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Argentina e China renovam swap cambial de 130 bilhões de yuans por cinco anos
Economia

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Argentina e China renovam swap cambial de 130 bilhões de yuans por cinco anos

06/08/2026·541 palavras
China e Argentina renovam acordo de swap cambial no valor de 130 bilhões de iuanes, reforçando cooperação financeira bilateral e impactando dinâmica de câmbio regional.

Os bancos centrais da Argentina e da China renovaram em agosto de 2026 o acordo bilateral de swap cambial no valor de 130 bilhões de yuans, estendendo o contrato por mais cinco anos. A informação foi reportada pela GaúchaZH e pela UOL/AFP. A renovação mantém ativo um dos instrumentos centrais da relação financeira entre os dois países, que existe desde 2009.

O primeiro contrato entre o Banco Central da República Argentina (BCRA) e o Banco do Povo da China (PBoC) foi firmado em 2009, conforme registrado pela CNN Brasil com base em dados do próprio BCRA. Em 2014, um segundo acordo foi estabelecido como parte de uma parceria mais ampla entre os dois países. O contrato passou por renovações em 2017 e, no fim de 2018, a incorporação de valores suplementares elevou o total para os atuais 130 bilhões de yuans, equivalentes a US$ 19 bilhões na época, de acordo com publicação do IPEA.

Em agosto de 2020, um novo acordo foi firmado. Em junho de 2023, o BCRA o renovou antecipadamente pelo prazo de três anos, durante reunião em Pequim entre o presidente do BCRA, Miguel Pesce, e o presidente do PBoC, Yi Gang, com a presença do então ministro da Economia argentino, Sergio Massa, conforme apurado pela CNN Brasil. Naquela ocasião, o BCRA também havia iniciado procedimento para ampliar o montante em outros 36 bilhões de yuans, parcela destinada ao intercâmbio comercial bilateral após o esgotamento do valor inicial.

A renovação agora noticiada, em agosto de 2026, estende o prazo por mais cinco anos, segundo a GaúchaZH e a UOL/AFP. As fontes consultadas não detalham se houve ampliação do montante nesta rodada.

O relatório do FMI sobre a Argentina de 2023 destacou que a linha bilateral com a China representa parcela significativa das reservas internacionais do BCRA e é vital para a estabilidade financeira do país, conforme apontou o Policy Center for the New South. O mecanismo chegou a ser utilizado pela Argentina para honrar obrigações junto ao Fundo Monetário Internacional, funcionando como instrumento de prevenção de default, segundo a mesma fonte.

Do lado chinês, o objetivo inicial de promover o uso do yuan por meio do acordo não foi plenamente alcançado, segundo análise do IPEA. Ainda assim, a Argentina enxerga a China como fonte de apoio financeiro em situações de necessidade, o que explica a continuidade das renovações mesmo em períodos em que o swap não foi acionado, de acordo com o instituto.

Contexto regional e bilateral

Até maio de 2023, a China havia firmado acordos bilaterais de swap com mais de 40 países e regiões, totalizando valor superior a 4 trilhões de yuans, equivalentes a US$ 582,3 bilhões na época, segundo o Policy Center for the New South. Na América Latina, além da Argentina, a China mantém acordos semelhantes com Brasil, Chile e Suriname, conforme o IPEA.

A relação econômica entre os dois países abrange setores como agricultura, energia, infraestrutura e mineração de lítio. A Argentina também participa da Iniciativa do Cinturão e Rota da China, e o crescimento do uso do yuan nas liquidações comerciais entre os dois países aprofundou os laços financeiros bilaterais, com instituições como o ICBC Argentina desempenhando papel crescente no financiamento de investimentos e em transações transfronteiriças, segundo o China Briefing.

FUP Explica

A renovação do swap por cinco anos tem peso diferente do que teria para qualquer outro país: para a Argentina, esse contrato não é apenas um instrumento de política monetária, é uma linha de segurança que já foi acionada para evitar calote com o FMI. Manter o acordo ativo sinaliza que o BCRA continua contando com esse colchão nas reservas internacionais, o que tem efeito direto sobre a percepção de risco do país e sobre a capacidade do governo de honrar compromissos externos sem depender exclusivamente do mercado ou de organismos multilaterais.

Do ponto de vista político, a renovação acontece num momento em que a Argentina de Milei, que chegou ao poder com retórica abertamente crítica à China e ao yuan, mantém na prática a arquitetura financeira construída pelos governos anteriores.

Isso diz algo sobre os limites reais da política externa quando as reservas são escassas: a necessidade financeira pesa mais do que o alinhamento ideológico declarado. Para Pequim, renovar por cinco anos é também uma forma de consolidar presença na América do Sul num período em que a disputa por influência no Sul Global se intensifica.

Para o Brasil e outros parceiros regionais que têm acordos semelhantes com a China, a renovação argentina reforça a tendência de uso do yuan como moeda de reserva e de liquidação fora do circuito do dólar. Não muda nada de imediato para operadores brasileiros, mas é mais um dado no quadro de diversificação financeira que vem sendo construído bloco a bloco na região.

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