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Banco do Japão eleva juros ao maior nível em 31 anos e sinaliza novas altas
Banco Central do Japão eleva taxa de juros a 1,25%, o maior nível em 31 anos, e sinaliza novos aumentos para conter inflação; movimento afeta câmbio e expectativas globais de política monetária.
O Banco do Japão (BoJ) elevou a taxa básica de juros de 1% para 1,25% nesta sexta-feira (18), levando os juros japoneses ao maior nível em 31 anos. A decisão foi aprovada por 7 votos a 2 ao fim de uma reunião de dois dias, com os integrantes da diretoria Toichiro Asada e Ayano Sato votando contra o aumento, segundo a Reuters.
Foi a primeira elevação dos juros japoneses em três meses. A decisão aproxima a taxa dos níveis considerados neutros pelo Banco do Japão e dá continuidade ao afastamento da política de juros muito baixos adotada pelo país durante décadas. Após a decisão, o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou que a condução da política monetária entrou em uma nova fase diante da aproximação da inflação subjacente da meta de 2%.
“É importante estabilizar a inflação subjacente em 2%. Nossa fase de política monetária mudou”, afirmou Ueda em entrevista coletiva após a reunião. Segundo o presidente do BoJ, o foco da instituição deixou de ser estimular a elevação dos preços até a meta e passou a considerar o risco de a inflação subjacente ultrapassar 2%.
“Se os riscos de a inflação subjacente ultrapassar 2% se concretizarem, isso poderá ter um impacto negativo na economia do Japão”, declarou Ueda.
Ueda também afirmou que não descarta aumentos consecutivos dos juros nem elevações de 50 pontos-base em reuniões futuras. Segundo ele, o Banco do Japão pretende agir preventivamente para evitar a necessidade de medidas mais intensas que possam desestabilizar os mercados financeiros.
No comunicado divulgado após a reunião, o Banco do Japão informou que a evolução da economia e dos preços permanecia em linha com sua previsão básica, mas apontou risco de desvio da inflação subjacente em relação à meta de 2%.
“A inflação no atacado permanece elevada e as pressões sobre os preços decorrentes do comércio entre empresas começaram a se refletir nos preços ao consumidor”, afirmou a instituição.
O Banco do Japão também informou que a inflação subjacente vem se aproximando de 2%, em um cenário no qual empresas continuam repassando custos salariais mais altos e as expectativas de inflação seguem em elevação.
Iene cai após decisão
O iene se desvalorizou após a decisão do Banco do Japão nesta sexta-feira. A Reuters registrou o movimento da moeda após o anúncio da elevação da taxa de juros.
Dois dos nove integrantes que participaram da decisão, Toichiro Asada e Ayano Sato, votaram pela manutenção dos juros, enquanto os outros sete integrantes aprovaram a elevação da taxa para 1,25%.
FUP Explica
A alta do Banco do Japão a 1,25% é relevante porque encerra décadas de política de juros próximos de zero ou negativos, que eram uma anomalia entre as grandes economias. O sinal de Ueda de que novas altas estão na mesa, inclusive em incrementos maiores, muda o cálculo de quem opera ativos denominados em iene ou tem posições alavancadas apostando na fraqueza da moeda japonesa, o chamado carry trade. Quando o iene se fortalece de verdade, esse tipo de posição se desfaz rapidamente e pode gerar turbulência em mercados emergentes, incluindo o Brasil, porque investidores vendem ativos de maior risco para cobrir perdas em outras posições.
A queda do iene logo após o anúncio, no entanto, mostra que o mercado leu a dissidência interna de dois diretores como um freio ao ritmo de aperto. Ou seja, o BoJ sinalizou direção, mas não urgência, e isso reduziu o impacto imediato. O ambiente externo complica o quadro: com petróleo acima de US$ 97 o barril, pressionado pela guerra no Irã e pelas tensões no Estreito de Ormuz, a inflação de energia segue como variável difícil de controlar por qualquer banco central, o que tende a manter a pressão por juros mais altos por mais tempo em várias economias simultaneamente.
Para o Brasil, o cenário de juros elevados nas economias desenvolvidas costuma reduzir o diferencial de atratividade dos ativos brasileiros, mas o fluxo externo para a bolsa seguia positivo no início de setembro, o que sugere que, por ora, o país ainda se beneficia de um diferencial de juros favorável e de expectativas de crescimento. O risco está num eventual endurecimento mais rápido do BoJ ou de outros bancos centrais, que pode reverter esse fluxo com velocidade.




