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Copom avalia novo corte de juros em meio à queda da inflação projetada
Economia

Copom avalia novo corte de juros em meio à queda da inflação projetada

03/08/2026·540 palavras
Reunião do Copom para definição da taxa Selic impacta custos de financiamento e câmbio para operações de comex. Decisão de política monetária relevante para importadores e exportadores.

A reunião do Copom que vai definir o novo patamar da taxa Selic começará nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026, com a decisão prevista para a noite de quarta-feira, 5 de agosto, conforme informou a Agência Brasil. É o quinto encontro do Comitê de Política Monetária do Banco Central no ano.

O formato da reunião segue o padrão habitual: no primeiro dia, técnicos apresentam análises sobre os cenários econômicos doméstico e internacional; no segundo, os membros do comitê votam, por maioria simples, a meta da taxa básica.

A taxa está no menor nível de 2026. Esse patamar foi alcançado após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual, realizadas nas reuniões de março, abril e junho, de acordo com os comunicados oficiais do Banco Central. Em janeiro, o Copom havia mantido a Selic em 15% ao ano; em março, cortou para 14,75%; em abril, para 14,50%; e em junho, para os atuais 14,25%, ocasião em que o comitê afirmou que "julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária".

Para contextualizar a trajetória mais longa: em março de 2025, o Banco Central havia elevado a Selic de 13,25% para 14,25% ao ano, pressionado pelo preço dos alimentos e da energia, em movimento que representou a quinta alta consecutiva à época, segundo reportagem da Agência Brasil de 19 de março de 2025.

O Boletim Focus divulgado na segunda-feira, 3 de agosto, trouxe uma mudança relevante nas projeções: a mediana das estimativas para a Selic ao fim de 2026 recuou de 14% para 13,75%, após cinco semanas de estabilidade, conforme a Agência Brasil. O dado indica que o mercado financeiro precifica pelo menos mais um ou dois cortes até dezembro.

Contratos de Opções de Copom negociados na B3, com dados apurados até 7 de julho, apontavam probabilidade de 75,5% para um corte de 0,25 ponto percentual nesta reunião, com manutenção da taxa aparecendo em cerca de 21% das apostas e um corte de 0,50 ponto em apenas 2,3% dos contratos, conforme cobertura anterior do FUP News.

No mesmo Boletim Focus de 3 de agosto, os analistas consultados pelo Banco Central reduziram pela quinta semana consecutiva a projeção para o IPCA em 2026: a estimativa passou de 5,12% para 5,03%. Apesar da melhora, o número permanece acima do teto da meta contínua de inflação, que é de 4,5%, resultado da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O sistema de meta contínua está em vigor desde janeiro de 2025.

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Como funciona a Selic e o rito do Copom

A taxa Selic é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional e serve de referência para as demais taxas da economia, sendo o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, conforme o próprio Banco Central. Quando o Copom eleva a taxa, o crédito encarece, a poupança é estimulada e a demanda tende a recuar; quando a taxa cai, o crédito fica mais barato, favorecendo consumo e investimentos, de acordo com a Agência Brasil.

O comitê se reúne a cada 45 dias, com calendário anual divulgado com antecedência, segundo a XP Investimentos. A ata de cada reunião é publicada uma semana após a decisão.

FUP Explica

O cenário mais provável, segundo o mercado, é um novo corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic para 14% ao ano. Mesmo assim, a taxa continuaria em patamar elevado, e o Banco Central tem razão de ser cauteloso: a inflação projetada para 2026 ainda está em 5,03%, bem acima do teto de 4,5% da meta contínua. Isso limita o espaço para cortes mais agressivos e tende a segurar o ritmo do ciclo de afrouxamento.

No campo econômico mais amplo, juros altos encarecem o crédito para empresas e famílias, o que contém o consumo e o investimento. Um corte gradual alivia esse custo, mas o efeito prático demora a chegar à economia real. Para o câmbio, a dinâmica é relevante: com os juros americanos mantidos pelo Fed no intervalo de 4,25% a 4,50% ao ano, o diferencial entre as taxas brasileira e americana ainda favorece o real, mas cada corte do Copom reduz esse colchão e pode pressionar a moeda, o que, por sua vez, afeta o custo de produtos importados e a competitividade de exportadores.

Politicamente, o ciclo de cortes é bem-vindo para o governo, que enfrenta pressão por crescimento econômico, mas o Banco Central precisa equilibrar esse interesse com a credibilidade da política monetária, especialmente enquanto a inflação não converge para a meta. A decisão de quarta-feira vai sinalizar não só o que acontece agora, mas o ritmo que o comitê pretende manter até o fim do ano.

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