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Confiabilidade de cronogramas marítimos cai para 62,6% em junho
Marítimo

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Confiabilidade de cronogramas marítimos cai para 62,6% em junho

28/07/2026·415 palavras
Confiabilidade de cronogramas no transporte marítimo global cai para 62,6% em junho de 2026, afetando planejamento logístico e prazos de entrega em operações de comex. Precedente editorial reforça relevância.

A confiabilidade de cronogramas no transporte marítimo global recuou para 62,6% em junho de 2026, segundo o relatório Global Liner Performance (GLP) da Sea-Intelligence. O resultado representa uma queda de 1,9 ponto percentual em relação a maio e de 4,7 pontos percentuais frente a junho do ano anterior, uma deterioração que afeta diretamente o planejamento logístico de importadores e exportadores ao redor do mundo, incluindo os brasileiros.

Apesar de ser o segundo melhor resultado do ano, o dado confirma uma tendência de instabilidade que contrasta com a melhora observada no início de 2026. Em janeiro, o índice havia atingido 62,4% — o maior patamar registrado no período 2021–2026 —, mas recuou para 59,0% em fevereiro e oscilou nos meses seguintes sem recuperar consistência.

O atraso médio entre os navios que chegaram fora do prazo ficou em 5,31 dias em junho. Embora represente uma melhora de 0,34 dia em relação a maio, esse patamar é 0,78 dia superior ao registrado em junho de 2025 e corresponde ao terceiro maior valor histórico para o mês. Ou seja, quando o navio atrasa, o atraso é cada vez mais longo.

Esse cenário de volatilidade estrutural tem como pano de fundo a incerteza sobre o retorno das rotas pelo Mar Vermelho e Canal de Suez, o excesso de capacidade instalada e a moderação da demanda mundial, fatores que combinados pressionam a regularidade operacional das armadoras sem perspectiva de resolução imediata.

Desempenho por armadora e aliança

Entre as 13 maiores armadoras monitoradas, apenas três superaram 70% de confiabilidade: Maersk liderou com 77,1%, seguida por Hapag-Lloyd (75,6%) e MSC (72,1%). No outro extremo, a Wan Hai registrou apenas 35,6% — uma diferença de mais de 40 pontos percentuais em relação à líder, o que torna a escolha da armadora uma decisão estratégica relevante para qualquer operação sensível a prazos.

No comparativo mensal, somente duas armadoras melhoraram seu desempenho, com a ZIM liderando esse grupo (+0,8 p.p.). Na comparação anual, também apenas duas avançaram, com destaque para a MSC (+5,0 p.p.).

No nível das alianças, a Gemini Cooperation — formada por Maersk e Hapag-Lloyd — manteve liderança expressiva, com 93,4% de confiabilidade no período maio/junho de 2026. A MSC apareceu em segundo lugar com 80,7%, seguida pela Ocean Alliance (67,6%) e pela Premier Alliance, que registrou o pior resultado entre as alianças, com 53,6%. A trajetória da Gemini ao longo do ano é consistente: partiu de 89,5% em janeiro, recuou para 76,8% em março e voltou a escalar para 93,4% em junho.

FUP Explica

O número que mais chama atenção não é o 62,6% em si, mas a combinação entre a queda anual de 4,7 pontos percentuais e o atraso médio de 5,31 dias — o terceiro maior histórico para junho. Isso significa que o setor está piorando tanto em frequência quanto em intensidade dos atrasos, e quem opera com janelas de entrega apertadas sente os dois lados ao mesmo tempo.

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