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EUA atacam Irã, que revida contra bases em um dos maiores confrontos desde julho
Geopolítica

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EUA atacam Irã, que revida contra bases em um dos maiores confrontos desde julho

02/09/2026·832 palavras
Escalada de conflito entre EUA e Irã com impacto imediato em mercados financeiros globais e potencial efeito em rotas comerciais e preços de petróleo relevantes ao comex brasileiro.

Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques entre o fim de agosto e o início de setembro, em uma nova escalada do conflito no Oriente Médio. As ofensivas atingiram instalações iranianas e alvos ligados aos EUA em diferentes países da região, enquanto a tensão no Estreito de Ormuz levou os preços do petróleo novamente a patamares não registrados desde julho.

A nova sequência de confrontos começou em 30 de agosto, quando forças norte-americanas atingiram duas plataformas de lançamento de foguetes na ilha iraniana de Larak, no Estreito de Ormuz. Foi o primeiro ataque conhecido dos Estados Unidos contra o Irã desde o fim de julho, segundo Reuters e BBC News Brasil.

Um representante do governo dos EUA afirmou que integrantes da Guarda Revolucionária haviam sido observados enquanto se preparavam para lançar foguetes e instalar minas marítimas no estreito. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) classificou a operação como uma ação limitada contra uma ameaça à navegação. A Guarda Revolucionária informou que houve mortos e feridos.

O Irã respondeu com mísseis balísticos contra o que afirmou serem bases utilizadas pelos Estados Unidos na Jordânia. Teerã identificou como alvos as bases King Hussein e Al Azraq. As forças jordanianas informaram inicialmente ter interceptado oito mísseis que entraram no espaço aéreo do país.

Teerã também afirmou ter lançado drones contra a base aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos. O governo emiradense negou, porém, que a instalação tenha sido atingida e informou que um drone foi derrubado antes de alcançar o alvo.

Os confrontos prosseguiram em 2 de setembro. Forças norte-americanas atingiram estruturas iranianas, incluindo sistemas de defesa aérea e de radar, recursos marítimos, equipamentos relacionados à instalação de minas e estruturas de comunicação, segundo o InfoMoney.

O Irã respondeu com ataques contra o que classificou como alvos norte-americanos no Barein, na Jordânia, no Kuwait e no Iraque. Na Jordânia, as Forças Armadas informaram ter enfrentado 13 mísseis, dos quais dez foram interceptados e três caíram em áreas remotas.

No Kuwait, um complexo residencial foi atingido durante um ataque com drone atribuído ao Irã. O corpo de bombeiros informou que houve danos materiais, mas não vítimas. O Barein também anunciou ter interceptado e destruído drones iranianos.

A Guarda Revolucionária afirmou ainda ter lançado mísseis e drones contra bases norte-americanas em Erbil, no norte do Iraque, e alegou ter causado baixas entre militares dos Estados Unidos. A informação sobre as baixas não havia sido confirmada pelas autoridades norte-americanas nem pelo governo iraquiano.

Ataques deixam vítimas civis no Irã

Segundo informações divulgadas no Irã, pelo menos 12 pessoas morreram durante os ataques de 2 de setembro.

Entre os episódios relatados está um ataque contra uma residência na cidade de Sirik, na costa do Estreito de Ormuz, onde ocorria uma celebração de casamento. A imprensa iraniana informou que cinco pessoas, entre elas uma criança de quatro anos, morreram e que até 68 ficaram feridas.

A Reuters informou não ter conseguido verificar o episódio de forma independente. Autoridades norte-americanas também não haviam se pronunciado sobre o caso.

Guerra começou em fevereiro

A atual guerra começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã. Teerã respondeu com ofensivas contra Israel e contra países da região que abrigam bases norte-americanas.

Em 6 de abril, Estados Unidos e Israel bombardearam a Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã. Segundo a Agência Brasil, parte da instituição foi destruída, incluindo o centro de dados e um posto de distribuição de gás. Não houve registro de mortes nesse ataque.

A Agência Brasil informou ainda que, segundo estimativa da Cruz Vermelha Iraniana, pelo menos 600 centros educacionais ou escolas haviam sido atingidos desde o início da guerra. Entre os casos citados está o bombardeio contra uma escola em Minab, no primeiro dia do conflito, que matou 168 crianças do ensino básico.

Estreito de Ormuz concentra tensão sobre petróleo

O Estreito de Ormuz permanece no centro da disputa. A passagem marítima liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e está entre as principais rotas para o transporte de petróleo. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo passava pela região.

O Irã passou a direcionar petroleiros para a ilha de Larak para inspeções. Segundo relatos citados pela BBC News Brasil, as embarcações estariam sendo obrigadas a pagar US$ 2 milhões para atravessar o estreito.

O movimento de navios também permanece muito abaixo do registrado antes da guerra. Segundo a DW, aproximadamente 130 embarcações transitavam diariamente pela região antes do conflito, enquanto apenas uma parcela desse fluxo continuava sendo registrada.

A instabilidade no estreito voltou a pressionar os mercados após os ataques de setembro. Bolsas asiáticas e europeias recuaram, enquanto os preços do petróleo retornaram a níveis não registrados desde julho, segundo o InfoMoney.

Para produtoras como a Petrobras, a valorização da commodity pode favorecer receitas e geração de caixa. O efeito sobre a companhia também depende, entretanto, de fatores como produção, câmbio, política de preços e duração da alta das cotações.

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O que está acontecendo no Estreito de Ormuz tem peso econômico direto e imediato. Um quinto do petróleo consumido no mundo passa por ali, e qualquer ameaça real de bloqueio ou perturbação nessa rota empurra os preços para cima em questão de horas, como os mercados já demonstraram nesta madrugada. Inflação de energia não fica contida no Oriente Médio: ela viaja embutida no custo de frete, de produção industrial e de combustível em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Para o Brasil, o cenário é ambíguo. A Petrobras se beneficia diretamente de petróleo mais caro, o que melhora sua geração de caixa e pode sustentar dividendos. Por outro lado, o país importa derivados e depende de combustíveis cujo preço acompanha o barril internacional, o que pressiona custos de transporte e produção internamente. Além disso, a turbulência nos mercados financeiros globais tende a fortalecer o dólar frente a moedas emergentes, encarecendo importações brasileiras de forma ampla.

No plano político, o isolamento diplomático dos EUA na operação é relevante. França, Itália e Espanha já fecharam espaço aéreo e bases para as forças norte-americanas, e o Brasil recusou participar do Conselho de Paz de Trump. Isso sinaliza que a operação não tem respaldo multilateral sólido, o que complica tanto a sustentação política do conflito quanto eventuais negociações de saída. A ausência de confirmação norte-americana sobre baixas em Erbil e a dificuldade de verificação independente de incidentes civis também indicam que o fluxo de informações é disputado, o que torna difícil antecipar como a escalada vai se comportar nas próximas semanas.

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