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Demanda por carga aérea cresce 8,5% no mundo e supera comércio internacional
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Demanda por carga aérea cresce 8,5% no mundo e supera comércio internacional

31/07/2026·481 palavras
Demanda de carga aérea cresce 8,5% em junho, impulsionada por produtos de alto valor e tecnologia. Tendência de mercado relevante para exportadores de bens de valor agregado.

A demanda por carga aérea mundial cresceu 8,5% em junho de 2026 em relação ao mesmo mês do ano anterior, superando com folga a expansão de 5,2% registrada pelo comércio internacional no mesmo período. Os dados foram divulgados pela Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) e pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), conforme reportagem da Transporte Moderno publicada em julho de 2026.

Nas operações internacionais, que respondem pela maior parte do mercado, a demanda avançou 9,6%. A IATA atribui o crescimento principalmente ao transporte de produtos de tecnologia de alto valor, cargas com necessidade de entrega imediata e fluxos específicos do comércio internacional, e não a uma expansão generalizada da atividade econômica mundial. O índice de novos pedidos de exportação da indústria permaneceu abaixo da linha de expansão pelo quarto mês consecutivo em junho, sinalizando recuperação desigual das exportações, segundo a entidade.

A capacidade global de transporte aéreo de cargas aumentou 4,4% no período, ritmo inferior ao da demanda, o que indica mercado aquecido e pressão sobre a oferta de espaço, de acordo com a IATA.

O desempenho regional variou de forma expressiva. A América do Norte registrou o maior crescimento, com alta de 13,1% na demanda. Na sequência, vieram Ásia-Pacífico (7,9%), Europa (6,9%), Oriente Médio (5,6%) e África (4,7%). A América Latina e o Caribe tiveram a menor expansão, de 3,5%, enquanto a capacidade regional cresceu 9,8%, ritmo superior ao da demanda local.

As rotas entre Ásia e América do Norte concentraram o maior crescimento do período, impulsionadas pelo transporte de componentes eletrônicos, semicondutores e equipamentos voltados à infraestrutura de inteligência artificial. Esses segmentos passaram a compensar a desaceleração das remessas de comércio eletrônico em alguns mercados.

Os aeroportos brasileiros movimentaram 116,1 mil toneladas de carga em junho de 2026, alta de 6,6% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados da ANAC. No acumulado do primeiro semestre, foram processadas 673,6 mil toneladas, crescimento de 1,4% sobre igual período do ano anterior.

As operações internacionais responderam por 448,2 mil toneladas, representando cerca de dois terços de toda a carga aérea movimentada no país.

Custos e riscos operacionais

O ambiente operacional permanece desafiador. O preço do querosene de aviação recuou 20% em relação a maio de 2026, mas ainda estava 45,8% acima do nível registrado um ano antes, mantendo os custos operacionais elevados, segundo a IATA, via Transporte Moderno. Tensões geopolíticas continuam afetando corredores logísticos, especialmente no Oriente Médio.

A IATA aponta a política tarifária dos Estados Unidos e as tensões geopolíticas no Oriente Médio como os principais riscos para o setor no segundo semestre de 2026. Esse alerta converge com análise da Descartes, que, ao comentar o crescimento de 8,2% nas importações destinadas aos EUA em junho, advertiu que parte do volume aquecido pode refletir antecipação de embarques antes de novas rodadas tarifárias, o que distorce a leitura do mercado e dificulta o planejamento de médio prazo.

FUP Explica

O dado mais relevante aqui não é o crescimento em si, mas o que está por trás dele: a demanda cresce acima da capacidade, o que significa menos espaço disponível e, na prática, pressão de alta sobre as tarifas de frete aéreo. Para quem depende do modal para exportar ou importar produtos de alto valor ou com prazo curto de entrega, esse desequilíbrio tende a encarecer a operação, especialmente nas rotas mais disputadas, como Ásia-América do Norte.

O alerta da Descartes sobre antecipação de embarques para os EUA é um ponto de atenção importante. Se parte do volume de junho reflete corrida para embarcar antes de novas tarifas americanas, o mercado pode estar superestimando a demanda real, e o segundo semestre pode trazer acomodação brusca dos volumes, com reflexo nas tarifas e no planejamento das cadeias de suprimento. Esse tipo de distorção dificulta a leitura de tendência e complica decisões de contratação de espaço aéreo com antecedência.

No caso do Brasil, o crescimento de 6,6% em junho é positivo, mas o acumulado semestral de apenas 1,4% mostra que o país não acompanhou o ritmo mundial. A América Latina como um todo ficou na lanterna regional, com demanda crescendo bem abaixo da capacidade ofertada, o que pode indicar ociosidade e, em tese, tarifas mais comportadas nas rotas regionais. O custo do querosene, ainda 45,8% acima do nível de um ano atrás, segue como fator de pressão estrutural sobre os custos das companhias aéreas de carga, e qualquer repique no preço do combustível pode reverter rapidamente a melhora observada em maio.

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