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Caminhões a biometano saltam da fase de teste para venda em escala no Brasil
Logística

Caminhões a biometano saltam da fase de teste para venda em escala no Brasil

22/07/2026·455 palavras
Venda de caminhões com combustível renovável para operadora de coleta de resíduos. Tendência de sustentabilidade em logística rodoviária com impacto potencial em custos de transporte.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) concretizou sua primeira venda comercial em escala de caminhões a biometano no Brasil. Duas empresas já incluíram em suas estratégias a compra dos veículos, a primeira foi a operadora responsável pela coleta de resíduos em parte de São Paulo, que adquiriu 56 unidades do modelo Constellation 26.280 para renovar sua frota.

Os veículos passaram por testes operacionais desde o segundo semestre de 2025, e os resultados obtidos motivaram a compra em escala. O Constellation 26.280 opera com motor ciclo Otto e transmissão automática, tem autonomia de até 300 quilômetros e, segundo a VWCO, reduz em até 90% as emissões de CO₂ em comparação com um caminhão equivalente a diesel. O menor nível de ruído é outro diferencial relevante para operações em áreas urbanas.

O negócio se insere em uma tendência mais ampla de adoção de combustíveis alternativos no transporte pesado. Segundo levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), em 2025 foram registrados quase 3,7 mil novos veículos comerciais movidos por combustíveis alternativos no Brasil — mais que o dobro do volume de 2023 e cerca de sete vezes acima do registrado em 2021.

Ainda assim, o segmento é incipiente frente ao diesel: entre janeiro e dezembro de 2025, os emplacamentos de caminhões e ônibus a gás chegaram a 669 unidades, enquanto os movidos a diesel ultrapassaram 135,5 mil licenciamentos, representando 98,6% do total.

Um dos aspectos mais interessantes da compra para coletas é a possibilidade de fechamento de ciclo energético. O biometano pode ser produzido a partir do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários, o que significa que o próprio lixo coletado pelos caminhões pode se tornar a fonte de energia para abastecê-los. Esse modelo circular combina apelo ambiental com potencial de redução de custos operacionais.

O segundo exemplo de adoção em escala vem da Copersucar, que trabalha para substituir gradualmente cerca de 500 caminhões a diesel por modelos a biometano no transporte de açúcar e etanol. A empresa opera aproximadamente 70 veículos na chamada operação BioRota e afirma que o custo operacional do biometano pode ser entre 20% e 25% menor que o do diesel.

Barreiras que ainda travam a expansão

Apesar dos avanços, a própria VWCO e analistas do setor reconhecem obstáculos relevantes. O custo inicial elevado dos veículos, a expansão limitada da rede de abastecimento fora de bases próprias e a ausência de um mercado consolidado de seminovos para caminhões a gás ainda restringem a adoção em larga escala. A tecnologia segue concentrada em aplicações urbanas, onde autonomia e infraestrutura são menos restritivas.

O ILOS avalia que a transição não ocorrerá pela substituição completa do diesel, mas pela coexistência de matrizes energéticas conforme o perfil operacional de cada rota.

FUP Explica

O transporte rodoviário é o modal dominante na movimentação de cargas no Brasil, e qualquer mudança estrutural nos custos operacionais das frotas tende a se refletir nos fretes. Se a redução de 20% a 25% no custo de combustível apontada por operadores como a Copersucar se confirmar em escala, embarcadores que negociam contratos de frete de médio prazo podem começar a ver essa vantagem precificada nas tabelas, especialmente em rotas urbanas e de distribuição.

Há também uma dimensão regulatória e comercial que merece atenção. Importadores e exportadores que precisam comprovar pegada de carbono reduzida em suas cadeias logísticas, por exigência de clientes internacionais ou de regulações como o CBAM europeu, passam a ter mais opções de transportadoras com frotas de menor emissão.

Isso pode se tornar um critério de seleção de parceiros logísticos no médio prazo. Some-se a isso o debate ainda aberto sobre o pedágio verde, que, se avançar com algum formato regulatório, pode reduzir ainda mais o custo de frete em corredores contemplados.

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