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Logística

Setor de serviços cai 0,4% em maio por recuo na área de transportes

16/07/2026·455 palavras
O setor de serviços registrou queda de 0,4% em maio, impulsionada principalmente pelo recuo no setor de transportes. Indicador relevante para profissionais de logística e comex que dependem de infraestrutura de transporte.

O setor de serviços brasileiro registrou queda de 0,4% em maio na comparação com o mês anterior, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava variação entre -0,3% e 0,6%, com mediana de 0,0%, conforme apontou a Secretaria da Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Por que o setor de transportes puxou a queda

O grupo de transportes recuou 1% em maio e concentra cerca de um terço do peso total da pesquisa — o maior entre os cinco grupos monitorados pelo IBGE. Esse desempenho negativo refletiu menor receita das empresas de transporte aéreo de passageiros, recuo no transporte rodoviário de carga e queda nas atividades de logística.

Em termos de volume, o transporte de passageiros recuou 1,3% na comparação mensal, enquanto o transporte de cargas registrou variação negativa de 0,2%.

O Índice de Atividades Turísticas (Iatur) também recuou 0,4% em maio, afetando segmentos como transporte aéreo de passageiros, hotéis e agências de viagens.

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Contexto acumulado e o que ainda sustenta o setor

Apesar da queda mensal, o panorama acumulado ainda é positivo. Na comparação com maio do ano anterior, o setor cresceu 0,4%. No acumulado de janeiro a maio, a expansão chega a 1,9% em relação ao mesmo período anterior, e o acumulado de 12 meses marca alta de 2,6%. No entanto, esse ritmo desacelerou: em abril, o acumulado de 12 meses era de 2,9%.

O setor permanece 19,6% acima do nível pré-pandemia, mas está 0,5% abaixo do maior patamar já registrado, alcançado em outubro de 2025. Dois dos cinco grupos pesquisados apresentaram queda em maio, o que indica que a contração não foi generalizada.

Um contraponto relevante veio dos serviços às famílias, que atingiram o maior patamar desde dezembro de 2014, sustentados por desemprego baixo, massa de rendimentos elevada e nível de preços controlado.

Impacto prático para a cadeia logística

O recuo nos transportes em maio ocorre em um contexto já pressionado. O setor rodoviário enfrenta a combinação de diesel elevado — que representa cerca de 35% dos custos operacionais —, juros altos e frota envelhecida, comprimindo as margens das transportadoras. Mesmo com o frete rodoviário em patamares elevados, o repasse de custos não tem acompanhado o ritmo dos aumentos.

A queda de receita das empresas de logística registrada em maio pode indicar redução de capacidade disponível no curto prazo, com possível impacto em prazos de coleta e entrega de cargas de exportação e importação.

Isso abre espaço para pressão adicional sobre fretes e risco de gargalos em períodos de maior demanda, como safras agrícolas. O próximo resultado da PMS será determinante para identificar se o recuo de maio é pontual ou sinaliza uma tendência de desaceleração mais prolongada.

FUP Explica

O recuo do setor de transportes em maio não é apenas um indicador econômico — é a espinha dorsal da cadeia logística que conecta fábricas, portos, aeroportos e armazéns. Quando a receita das empresas de logística cai, o sinal mais imediato é de que a capacidade disponível pode se contrair, o que tende a encarecer e dificultar a contratação de frete justamente nos momentos de maior pressão sazonal, como o escoamento de safras ou picos de importação.

O dado ganha peso adicional porque o setor já vinha operando sob estresse: diesel caro, juros elevados e frota envelhecida comprimem as margens das transportadoras há meses.

Uma queda de receita nesse ambiente pode acelerar a saída de capacidade do mercado — menos caminhões rodando, menos disponibilidade de slots — o que, na prática, significa mais dificuldade para quem precisa garantir coleta e entrega dentro do prazo.

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