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Coreia do Norte lança dois mísseis balísticos e provoca reação de Japão, Coreia do Sul e EUA
Disparos partiram da região de Wonsan com poucas horas de diferença e ocorreram em meio a tensões relacionadas a exercícios militares liderados pelos Estados Unidos no Leste Asiático.
A Coreia do Norte lançou dois mísseis balísticos de curto alcance em direção ao Mar do Japão neste domingo, 20 de setembro. Os disparos levaram Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos a intensificar a troca de informações sobre as atividades de Pyongyang. Os projéteis partiram da região de Wonsan, na província de Kangwon, por volta das 15h e das 17h50, com aproximadamente três horas de intervalo, e caíram no mar sem registro de danos a embarcações ou aeronaves.
Os lançamentos ocorreram em meio às críticas norte-coreanas aos recentes exercícios militares realizados pelos Estados Unidos e seus aliados no Leste Asiático.
Segundo a Philippine News Agency, que cita informações do Ministério da Defesa japonês, o primeiro míssil percorreu cerca de 440 quilômetros e atingiu altitude máxima de 60 quilômetros. O segundo percorreu cerca de 590 quilômetros e chegou a 70 quilômetros de altitude. Os dois projéteis teriam caído fora da Zona Econômica Exclusiva do Japão.
As estimativas divulgadas pelos militares sul-coreanos diferem ligeiramente das japonesas. O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul calculou que o primeiro projétil percorreu aproximadamente 450 quilômetros, enquanto o segundo superou os 600 quilômetros. As autoridades informaram que os lançamentos foram acompanhados desde as etapas iniciais e que os dados foram compartilhados entre Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão.
Após os disparos, o governo japonês apresentou um protesto formal à Coreia do Norte por meio de canais diplomáticos em Pequim. O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, afirmou que lançamentos de mísseis balísticos violam resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e representam um problema para a segurança da população japonesa. Até o momento, não foram registrados danos materiais relacionados aos projéteis.
As consultas diplomáticas continuaram nesta segunda-feira (21). Representantes da Coreia do Sul, dos Estados Unidos e do Japão conversaram por telefone para compartilhar informações e discutir possíveis respostas aos lançamentos. As consultas envolveram autoridades responsáveis pela política para a Península Coreana nos três países.
Os disparos representam o 14º episódio de lançamento de mísseis balísticos realizado pela Coreia do Norte em 2026 e o primeiro em oito dias, segundo o Estado-Maior Conjunto sul-coreano. Em 12 de setembro, Pyongyang já havia lançado outros projéteis a partir da região de Wonsan. Dois dias depois, a mídia estatal norte-coreana informou que o país havia realizado um exercício de ataque com unidades de artilharia e diferentes sistemas de armas, entre eles drones de ataque, mísseis de cruzeiro táticos, lançadores múltiplos de foguetes de grande calibre e mísseis balísticos táticos.
O episódio ocorre em meio às declarações de Pyongyang sobre seu status nuclear teria atingido um nível "irreversível" e após um exercício que reuniu mísseis, drones e artilharia.
Kim Yo Jong, irmã do líder Kim Jong Un e dirigente do Partido dos Trabalhadores, também criticou os exercícios militares conduzidos pelos Estados Unidos e afirmou que Pyongyang poderia adotar medidas de resposta caso considerasse seus interesses de segurança ameaçados.
Entre as atividades criticadas por Pyongyang está o Pacific Vanguard, manobra marítima multinacional liderada pela 7ª Frota dos Estados Unidos. O governo norte-coreano também tem condenado operações envolvendo Washington, Seul e Tóquio, classificando-as como ameaças à sua segurança. Os países participantes, por sua vez, afirmam que essas atividades fazem parte da cooperação defensiva diante do desenvolvimento dos programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte.
Os novos disparos também antecedem uma semana marcada por compromissos diplomáticos, com o início da Assembleia Geral das Nações Unidas e uma reunião prevista entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. Enquanto isso, autoridades sul-coreanas, norte-americanas e japonesas seguem acompanhando as atividades militares de Pyongyang e compartilhando informações por meio do mecanismo utilizado após lançamentos de mísseis.
FUP Explica
Ser o 14º lançamento de mísseis balísticos em menos de um ano indica que Pyongyang mantém um calendário de testes deliberadamente acelerado, usando cada exercício militar dos aliados como pretexto para uma demonstração própria. A declaração de status nuclear "irreversível" e o exercício combinado de dias antes reforçam que o regime não está apenas testando tecnologia: está enviando uma mensagem política de que não há mais espaço para negociação sobre o programa nuclear em si.
Do ponto de vista diplomático, o timing é relevante. Os lançamentos acontecem na véspera da Assembleia Geral da ONU e de uma reunião prevista entre Trump e Xi Jinping, dois fóruns onde a questão norte-coreana tende a aparecer. Pyongyang tem histórico de usar provocações militares para pautar a agenda internacional e pressionar por atenção ou concessões antes de grandes encontros diplomáticos.
A China, canal pelo qual o Japão encaminhou seu protesto formal, ocupa uma posição incômoda: é o principal parceiro econômico de Pyongyang e, ao mesmo tempo, interlocutora esperada pelos Estados Unidos para conter o regime.
Para Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos, o mecanismo trilateral de compartilhamento de informações ativado após cada lançamento funciona como sinal de coesão, mas também expõe a limitação prática das respostas disponíveis. Resoluções do Conselho de Segurança da ONU seguem sendo violadas sem consequência imediata, e o regime demonstra capacidade crescente de combinar diferentes sistemas de armas.
A pergunta que fica é se a escalada continuada de Pyongyang vai pressionar os aliados a rever a postura apenas defensiva ou se o padrão de contenção e monitoramento se mantém como resposta predominante.




