
Drone atinge porta-contêineres e MSC suspende novas reservas para porto russo
MSC interrompe operações no porto russo de Novorossiysk após ataque a navio porta-contêineres, afetando rotas de frete internacional e logística marítima.
A MSC suspendeu novas reservas de cargas para o porto russo de Novorossiysk após o porta-contêineres MSC Ulsan III ser atingido por um drone durante uma viagem com destino à Turquia. A decisão, divulgada pelo Container News nesta quinta-feira (27), permanecerá em vigor até que os serviços regulares possam ser retomados com segurança, segundo a companhia.
O incidente ocorreu enquanto o MSC Ulsan III realizava uma viagem carregada de Novorossiysk para Tekirdağ, na Turquia, de acordo com o Container News. A extensão dos danos à embarcação ainda não foi informada, e a responsabilidade pelo ataque não havia sido oficialmente confirmada até a publicação da reportagem.
O MSC Ulsan III navega sob bandeira do Panamá, tem capacidade para aproximadamente 2,7 mil TEUs e foi construído em 2004.
Com a suspensão das novas reservas em Novorossiysk, a MSC orientou os clientes a entrar em contato com o escritório que representa a companhia na Rússia para avaliar alternativas para cargas de importação e exportação.
A empresa informou ainda que mantém suas operações por outros portos russos, incluindo São Petersburgo.
Ataques elevam riscos à navegação no Mar Negro
O ataque ao MSC Ulsan III ocorre em meio ao aumento dos riscos para a navegação comercial no Mar Negro.Ataques ucranianos a navios-tanque atingiram 159 embarcações desde julho.
Entre os episódios registrados estão ataques no terminal offshore do oleoduto do Cáspio, que chegaram a provocar a suspensão temporária das operações do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC).
O episódio envolvendo o MSC Ulsan III acrescenta pressão sobre as operações marítimas na região e leva companhias de navegação a reavaliar rotas e medidas de segurança no Mar Negro.
FUP Explica
O ponto central aqui é o risco operacional crescente no Mar Negro e o que ele obriga as armadoras a fazer. A MSC não suspendeu Novorossiysk por precaução abstrata: um navio dela foi atingido em plena operação comercial, e a resposta foi imediata. Isso sinaliza que a avaliação de risco das grandes operadoras mudou de patamar, e outras companhias que ainda operam na região tendem a revisar suas próprias políticas nas próximas semanas.
Para quem depende de Novorossiysk como ponto de entrada ou saída de carga, o impacto é concreto: reorganizar rotas, negociar novos contratos de frete e absorver custos adicionais de transbordo ou de rotas mais longas. São Petersburgo aparece como alternativa, mas é um porto com dinâmica logística diferente, mais distante de várias origens e destinos, e com capacidade que pode ser pressionada se a demanda migrar de forma concentrada.
No plano mais amplo, o padrão de ataques que já acumula mais de 150 embarcações desde julho aponta para uma escalada que vai além de episódios isolados. Isso cria incerteza jurídica e de seguro marítimo para qualquer operação na região, o que tende a encarecer o custo do frete e a reduzir a oferta de capacidade disponível, independentemente de qual armadora esteja operando.
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