidade, assinatura e marketplace, a empresa deixou de ser só varejista e passou a ser também plataforma. Esse movimento tende a mudar a lógica de avaliação do mercado sobre o negócio, o que explica por que múltiplos e retorno aos acionistas respondem de forma tão diferente entre os grupos analisados.

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