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EUA impõem tarifas de 25% sobre a maioria das importações brasileiras
Comércio Exterior

EUA impõem tarifas de 25% sobre a maioria das importações brasileiras

16/07/2026·633 palavras

Os Estados Unidos formalizaram a imposição de tarifas de 25% sobre a maioria das importações brasileiras, com vigência a partir de 22 de julho de 2026. A medida foi anunciada pelo Embaixador Jamieson Greer, por determinação do presidente Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — o mesmo instrumento legal já utilizado em outros episódios do tarifaço americano. O Brasil se torna o primeiro país a ter um processo concluído dentro da nova onda de investigações comerciais abertas pelo governo Trump, que chegou a instaurar cerca de 80 investigações contra diferentes nações.

O processo investigativo conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) se estendeu por aproximadamente um ano, incluindo duas audiências públicas e mais de 360 comentários públicos. Mesmo assim, o governo americano considerou as negociações bilaterais insuficientes para resolver as questões levantadas.

Tarifas de 25%: o que motivou a decisão

O USTR concluiu que diversas políticas brasileiras são "irrazoáveis" e restringem o comércio americano. As áreas de controvérsia incluem o sistema de pagamentos digitais — com o PIX apontado como barreira ao acesso de empresas americanas ao mercado financeiro brasileiro —, proteção insuficiente à propriedade intelectual, restrições ao etanol americano, retrocesso percebido nas normas anticorrupção e desmatamento ilegal.

Nesse último ponto, o governo americano argumenta que produtores rurais brasileiros obtêm vantagem competitiva desleal ao explorar terras desmatadas de forma irregular.

O Brasil contestou formalmente a investigação, argumentando que o USTR não comprovou a existência de barreiras indevidas ao comércio americano. O governo brasileiro também sinalizou intenção de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a medida.

Por outro lado, o USTR deixou aberta a possibilidade de revisão caso o Brasil tome medidas concretas nas áreas investigadas.

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Impacto sobre exportadores e o setor de fertilizantes

A tarifa de 25% representa um custo adicional significativo sobre praticamente toda a pauta exportadora brasileira para os EUA, afetando agronegócio, manufaturados e bens industriais. Para os operadores de comex, as alternativas são as mesmas já conhecidas em contextos tarifários anteriores: repassar o custo ao importador americano, com risco de perda de competitividade frente a fornecedores de outros países, ou absorver a margem, com impacto direto na rentabilidade.

No setor de fertilizantes, o impacto direto tende a ser limitado. Isso porque grande parte da cadeia — incluindo produtos nitrogenados, fosfatados, potássicos e insumos como NPK — consta na lista de exceções publicada pelo USTR em junho.

Além disso, o Brasil importa cerca de 90% dos fertilizantes que consome e tem baixa participação nas exportações desses insumos para os EUA, o que reduz a exposição direta do setor às novas alíquotas.

O risco para fertilizantes é predominantemente indireto, concentrado na pressão cambial. Como quase toda a demanda por insumos agrícolas é suprida por importações, uma eventual desvalorização do real pode elevar o custo de aquisição dos insumos e deteriorar a relação de troca do produtor rural.

Contexto mais amplo e próximos passos

Esta medida se soma a outras camadas de pressão comercial já impostas pelo governo Trump ao Brasil. Anteriormente, uma tarifa global de 10% sobre importações em geral foi mantida judicialmente, e as tarifas sobre aço e alumínio foram elevadas para 50% — medida que afetou diretamente o Brasil, segundo maior exportador de aço para os EUA no período analisado.

No campo dos fertilizantes, fatores externos como a política de exportação de ureia da China, a possível retomada das exportações chinesas de fosfato e a oferta de potássio da Rússia tendem a exercer influência mais imediata sobre os preços do que as tarifas americanas em si.

No plano doméstico, o avanço do PROFERT — programa aprovado pela Câmara para incentivar a produção nacional de fertilizantes — pode, no médio prazo, reduzir a dependência estrutural do Brasil de importações, diminuindo a vulnerabilidade cambial do setor.

FUP Explica

O que torna essa medida especialmente relevante é a combinação de amplitude e precedente. A tarifa de 25% não mira um setor específico — ela cobre a maioria dos produtos brasileiros exportados para os EUA, o que obriga praticamente todo exportador a revisar precificação, contratos e estratégia de mercado antes de 22 de julho.

Para quem atua no lado das importações, especialmente no setor de insumos agrícolas, o risco mais concreto no curto prazo não vem das tarifas em si, mas do câmbio.

Um ambiente de atrito comercial com os EUA tende a pressionar o real, e com 90% dos fertilizantes consumidos no Brasil vindo de fora, qualquer desvalorização relevante se traduz diretamente em custo para o produtor rural. Vale monitorar também a lista definitiva de exceções do USTR — a versão final pode incluir ou excluir NCMs específicos, alterando o planejamento de quem importa ou exporta insumos. O cenário ainda tem margem para mudança, e acompanhar as próximas atualizações é essencial.

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