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Frete aéreo brasileiro cresce em junho apesar de combustível 57,6% mais caro
Logística

Frete aéreo brasileiro cresce em junho apesar de combustível 57,6% mais caro

22/07/2026·291 palavras
Movimentação de carga aérea supera 116 mil toneladas em junho com crescimento de 6,6%; operações internacionais representam dois terços do volume. Indicador relevante de tendência em frete aéreo internacional.

A movimentação de carga aérea nos aeroportos brasileiros cresceu 6,6% em junho de 2026 em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O volume total no mês atingiu 116,1 mil toneladas, consolidando uma trajetória positiva que já vinha sendo observada ao longo do primeiro semestre. No acumulado de janeiro a junho, o setor somou 673,6 mil toneladas, com alta de 1,4% sobre o mesmo período de 2025.

Carga aérea internacional lidera o crescimento

As operações internacionais responderam por aproximadamente dois terços de toda a movimentação registrada em junho — 77,8 mil toneladas de um total de 116,1 mil. No acumulado semestral, o volume internacional chegou a 448,2 mil toneladas, enquanto a carga doméstica somou 225,4 mil toneladas.

Essa concentração nas rotas internacionais reforça a dependência estrutural do setor em relação ao comércio exterior, tornando o desempenho do frete aéreo brasileiro diretamente sensível a variações cambiais, acordos bilaterais de aviação e oscilações na demanda mundial.

O principal vetor de risco para o setor é a elevação expressiva no preço do querosene de aviação (QAV). Em junho, o insumo atingiu R$ 5,66 por litro, representando alta de 57,6% em relação ao mesmo mês de 2025. Apesar dessa pressão, o crescimento na movimentação foi mantido, sustentado sobretudo pelas operações internacionais.

Companhias aéreas tendem a repassar a alta do QAV para as tarifas de frete por meio de sobretaxas de combustível — os chamados fuel surcharges. Importadores e exportadores que utilizam o modal aéreo de forma recorrente devem revisar contratos de longo prazo e verificar se há cláusulas de reajuste atreladas ao combustível.

Em paralelo, a elevação do custo aéreo pode tornar o modal marítimo mais competitivo para cargas com menor urgência de entrega.

FUP Explica

O crescimento de 6,6% em junho é um sinal de aquecimento real da demanda, mas o número que merece mais atenção é a alta de 57,6% no QAV. Combustível é o principal componente de custo das operadoras aéreas, e quando ele sobe nessa magnitude, o repasse para as tarifas de frete é questão de tempo — ou já está acontecendo via fuel surcharge. Quem importa ou exporta por via aérea precisa checar agora se os contratos vigentes têm cláusulas de reajuste atreladas ao combustível e, se não tiverem, considerar renegociação antes da próxima renovação.

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