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CEVA testa substituição de caminhões a diesel por veículos autônomos em Singapura
Projeto piloto utiliza dois veículos da Zelostech para transportar cargas entre os oito andares do Blue Hub e pode reduzir emissões de CO₂ em pelo menos 4,6 toneladas por ano
A CEVA Logistics iniciou nesta segunda-feira (14) um projeto piloto com veículos elétricos autônomos em seu Blue Hub, centro logístico localizado em Singapura, para testar uma alternativa à movimentação interna feita por caminhões a diesel. A operação utiliza dois veículos Zelostech Z10 para transportar paletes, caixas e outros itens de estoque entre diferentes andares do edifício, aproveitando as rampas existentes e sem exigir modificações na infraestrutura.
Além de reduzir emissões, a iniciativa busca ampliar a flexibilidade das transferências de mercadorias e melhorar o aproveitamento das áreas de armazenagem.
Os testes são realizados em um complexo de oito andares e 50 mil metros quadrados que atende clientes dos setores de bens de luxo, beleza, varejo e saúde. De acordo com a Container News, a expectativa da CEVA é que os dois veículos autônomos permitam uma redução de pelo menos 4.600 quilos de CO₂ por ano, caso o desempenho observado durante o projeto confirme as projeções da companhia.
Os veículos foram desenvolvidos para circular de forma autônoma pelas instalações e conseguem utilizar as rampas que conectam os diferentes níveis do prédio. Com isso, a tecnologia realiza deslocamentos verticais dentro do centro logístico sem que a CEVA precise adaptar ou reconstruir a estrutura existente, um dos aspectos avaliados durante a fase experimental.
A companhia pretende verificar se os equipamentos podem assumir parte das atividades atualmente realizadas por veículos movidos a diesel dentro do Blue Hub. Ao mesmo tempo, o projeto busca tornar o fluxo interno de cargas mais flexível, permitindo transferências entre áreas de estoque conforme as necessidades da operação e reduzindo a dependência de métodos convencionais de transporte dentro do complexo.
O teste se integra a uma estrutura que já possui diferentes tecnologias de automação. O Blue Hub utiliza sistemas de goods-to-person, nos quais os produtos são levados automaticamente aos trabalhadores, além de veículos guiados automaticamente e soluções de robótica. A adoção dos veículos autônomos amplia, portanto, o conjunto de tecnologias aplicadas pela CEVA à movimentação e à gestão das cargas dentro da instalação.
A parceria com a Zelostech surgiu após o CMA CGM Startup Awards 2025, iniciativa organizada em conjunto com a aceleradora de inovação ZEBOX. A empresa de tecnologia esteve entre as vencedoras da edição e recebeu financiamento para desenvolver uma prova de conceito em parceria com o Grupo CMA CGM, controlador da CEVA Logistics.
Com os veículos em operação experimental em Singapura, a CEVA pretende utilizar os resultados para avaliar a viabilidade de levar a tecnologia a outras instalações de sua rede internacional. Entre os pontos analisados estarão a eficiência operacional, a capacidade de integração dos veículos à rotina dos centros logísticos e os ganhos ambientais proporcionados pela substituição de equipamentos movidos a combustíveis fósseis.
"Nosso foco é aprimorar continuamente a eficiência e oferecer melhores soluções logísticas para nossos clientes", afirmou Guy Meredith, vice-presidente de Logística Contratada para a região Ásia-Pacífico da CEVA Logistics. Segundo o executivo, a companhia também vem trabalhando com empresas de tecnologia em diferentes mercados da região para incorporar automação e inteligência artificial às operações da cadeia de suprimentos.
A iniciativa em Singapura funciona, assim, como uma etapa de validação para uma eventual expansão dos veículos autônomos. Caso os testes confirmem os ganhos esperados de eficiência, flexibilidade e redução de emissões, a tecnologia poderá passar a integrar outros centros da CEVA, ampliando o uso de soluções elétricas e autônomas nas operações internas da companhia.
FUP Explica
O que a CEVA está fazendo em Singapura é, no fundo, um teste de substituição de equipamento dentro de um armazém, mas com implicações que vão além de uma única instalação. O ponto central é a escala: se dois veículos autônomos conseguirem cortar mais de 4,6 toneladas de CO₂ por ano num único complexo, a multiplicação desse resultado por dezenas de centros logísticos ao redor do mundo representa uma pressão real sobre as metas de descarbonização que grandes operadores de logística vêm assumindo publicamente. Isso pesa tanto na dimensão ambiental quanto na econômica, porque reduzir emissões por unidade de operação pode ser decisivo para cumprir compromissos com clientes corporativos que exigem relatórios de pegada de carbono na cadeia de suprimentos.
No plano operacional, o teste revela uma aposta na automação vertical, ou seja, na movimentação entre andares de armazéns multipisos, que é um gargalo pouco discutido mas relevante em centros logísticos urbanos de alta densidade, como os de Singapura. O fato de os veículos aproveitarem rampas existentes sem exigir obras reduz a barreira de entrada para a tecnologia, o que tende a acelerar a adoção caso os resultados sejam positivos. Por outro lado, a dependência de uma startup vencedora de um prêmio interno do grupo CMA CGM levanta a questão da maturidade tecnológica: o piloto existe justamente para responder se a solução funciona em escala real, e o resultado ainda não é conhecido.
Para o setor de logística contratada de forma mais ampla, o movimento da CEVA sinaliza que a automação interna de armazéns está deixando de ser diferencial para se tornar requisito competitivo, especialmente em mercados asiáticos onde o custo de mão de obra e as exigências ambientais crescem juntos. A expansão para outras instalações da rede dependerá dos dados gerados agora em Singapura, e esse processo de validação pode levar tempo, sem prazo divulgado pela companhia.
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