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Brasil é o terceiro país com mais ciberataques no mundo
O Brasil apresenta alta exposição a ciberataques e enfrenta dificuldades para identificar invasões, segundo o ESET Security Report 2026. O alerta reforça um padrão que outros levantamentos recentes também documentaram: o país ocupa a terceira posição mundial em casos de ransomware, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia, e lidera com folga na América Latina, conforme o Relatório de Ameaças Cibernéticas da Acronis referente ao segundo semestre de 2025.
Os dados da Acronis mostram que os ataques por e-mail subiram 16% por empresa e 20% por usuário na comparação com o período anterior ao relatório. O phishing segue como a principal porta de entrada, responsável por 52% dos ataques a provedores de serviços gerenciados e por 83% de todas as ameaças transmitidas por e-mail.
Quanto aos canais de acesso utilizados nas invasões, a identidade digital lidera com 89% dos casos, categoria que engloba usuários, logins, credenciais de acesso e contas corporativas. Em seguida aparecem os endpoints, como computadores, notebooks, celulares e dispositivos de bordo, com 61%, e as redes, com 50%.
No campo das ferramentas exploradas, o PowerShell, recurso nativo do sistema Windows, tornou-se o mais utilizado por criminosos no Brasil, repetindo padrão observado nos Estados Unidos e na Alemanha.
Setores afetados e o papel da inteligência artificial
Os ciberataques têm atingido diferentes segmentos. O setor marítimo é um exemplo documentado: relatório da Marlink referente ao segundo semestre de 2024 revelou ameaças crescentes e sofisticadas contra embarcações cada vez mais conectadas. No período, a rede SOC da empresa monitorou 1.998 embarcações e registrou 9 bilhões de eventos de segurança, 39 bilhões de eventos de firewall, 718 mil alertas, 10.700 incidentes com malware e 50 incidentes classificados como importantes. O e-mail foi um dos principais vetores nesse setor, com usuários expostos a phishing, anexos infectados e links enganosos.
A sofisticação das ameaças também avançou com o uso de inteligência artificial por parte dos criminosos. Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs) vêm sendo empregados para desenvolver malwares, automatizar campanhas de phishing e explorar vulnerabilidades conhecidas. Para o presidente da Marlink, Nicolas Furgé, o segundo semestre de 2024 marcou uma evolução acentuada nas técnicas utilizadas pelos atacantes.
O cenário descrito pelo ESET Security Report 2026 e pelos relatórios complementares indica que a combinação de alta exposição, dificuldade de detecção e ferramentas cada vez mais acessíveis aos criminosos coloca o Brasil em posição de atenção no mapa mundial de ameaças digitais.
FUP Explica
O quadro descrito pelo ESET Security Report 2026 tem implicações diretas para empresas de todos os portes. A dificuldade de identificar invasões é talvez o ponto mais crítico: quando uma organização demora para perceber que foi comprometida, o dano já se espalhou pela rede, os dados já foram exfiltrados e o custo de resposta cresce exponencialmente. Isso pesa mais sobre empresas sem equipe de segurança dedicada, que são a maioria no Brasil.
O fato de a identidade digital ser o principal vetor de entrada, à frente de falhas técnicas em sistemas, mostra que o problema não é só tecnológico: é também de cultura organizacional. Senhas fracas, reutilização de credenciais e ausência de autenticação em múltiplos fatores continuam abrindo portas que nenhum firewall fecha. O PowerShell como ferramenta favorita dos atacantes agrava isso porque é um recurso legítimo do Windows, o que dificulta a detecção por soluções de segurança convencionais.
O uso crescente de inteligência artificial pelos criminosos tende a acelerar esse ciclo: ataques de phishing ficam mais convincentes, malwares são gerados em escala e vulnerabilidades são exploradas antes que as empresas consigam aplicar correções. Para quem opera em setores com infraestrutura crítica ou cadeia logística complexa, como o marítimo, o risco é ainda maior porque uma invasão pode paralisar operações físicas, não apenas sistemas de escritório.
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