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Ceará dispara no ranking nacional de locação logística
O Ceará registrou o segundo maior preço médio de locação logística do Brasil no segundo trimestre de 2026, com R$ 34,60 por metro quadrado ao mês em condomínios de alto padrão. O dado é da consultoria Colliers e posiciona o estado praticamente empatado com o Distrito Federal, que lidera o ranking com R$ 35,00/m², e acima de São Paulo, que registrou R$ 33,70/m² no mesmo período.
O valor cearense fica acima da média nacional de R$ 30,00/m² ao mês, que permaneceu estável no primeiro semestre de 2026. O resultado coloca o Ceará entre os mercados logísticos mais valorizados do país, à frente de praças tradicionais como São Paulo.
O mercado brasileiro de condomínios logísticos de alto padrão encerrou o segundo trimestre de 2026 no melhor momento de sua história, segundo a Colliers. A taxa nacional de vacância caiu para 5%, o menor índice da série histórica do setor, enquanto a devolução de áreas por locatários atingiu o nível mais baixo dos últimos sete anos.
O estoque nacional cresceu 8% nos últimos 12 meses, impulsionado principalmente por novos empreendimentos em São Paulo, mas a procura por espaços segue superior à oferta disponível. Cerca de 2 milhões de metros quadrados estavam em construção no país em meados de 2026, de acordo com a consultoria.
E-commerce como principal motor da demanda
As cinco maiores locações registradas no primeiro semestre de 2026 foram realizadas por empresas ligadas ao comércio eletrônico. O e-commerce permanece como o principal motor da demanda por condomínios logísticos no país, refletindo a necessidade crescente de centros de distribuição próximos dos grandes centros consumidores.
Ricardo Betancourt, CEO da Colliers, afirmou que os indicadores do primeiro semestre de 2026 confirmam a maturidade do segmento. Segundo ele, a vacância no menor nível histórico tem estimulado o desenvolvimento de novos empreendimentos e a ampliação do estoque. Para o segundo semestre de 2026, a expectativa da consultoria é de continuidade do cenário, com absorção positiva e novos lançamentos ganhando espaço.
A Colliers não detalhou no levantamento quais empresas ou setores específicos respondem pela demanda no Ceará, nem informou o estoque total de condomínios logísticos no estado ou na Região Metropolitana de Fortaleza em 2026.
FUP Explica
O dado da Colliers é relevante porque inverte uma percepção comum no setor: São Paulo não é mais o mercado mais caro para locar galpão logístico no Brasil. O Ceará, que historicamente era visto como mercado emergente e secundário, agora precifica acima da maior praça do país. Isso tem consequências diretas para quem opera ou planeja operar no estado, seja montando um centro de distribuição, seja renovando contrato: o custo de ocupação no Ceará está próximo do topo nacional, o que pode pressionar margens em operações que usaram o Nordeste como alternativa mais barata ao Sudeste.
Do ponto de vista econômico, a valorização reflete que a demanda por espaço logístico no estado cresceu mais rápido do que a oferta, o que é um sinal de aquecimento real da atividade. Com vacância nacional em 5% e devolução de áreas no menor nível em sete anos, o mercado como um todo está apertado, e mercados regionais que antes tinham folga passaram a sentir a mesma pressão de São Paulo. Para o Ceará, isso pode atrair novos empreendimentos e ampliar o estoque, mas no curto prazo o locatário tem pouco poder de negociação.
Há também uma dimensão de comércio exterior que vale acompanhar: o Ceará concentra infraestrutura portuária relevante, e a combinação de galpão caro com porto ativo pode influenciar decisões de empresas que usam o estado como ponto de entrada ou saída de mercadorias. A Colliers não trouxe dados sobre quais setores puxam a demanda no estado, o que deixa em aberto se o movimento é liderado pelo e-commerce doméstico, como no restante do país, ou se há componente de operações de comércio exterior nessa equação.



