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Bancários fazem greve de 24 horas após Fenaban não apresentar reajuste salarial
Conflitos

Bancários fazem greve de 24 horas após Fenaban não apresentar reajuste salarial

21/08/2026·422 palavras
Paralisação de 24h do setor bancário pode impactar operações de câmbio, pagamentos internacionais, financiamento de exportações e processamento de operações de comex.

Bancários de todo o país realizaram uma paralisação de 24 horas em 20 de agosto de 2026, após assembleias que rejeitaram a proposta apresentada pela Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) durante a Campanha Nacional Unificada 2026. A decisão foi aprovada nesta segunda-feira (17), com índices de rejeição à proposta patronal superiores a 95% em nível nacional.

A Fenaban não apresentou um índice de reajuste salarial na negociação e colocou em discussão o congelamento do piso de ingresso para novos bancários, além de reajustes diferenciados em três faixas salariais, sem detalhar percentuais. Em reunião que durou quase oito horas no dia 13 de agosto, os bancos chegaram a propor a redução dos vales-refeição e alimentação em cidades do interior e ameaçaram recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para impor o modelo, mas recuaram da proposta após intervalo.

Os números das assembleias ilustram o grau de insatisfação da categoria. Na Paraíba, 96,48% dos trabalhadores recusaram a proposta da Fenaban e 95,02% votaram pela paralisação. Em São Paulo, 97,66% rejeitaram a proposta e 89,34% aprovaram o movimento.

A Campanha Nacional Unificada 2026 teve início em 24 de junho de 2026, quando a categoria entregou oficialmente sua pauta de reivindicações. As discussões passaram por sete rodada\s anteriores, abordando temas como emprego, tecnologia, saúde, igualdade de oportunidades e cláusulas econômica. O Comando Nacional dos Bancários, grupo de negociação da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), se reuniu com a Fenaban em 18 de agosto na oitava rodada.

No Distrito Federal, a assembleia aprovou o indicativo de paralisação com uma condição: caso as rodadas de 18 e 19 de agosto não resultassem em propostas satisfatórias, a adesão seria ratificada em 19 de agosto. Rodrigo Britto, presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, descreveu o movimento como "um dia de indignação e muita luta para evitar retrocessos em toda nossa vida laboral", em declaração reproduzida pelo Poder360.

Operações afetadas durante a paralisação

Com o fechamento de agências, compensações bancárias, incluindo TED (Transferência Eletrônica de Dados), não são efetivadas em dias de greve, conforme informações da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) registradas pela Agência Brasil em maio de 2024. O PIX, por funcionar 24 horas todos os dias, permanece disponível normalmente.

Canais digitais e remotos dos bancos, como sites e aplicativos, também continuam acessíveis para transferências e pagamento de contas. Boletos bancários de clientes cadastrados como sacados eletrônicos podem ser pagos por meio de Débito Direto Autorizado (DDA), segundo a Agência Brasil. A paralisação foi anunciada no site da Contraf e nos sites dos sindicatos estaduais.

FUP Explica

O ponto central aqui é a dinâmica da negociação coletiva, não a paralisação em si. A Fenaban entrou na mesa sem apresentar índice de reajuste e ainda tentou reduzir benefícios como vale-refeição, o que praticamente garantiu a rejeição massiva nas assembleias. Quando a proposta patronal começa na defensiva assim, a tendência é que o movimento ganhe força e que as rodadas seguintes exijam concessões maiores dos bancos para destravar o acordo.

Do ponto de vista econômico, uma paralisação de 24 horas no setor bancário tem impacto limitado para a maioria dos clientes, porque PIX, aplicativos e canais digitais seguem funcionando. O gargalo real aparece nas operações que dependem de compensação bancária tradicional, como TEDs e liquidações que não passam por sistemas automatizados, e que ficam represadas para o dia seguinte. Para empresas com fluxo de caixa apertado ou pagamentos programados para aquela data, o atraso pode gerar custo financeiro concreto.

Se as rodadas de negociação não avançarem, o risco é de uma greve mais longa, que aí sim começa a pressionar operações de maior complexidade. O histórico de campanhas salariais do setor bancário mostra que paralisações de 24 horas funcionam mais como sinal de pressão do que como ruptura definitiva, mas o nível de rejeição registrado nas assembleias, acima de 95% em várias bases, indica que a categoria tem pouca margem de tolerância para uma nova proposta fraca.

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