
Imagem gerada por IA
AD Ports eleva lucro a US$ 228 milhões apesar de disrupções em Ormuz
Operador portuário dos EAU reporta crescimento de 47% em receita e 88% em lucro líquido no segundo trimestre, apesar de disrupções geopolíticas na região.
O AD Ports Group, operador portuário dos Emirados Árabes Unidos, registrou resultados recordes no segundo trimestre de 2026, com crescimento expressivo em receita e lucro, apesar das disrupções geopolíticas no Estreito de Ormuz que derrubaram o tráfego de contêineres nos portos emiradenses.
A receita do grupo cresceu 47% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo AED 7,08 bilhões (US$ 1,93 bilhão). O EBITDA avançou 49%, para AED 1,74 bilhão, com margem de 24,5%, ante 24,2% no Q2 2025. O lucro líquido total saltou 88%, chegando a AED 836 milhões (US$ 228 milhões), impulsionado também por vendas de ativos que contribuíram com AED 650 milhões em receita e AED 294 milhões em EBITDA, conforme apurado pelo Container News.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, a receita consolidada atingiu AED 12,83 bilhões, com crescimento de 36% ano a ano. O EBITDA do período subiu 41%, para AED 3,25 bilhões, e o lucro líquido total cresceu 64%, para AED 1,49 bilhão.
AD Ports Group e o impacto das disrupções no Estreito de Ormuz
O conflito na região afetou de forma significativa as operações portuárias dos EAU durante o trimestre. O tráfego de contêineres nos portos emiradenses caiu 65% ano a ano, para 573 mil TEU, enquanto os volumes de carga geral e granéis recuaram 67%, para 3,1 milhões de toneladas. Com isso, a receita do Ports Cluster declinou 17%, para AED 609 milhões, e o EBITDA do segmento caiu 23%, para AED 234 milhões.
Para mitigar o impacto, o grupo expandiu rotas comerciais alternativas no âmbito do Programa Nacional dos EAU para Fortalecer a Resiliência da Cadeia de Suprimentos. Cargas e serviços de alimentação foram redirecionados para Fujairah Terminals e Khor Fakkan Port, ambos localizados fora do Estreito de Ormuz.
A empresa também introduziu pontes terrestres e aéreas, ampliou a capacidade de armazenagem e operou uma frota de 27 navios porta-contêineres e cinco navios graneleiros para sustentar os corredores alternativos. Durante o trimestre, foram adicionados 400 caminhões à operação, e as frequências ferroviárias com a Etihad Rail foram aumentadas. Os serviços conectaram portos na Índia, Paquistão e Omã com o Mar Vermelho e o Alto Golfo Pérsico.
Desempenho por segmento
O cluster de Maritime & Shipping foi o maior negócio do grupo no trimestre, com receita saltando 62% ano a ano, para AED 3,82 bilhões, e EBITDA crescendo 79%, para AED 1,03 bilhão, o que representou 53% da receita total do grupo. Os volumes de contêineres de alimentação caíram 11% ano a ano, para 740 mil TEU, mas tarifas de frete mais altas compensaram o recuo: as tarifas médias em serviços Golfo-Subcontinente Indiano subiram 96% ano a ano, e as tarifas do Mar Vermelho avançaram 37%.
O Logistics Cluster também cresceu de forma relevante. A receita subiu 30% ano a ano, para AED 1,47 bilhão, e o EBITDA mais que dobrou, com alta de 154%, para AED 94 milhões, apoiado por soluções logísticas alternativas nos EAU e no Conselho de Cooperação do Golfo.
Aquisições e expansão internacional
Durante o trimestre, o grupo anunciou a aquisição do operador de terminal portuário brasileiro CLI por valor empresarial de AED 3,1 bilhões (US$ 835 milhões), com fechamento esperado para o final do terceiro trimestre. Também foi anunciada a aquisição da MBS Logistics, sediada na Alemanha, por AED 300 milhões (EUR 70 milhões), com previsão de fechamento no quarto trimestre. Além disso, o grupo completou a compra de mais 30% de participação na Global Feeder Shipping por AED 1,1 bilhão, elevando sua participação acionária na empresa para 81%.
As disrupções no Estreito de Ormuz afetam rotas para Bahrein, Iraque, Catar e Kuwait, além de partes dos EAU e da Arábia Saudita. Segundo levantamento da consultoria Datamar, 158,3 mil contêineres deixaram portos brasileiros com destino às sete nações do Golfo Pérsico no período analisado.
FUP Explica
O resultado do AD Ports Group no Q2 2026 é um caso raro em que uma crise geopolítica severa coexiste com lucro recorde, e a explicação está na estrutura do negócio: enquanto os portos dos EAU perderam volume de forma drástica, o braço de navegação e logística do grupo foi quem absorveu o fluxo redirecionado, com tarifas muito mais altas.
Em outras palavras, a disrupção no Estreito de Ormuz prejudicou o segmento portuário, mas engordou as margens do segmento de frete e logística. Isso mostra como operadores diversificados conseguem se proteger de choques que destroem concorrentes mais concentrados.
Para o Brasil, o dado mais relevante é a aquisição do CLI. Quando um grupo do porte do AD Ports entra no mercado portuário brasileiro, isso tende a mudar o padrão de investimento, eficiência operacional e conectividade internacional dos terminais envolvidos.
A integração com a rede de rotas do grupo nos EAU, Índia, Paquistão e Omã pode abrir corredores que hoje não existem ou são pouco frequentes. O prazo de fechamento previsto para o final do terceiro trimestre de 2026 indica que a operação está em fase avançada.
No plano mais amplo, os números do AD Ports reforçam que as disrupções no Estreito de Ormuz continuam a pressionar tarifas de frete na região do Golfo Pérsico, com alta de 96% nas rotas Golfo-Subcontinente Indiano e de 37% no Mar Vermelho. Para exportadores e importadores brasileiros que operam com destino ou origem nessas regiões, o custo de frete permanece elevado enquanto a situação geopolítica não se resolver, e os dados citados mostram que o volume de carga brasileira com destino ao Golfo Pérsico é relevante o suficiente para que esse cenário continue pesando nas planilhas de custo.





