
BNDES libera R$ 10,6 milhões para uso de IA na logística de combustíveis
BNDES financia soluções digitais para otimização da logística de petróleo e gás; contexto relevante para supply chain de commodities exportáveis, mas sem urgência regulatória ou operacional imediata.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 10,6 milhões para a AutoMind desenvolver soluções digitais destinadas à logística de combustíveis e ao setor de óleo e gás. Os recursos, provenientes do programa BNDES Mais Inovação, serão aplicados em pesquisa, desenvolvimento, validação, lançamento e implementação de tecnologias de automação e inteligência artificial, segundo o Transporte Moderno.
O financiamento integra o Plano AutoMind 2030, que prevê o desenvolvimento de novos produtos digitais e o fortalecimento da atuação internacional da empresa brasileira de automação industrial. A estratégia combina inteligência artificial e software como serviço (SaaS) para automatizar processos, integrar dados e elevar a produtividade de terminais e bases de distribuição de combustíveis e outros granéis líquidos.
Parte dos recursos será destinada ao desenvolvimento de duas plataformas, o Autoload Cloud e o AutoChecker, além de novas ferramentas para operações do setor de óleo e gás.
O Autoload Cloud, em estágio mais avançado de desenvolvimento, automatiza e gerencia a movimentação de granéis líquidos em terminais e bases de distribuição. A plataforma integra etapas como agendamento, controle de pátio e acesso, pesagem, carregamento e descarregamento. O sistema também permite acompanhar operações nos modais rodoviário, ferroviário, dutoviário e marítimo, além de gerenciar estoques e possibilitar o acompanhamento remoto das atividades. A tecnologia está sendo implementada em uma base de combustíveis em Balsas, no Maranhão.
A segunda solução, denominada AutoChecker, é destinada à conferência e ao gerenciamento de documentos utilizados no transporte de produtos perigosos, entre eles combustíveis.
A plataforma recebe documentos, extrai e organiza informações, cruza os dados com bases externas e identifica inconsistências. O sistema também sinaliza documentos próximos do vencimento e mantém um histórico das verificações realizadas.
Recursos financiarão novas ferramentas para óleo e gás
Parte dos R$ 10,6 milhões será destinada ao desenvolvimento de outros sistemas para empresas do setor de óleo e gás. Entre os projetos previstos estão ferramentas de Business Intelligence para terminais e bases de distribuição e sistemas que integram automação industrial e gestão de estoques em plantas de processamento de gás natural, segundo o Transporte Moderno.
O plano também contempla a digitalização do ciclo comercial e logístico de empresas Transportador-Revendedor-Retalhista (TRR), ferramentas para gestão metrológica em operações de transferência de petróleo e derivados e sistemas para automatizar a elaboração de Planos de Gerenciamento de Riscos.
FUP Explica
O financiamento do BNDES para a AutoMind é relevante principalmente pelo que revela sobre a maturidade do setor de automação industrial brasileiro: uma empresa nacional consegue captar recursos públicos para desenvolver tecnologia de ponta em um segmento dominado historicamente por fornecedores internacionais, e ainda com plano de internacionalização em curso. Isso tem peso econômico e industrial, não só operacional.
Do ponto de vista do setor de óleo e gás, as soluções em desenvolvimento atacam gargalos reais: controle documental no transporte de produtos perigosos, rastreabilidade de operações em terminais e gestão metrológica em transferências de petróleo são pontos críticos de conformidade regulatória e eficiência. Se as plataformas entregarem o que prometem, o ganho pode ser sentido tanto em custo operacional quanto em redução de não conformidades junto a órgãos reguladores.
A aposta na internacionalização, com escritório em Houston desde 2023, indica que a AutoMind não está desenvolvendo produto para uso interno: quer competir no mercado norte-americano de infraestrutura de energia. O BNDES, ao financiar esse ciclo de desenvolvimento, assume parte do risco de uma empresa que ainda precisa validar suas soluções em escala e em mercados mais exigentes. O sucesso ou fracasso dessa aposta vai depender menos do financiamento em si e mais da capacidade de execução da companhia nos próximos anos.
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