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Brasil apresenta concessões portuárias e hidroviárias a gigantes chinesas
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Brasil apresenta concessões portuárias e hidroviárias a gigantes chinesas

25/08/2026·540 palavras
Governo apresenta carteira de concessões portuárias e aeroportuárias a grupos chineses; inclui acordo para corredor marítimo com Singapura. Relevante para infraestrutura de comex e relações comerciais Brasil-China.

O governo brasileiro iniciou nesta segunda-feira (24), uma rodada de reuniões na China para apresentar concessões portuárias, hidroviárias e aeroportuárias a investidores e empresas chinesas. A missão é liderada pelo ministro de Portos e Aeroportos Tomé Franca e se estende até 29 de agosto, com agenda também em Singapura.

No primeiro dia de compromissos, Franca se reuniu com representantes da China State Construction Engineering Corporation (CSCEC), da China Communications Construction Company (CCCC) e da China Merchants Port Holdings. A programação completa inclui ainda encontros com COFCO, Hutchison Ports, Shanghai Dredging Company e COSCO Shipping, grupos que atuam em construção, infraestrutura, operação portuária e transporte marítimo.

Em Xangai, a delegação brasileira terá reuniões com Hutchison Ports, Shanghai Dredging Company e COSCO Shipping. A agenda na cidade inclui a inauguração de um escritório de representação do Porto de Itapoá.

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) apresentará projetos da carteira federal com possibilidade de participação privada. O governo não informou o valor total dos projetos que serão exibidos aos investidores.

A missão ocorre em um momento de crescimento expressivo do fluxo de capital chinês para o país. Segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), os investimentos de empresas chinesas no Brasil somaram US$ 6,1 bilhões em 2025, crescimento de 45% em relação a 2024. O Brasil respondeu por 10,9% dos investimentos chineses realizados no exterior naquele ano e foi o principal destino mundial desses recursos.

O interesse chinês em infraestrutura portuária brasileira tem histórico concreto. O grupo CMPort controla 90% do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) desde 2018 e realizou investimentos anteriores superiores a R$ 600 milhões no terminal, que se tornou o maior da América do Sul. Mais recentemente, o MPor firmou acordo com a CMPort para uma nova expansão do TCP, com investimentos superiores a R$ 1,5 bilhão.

Essa não é a primeira vez que o governo apresenta seu portfólio de concessões a investidores internacionais. Em março de 2025, o então ministro Silvio Costa Filho levou a carteira de portos e hidrovias a representantes de empresas da Arábia Saudita. Na ocasião, o secretário Nacional de Portos informou que o Brasil ofereceria mais de 40 leilões nos dois anos seguintes, incluindo concessões para granéis sólidos, líquidos e vegetais, conforme registrou o Portos e Navios.

A delegação também terá encontro com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco do Brics, e com sua presidente, Dilma Rousseff. Está prevista ainda reunião com a Administração de Aviação Civil da China (CAAC), segundo o Transporte Moderno.

Acordo com Singapura para corredor verde marítimo

Ao final da missão, em Singapura, está prevista a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o MPor, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e o Ministério dos Transportes de Singapura. O acordo criará um Corredor Verde e Digital de Navegação entre os dois países, com cooperação em descarbonização e digitalização do transporte marítimo.

Os chamados corredores verdes são utilizados pelo setor para testar e desenvolver rotas com menor intensidade de carbono, envolvendo portos, armadores, fornecedores de combustíveis e outros participantes da cadeia marítima. A agenda em Singapura inclui ainda reunião com representantes da PSA International, uma das maiores operadoras portuárias do mundo, visita técnica ao Porto de Tuas e encontro com o Ministério dos Transportes do país.

FUP Explica

A missão do ministro Tomé Franca à China e a Singapura sinaliza que o governo Lula aposta no capital chinês como uma das principais fontes de financiamento para expandir a infraestrutura de transportes do país. Com US$ 6,1 bilhões investidos em 2025 e o Brasil como principal destino mundial dos recursos chineses no exterior, há um ambiente favorável para que grupos como CCCC, CSCEC e China Merchants convertam interesse em propostas concretas nos leilões que o governo pretende realizar. O ponto de atenção é que o governo não divulgou o valor total dos projetos que serão apresentados, o que dificulta avaliar a escala do que está sendo ofertado.

Do ponto de vista do comércio exterior, a atração de operadores portuários e armadores chineses para concessões no Brasil pode ter efeito direto na capacidade e na eficiência dos terminais que movimentam a maior parte das exportações brasileiras, especialmente de granéis agrícolas. A presença de grupos como COSCO Shipping e Hutchison Ports nas conversas indica que o interesse vai além da construção e alcança a operação das estruturas, o que muda a dinâmica competitiva dos portos brasileiros a médio prazo.

O memorando com Singapura, por sua vez, tem dimensão mais técnica e de longo prazo. Corredores verdes ainda estão em fase de desenvolvimento no setor marítimo mundial, e o acordo cria um quadro de cooperação, não obrigações imediatas. Ainda assim, posiciona o Brasil em uma discussão que tende a ganhar peso regulatório à medida que as exigências de descarbonização do transporte marítimo avancem nas regras da Organização Marítima Internacional.

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