
Porto de Suape dispara 26,9% em 2026 e consolida posição entre os maiores do Brasil
O Porto de Suape registrou crescimento de 26,9% em 2026 e consolidou sua posição entre os maiores complexos portuários do Brasil, impulsionado por mais de R$ 2 bilhões em investimentos privados e por uma trajetória de expansão que vem ganhando força desde 2024. O resultado reforça a importância do porto pernambucano no comércio exterior brasileiro.
A trajetória recente do Porto de Suape oferece contexto importante para entender o crescimento projetado para 2026. Em 2024, o complexo movimentou 24,8 milhões de toneladas, a segunda maior marca em 46 anos de operação, segundo o Anuário Estatístico da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O volume representou alta de 3,6% sobre 2023, com 1.628 embarcações atracadas, um crescimento de 7,9% no número de atracações.
O segmento de contêineres foi o principal motor desse desempenho. Em 2024, o Tecon Suape movimentou 646.804 TEUs, alta de 23,4% sobre o ano anterior e o maior volume anual já registrado no terminal. Esse resultado foi alavancado pela chegada dos navios da classe New Panamax, os maiores a cruzar o Canal do Panamá, com 366 metros de comprimento.
A estreia ocorreu em 27 de julho de 2024, com a acostagem do MSC Orion, e a frequência semanal se consolidou em novembro do mesmo ano, com a rota denominada Santana, conectando o Nordeste diretamente a Singapura.
Outros segmentos também avançaram: a carga geral solta cresceu 19,3%, puxada por equipamentos industriais, produtos siderúrgicos, fertilizantes e grãos. Os granéis sólidos, por sua vez, somaram 1.224.022 toneladas, alta de 7,9%, com destaque para trigo, clínquer e coque de petróleo.
Investimentos aumentam a capacidade e conectividade logística
O crescimento de 2026 tem base em obras concretas. Os mais de R$ 2 bilhões em recursos privados aportados no complexo resultaram no aumento de 55% na capacidade de movimentação de contêineres. As obras de infraestrutura incluem a dragagem do canal externo, concluída, e a dragagem do canal interno, com ordem de serviço assinada. A reestruturação do molhe de proteção, em sua quarta e última etapa, também integra o pacote de melhorias.
Essas intervenções aumentam a segurança operacional e permitem a entrada de embarcações de maior calado, o que melhora as possibilidades de escala para armadores e, consequentemente, para os operadores de comércio exterior que utilizam o porto.
FUP Explica
O que está acontecendo em Suape representa uma mudança estrutural na logística do Nordeste que afeta diretamente quem opera comex na região. A consolidação de rotas diretas para a Ásia, como a Santana para Singapura, significa que exportadores e importadores nordestinos passam a ter uma alternativa real ao transbordo em Santos ou no Rio de Janeiro. Isso pode reduzir tempo de trânsito, diminuir custos com transbordo e dar mais previsibilidade às operações — especialmente para setores como agronegócio, indústria de fertilizantes e manufatura.
A ampliação de 55% na capacidade de contêineres, combinada com a dragagem dos canais, abre espaço para que armadores de maior porte escalem Suape com mais frequência e regularidade.



