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Novo ataque agrava crise no Estreito de Ormuz, que registra apenas 10 travessias diárias
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Novo ataque agrava crise no Estreito de Ormuz, que registra apenas 10 travessias diárias

19/08/2026·618 palavras

Um navio cargueiro foi atingido por um projétil enquanto saía do Estreito de Ormuz em nesta segunda-feira (18), resultando na morte de um membro da tripulação. O projétil danificou a casa de máquinas da embarcação, conforme informado pelo Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO). A Guarda Costeira de Omã prestou assistência ao restante da tripulação, e não foram relatados danos ambientais.

O Centro Conjunto de Informações Marítimas informou que o navio navegava em direção ao sul, a menos de uma milha náutica da costa de Omã, quando foi atacado. Trata-se da chamada "rota sul", onde a marinha dos Estados Unidos oferece assistência a embarcações, mas o Irã mantém capacidade de atacar navios mesmo nesse corredor.

O ataque ocorre num momento em que o tráfego pelo estreito atingiu seu patamar mais baixo em três meses. Na semana do incidente, foram registradas apenas 10 travessias na segunda-feira e duas no domingo, de acordo com dados da empresa de inteligência comercial Kpler, citados pelo Times Brasil.

A média de cinco dias para trânsito de navios ficou em torno de 10 embarcações, o nível mais baixo desde 11 de maio, conforme apurou a CNBC em 19 de agosto. Antes do início do conflito, cerca de 130 embarcações cruzavam o estreito diariamente.

O contraste com a retórica do presidente Donald Trump é direto. Na terça-feira anterior ao ataque, Trump afirmou que o Estreito de Ormuz estava "aberto e operacional" e que "todas as minas aquáticas foram removidas ou detonadas". O Comando Central dos EUA, porém, não confirmou essa afirmação quando questionado. Os mercados tampouco acreditam nas garantias presidenciais: o petróleo Brent permanece acima de 91 dólares por barril, e o West Texas Intermediate subiu 0,52% para 85,38 dólares nas primeiras horas asiáticas do dia 19.

Desde o início da guerra entre os EUA e o Irã, em 28 de fevereiro de 2026, pelo menos 17 marinheiros foram mortos em 65 ataques a embarcações comerciais, segundo a Organização Marítima Internacional, conforme reportou o Times Brasil. Um prazo de 60 dias para uma solução negociada terminou sem avanços na segunda-feira anterior ao ataque, com as negociações efetivamente paralisadas. Teerã mantém conversas com Omã sobre um acordo para reabrir o estreito, mas Trump declarou à CNBC que não há conversas ou negociações agendadas com o Irã.

Em declarações ao O Globo, publicadas em 13 de agosto, Trump afirmou estar "lidando com isso discretamente" e optando pela pressão econômica em vez de novos bombardeios, citando uma inflação superior a 300% no Irã como fator de desgaste do regime. Na sexta-feira anterior, em 14 de agosto, o presidente havia afirmado que pretendia declarar o estreito como "território dos EUA", segundo o Independente. O Irã respondeu que o estreito "não pode ser tomado com um tweet", conforme noticiou a CNN Brasil.

Pedágio recuado e rejeição de aliados

Antes disso, Trump havia anunciado que os EUA cobrariam 20% sobre o valor das cargas de navios comerciais para "facilitar" a passagem pelo estreito. O Conselho Marítimo Internacional e Báltico alertou que a proposta poderia reduzir ainda mais um tráfego praticamente paralisado, estimando que o custo do pedágio para um navio petroleiro de grande porte giraria em torno de 27 milhões de dólares por viagem.

Após críticas internacionais, Trump recuou e anunciou que substituiria a taxa por acordos comerciais e de investimento com países do Golfo Pérsico, sem especificar quais países se comprometeram.

O Reino Unido rejeitou participar do bloqueio naval proposto por Trump. O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que "qualquer que seja a pressão, não vamos ser arrastados para a guerra". O Japão defendeu resolução por diplomacia, e a China afirmou que resolver a questão do estreito exige primeiro cessar o conflito militar no Oriente Médio.

FUP Explica

O ataque de 18 de agosto e os números de tráfego confirmam que o Estreito de Ormuz opera numa paralisia que as declarações de Trump não conseguem disfarçar. Com média de apenas 10 navios em cinco dias, contra 130 antes da guerra, a rota responsável por cerca de 20 milhões de barris diários de petróleo e derivados, e por quase 600 bilhões de dólares em comércio de energia anual segundo a BBC News Brasil, segue inoperante na prática. O petróleo Brent acima de 91 dólares reflete exatamente essa desconfiança dos mercados em relação às garantias presidenciais.

Para o Brasil, o canal de transmissão mais direto é o preço do petróleo e, por consequência, o frete marítimo. A Petrobras, cujas ações pressionaram o Ibovespa para baixo em meio à fraqueza do petróleo, é o termômetro mais visível disso no mercado doméstico. Exportadores brasileiros de commodities que dependem de rotas longas também sentem o efeito no custo e na previsibilidade dos contratos, ainda que o Brasil não seja dependente direto do Golfo Pérsico para escoar sua produção.

No plano político, a situação expõe a fragilidade da posição americana: Trump anuncia abertura, o Comando Central não confirma, aliados como Reino Unido e Japão recusam envolvimento militar, e o Irã mantém capacidade de atacar mesmo na rota considerada mais segura. Com negociações paralisadas após o fim do prazo de 60 dias e sem agenda diplomática confirmada, o risco de novos incidentes permanece alto, e qualquer escalada tende a pressionar ainda mais os preços de energia no curto prazo.

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