
CMA CGM anuncia sobretaxa de US$ 300 por TEU em rota para África Ocidental
CMA CGM anuncia atualizações de sobretaxas de pico sazonal e de baixa água em rotas de exportação da América do Sul, impactando custos de frete para exportadores brasileiros.
A CMA CGM anunciou mudanças em sobretaxas aplicadas a duas rotas internacionais, com vigência a partir de setembro e outubro de 2026. A armadora cobrará uma Sobretaxa de Temporada Alta (PSS) de US$ 300 por TEU nos embarques da China para a África Ocidental a partir de 8 de setembro e adiou para 1º de outubro a entrada em vigor de uma Sobretaxa de Baixa Água (LWS) de US$ 150 por TEU na costa oeste da América do Sul, segundo informações publicadas pelo Container News.
Na rota entre China e África Ocidental, a PSS será aplicada às cargas originadas da China e de suas Regiões Administrativas Especiais transportadas sob contratos de curto prazo. A data de carregamento será utilizada como referência para determinar a incidência da cobrança.
Na costa oeste da América do Sul, a Sobretaxa de Baixa Água estava inicialmente prevista para entrar em vigor em 1º de setembro, mas foi adiada em um mês pela companhia.
A Sobretaxa de Temporada Alta terá valor de US$ 300 por TEU e será aplicada a todas as mercadorias abrangidas pela medida nos embarques da China e de suas Regiões Administrativas Especiais para a África Ocidental. A cobrança começa em 8 de setembro de 2026 e considera a data de carregamento da carga. A medida abrange mercadorias transportadas sob contratos de curto prazo.
As sobretaxas de temporada alta são utilizadas no transporte marítimo de contêineres em períodos de maior demanda por capacidade e são cobradas adicionalmente ao frete-base e a outros encargos aplicáveis ao transporte.
Sobretaxa de baixa água é adiada para outubro
Na costa oeste da América do Sul, a CMA CGM adiou de 1º de setembro para 1º de outubro de 2026 a entrada em vigor da Sobretaxa de Baixa Água. A LWS terá valor de US$ 150 por TEU. A cobrança será aplicada às cargas abrangidas pela medida na rota.
Esse tipo de cobrança pode ser adotado quando condições de navegabilidade, como baixos níveis de água, impõem restrições operacionais às embarcações e podem afetar sua capacidade de transporte.
A CMA CGM também anunciou outras alterações tarifárias em diferentes rotas ao longo de 2026. Em agosto, a companhia havia aplicado Sobretaxas de Temporada Alta em rotas destinadas à África do Sul, Maurício e Madagascar. Nesses casos, os valores variavam entre US$ 100 e US$ 400 por TEU, de acordo com a origem e o destino dos embarques.
FUP Explica
As duas atualizações afetam lados diferentes da operação. A PSS de US$ 300 por TEU na rota China-África Ocidental pesa sobre importadores africanos e sobre exportadores asiáticos que absorvem parte desse custo na negociação, mas não tem relação direta com o comércio exterior brasileiro. Já a LWS de US$ 150 por TEU na costa oeste da América do Sul é outra história: portos do Peru e do Chile são saída relevante para cargas brasileiras que chegam até lá por transporte terrestre ou cabotagem antes de seguir para destinos na Ásia e na Europa, então exportadores que usam essa rota sentem o aumento diretamente no custo do frete.
O ponto que merece atenção é a estrutura de aplicação. Como a data de referência é o carregamento, não a contratação, quem fechou frete de curto prazo antes do anúncio e ainda não embarcou pode ser surpreendido pela cobrança. Contratos de longo prazo tendem a ter proteção contra esse tipo de ajuste, o que reforça a vantagem de acordos mais estruturados em rotas com histórico de sobretaxas sazonais.
O adiamento de setembro para outubro na LWS pode indicar que a armadora avaliou que as condições de navegabilidade ou a demanda na rota não justificavam a cobrança imediata, mas o anúncio já sinaliza que o custo vem. Quem opera nessa rota tem até o início de outubro para ajustar cotações e renegociar condições com clientes, se for o caso.




