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Rotterdam enfrenta risco de congestionamento com queda no Reno
Redução do nível de água no rio Reno compromete navegação fluvial europeia, afetando rotas de transporte de cargas e custos de frete para exportadores brasileiros.
O rio Reno voltou a registrar queda nos níveis de água, reacendendo o alerta para o setor logístico europeu e para operadores brasileiros que utilizam portos do norte do continente. A Agência Federal de Navegação Interior da Alemanha (WSV) confirmou o recuo após precipitações insuficientes no sul do país e projetou que a tendência de baixa deve se prolongar nos próximos dias, revivendo o cenário crítico já enfrentado em 2022, quando seca e ondas de calor paralisaram trechos relevantes do transporte fluvial europeu.
O rio Reno é a hidrovia mais desenvolvida e utilizada da Europa, responsável por cerca de 80% do transporte de mercadorias por via navegável interior no continente, segundo o Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL). A rede Reno-Danúbio, com extensão superior a 14 mil quilômetros, representa quase metade das vias navegáveis europeias.
O ponto mais crítico é Kaub, trecho mais raso do Médio Reno, próximo a Karlsruhe. A WSV projetou redução da profundidade navegável de 35 centímetros para apenas 20 centímetros em questão de dias. Com isso, as embarcações passaram a operar entre 15% e 20% de sua capacidade nominal, tornando cada viagem economicamente ineficiente. Abaixo de determinado limiar de calado, os armadores tendem a suspender as operações para evitar danos estruturais, o que pode paralisar completamente trechos da rota.
O reflexo mais imediato da crise está nas tarifas de frete fluvial. A tarifa para barcaças cisterna na rota Rotterdam–Karlsruhe saltou para a faixa de 120 a 125 euros por tonelada, ante aproximadamente 45 euros cobrados no final de junho, uma alta de quase três vezes em poucas semanas. Esse encarecimento decorre diretamente da necessidade de contratar múltiplas embarcações parcialmente carregadas para transportar um mesmo volume de carga.
As cargas mais afetadas são insumos industriais estratégicos: cereais, minerais de ferro, carvão, gasolina e outros derivados de petróleo. Em crises anteriores, grandes empresas industriais alemãs chegaram a revisar planos de produção e acionar comitês de crise internos diante da impossibilidade de garantir abastecimento regular. Empresas avaliam o desvio de cargas para o modal rodoviário, mas esse caminho também apresenta limitações, especialmente porque as redes ferroviária e rodoviária europeias já operam próximas à saturação.
FUP Explica
Se a queda do nível se prolongar até o outono, como projetam os hidrólogos alemães, o represamento de carga no interior europeu vai pressionar Rotterdam e os demais portos do norte, que já operam perto do limite. Isso significa que mesmo quem não usa o trecho fluvial diretamente pode sentir os efeitos, na forma de atrasos nos terminais marítimos e menor disponibilidade de equipamentos.
Quem tiver embarques programados para as próximas semanas com destino ao interior da Europa deve considerar buffers de prazo adicionais e, se possível, antecipar a movimentação antes que as restrições se aprofundem.



