FUP News
CMA CGM eleva sobretaxa do Canal do Panamá para US$ 250 por TEU
Marítimo

Imagem gerada por IA

CMA CGM eleva sobretaxa do Canal do Panamá para US$ 250 por TEU

19/08/2026·450 palavras
CMA CGM anuncia atualização de sobretaxa de trânsito do Canal do Panamá para cargas do Extremo Oriente para América Latina e Caribe, com vigência a partir de 26 de agosto de 2026. Precedente editorial reforça relevância para profissionais de comex com operações nessas rotas.

A CMA CGM anunciou a atualização de sua sobretaxa de trânsito do Canal do Panamá para cargas originárias do Extremo Oriente com destino à América Latina e ao Caribe, com vigência a partir de 26 de agosto de 2026. O valor fixado é de US$ 250 por TEU. Para territórios dos EUA e da Colômbia, a data efetiva recua para 6 de setembro de 2026.

O recargo abrange cargas com destino à Costa Leste da América Central, Caribe, Leewards, Windwards, Costa Leste do México e Guiana. No Brasil, a sobretaxa aplica-se exclusivamente a Manaus.

A medida não é a primeira do tipo em 2026. O armador elevou sua surcharge de US$ 40 para US$ 100 por TEU com vigência em 25 de julho de 2026 para embarques da Ásia com destino à América Central, Caribe, Costa Norte da América do Sul e Manaus. Para rotas com destino à Costa Leste e ao Golfo dos EUA, a CMA CGM também aumentou seu Panama Canal Adjustment Factor de US$ 320 para US$ 500 por TEU, com vigência em 10 de setembro de 2026, excetuando embarques de Bangladesh para a Costa Leste norte-americana.

O pano de fundo dos reajustes é a redução progressiva do calado máximo autorizado para navios que utilizam as eclusas Neopanamax do canal. A autoridade canaleira adotou a medida como preparação para possíveis condições de El Niño. A redução final programada baixará o calado máximo para 47,5 pés a partir de 3 de setembro de 2026, ante o limite padrão de 50 pés, o que representa uma queda de 5% no calado permitido.

Embora a autoridade canaleira afirme que as limitações não reduzirão o número de trânsitos diários, navios podem ser forçados a carregar menos contêineres para cumprir o calado reduzido, elevando o custo operacional por TEU transportado.

A CMA CGM não está sozinha nos reajustes. A MSC introduziu uma Panama Canal Surcharge de US$ 100 por TEU com vigência nesta quarta-feira (19) para cargas do Sudeste Asiático, China, Coreia e Japão com destino à Costa Leste e ao Golfo dos EUA, também citando as restrições operacionais do canal.

Transparência e base dos cálculos

Segundo análise da Drewry Maritime Research, a perda de capacidade de carga decorrente das restrições de calado fornece base razoável para que as transportadoras recuperem custos adicionais por meio de sobretaxas. Por outro lado, analistas criticam a falta de transparência das armadoras ao explicar como as mudanças operacionais afetam seus custos ou como os valores individuais das sobretaxas são calculados.

O Canal do Panamá registrou 6.288 trânsitos entre outubro de 2025 e março de 2026, aumento de 224 passagens em relação ao período anterior, com tonelagem total de 254 milhões de toneladas, alta de 5%.

FUP Explica

O movimento da CMA CGM não é isolado: MSC e Maersk também revisaram suas sobretaxas para rotas que passam pelo Canal do Panamá em agosto de 2026, o que indica uma pressão setorial coordenada, ainda que cada armadora fixe seus próprios valores e datas. Quando as principais linhas sobem juntas, o importador tem pouca margem para negociar frete em outras transportadoras, porque a referência de mercado sobe junto.

Para operadores com fluxo Extremo Oriente-Manaus, o impacto é direto: US$ 250 por TEU é um custo adicional que entra no cálculo do frete e, dependendo do contrato, pode ser repassado ao importador ou absorvido pela margem do operador. A Zona Franca de Manaus concentra importação relevante de bens de consumo e insumos industriais vindos da Ásia, então qualquer alta de frete nessa rota tende a pressionar o custo final dos produtos que passam pelo polo industrial local.

A crítica da Drewry sobre falta de transparência no cálculo das sobretaxas é um ponto que merece atenção: sem metodologia clara, fica difícil para o importador ou o freight forwarder contestar o valor ou projetar com segurança o custo de frete nos próximos meses. Num cenário em que as restrições de calado podem se aprofundar até setembro, novas revisões tarifárias não estão descartadas.

Compartilhar:WhatsAppX (Twitter)LinkedIn

Leia também